Agosto 23, 2008

Divulgação: “O ente e a essência”

Título: O ente e a essência
De ente et essentia
Autor: Tomás de Aquino (1225-1274)
Tradução: Carlos Arthur do Nascimento
Introdução: Francisco Benjamin de Souza Neto
Vozes, Petrópolis, 2 edição, 45 pp.

Trecho da Introdução

(…)
O terminus a quo de toda a Metafísica de Santo Tomás é o “ENS”. É desde a divisão deste que as peculiaridades do pensamento se desvelam. De início, ens e essentia se divisam como “aquilo” que, primeiro, o intelecto concebe. Com isto elimina-se todo realismo ingênuo. Ao contrário, assume-se o “ens qua ens”, mas este só se tem em conta de acessível em seu ser concebido pelo intelecto. Isto equivale a dizer que é só enquanto concebido que o ente e a essência são acessíveis. É, portanto, a potência ativa de conceber que faz o homem capaz do ente e da essência. O longo itinerário que este percorre entre a “sensatio” a mais extrínseca e a “conceptio” só nesta se eleva ao ente, embora este esteja sempre necessariamente na origem de todos os momentos psicogenéticos do processo cognitivo. No mínimo isto equivale a dizer que é só então que há saber conceptivo, porque é só então que o ente se rende ao homem. É justo pensar que ocorre aí o dom da universalidade. Mas não é esta que ocupa o primeiro plano nas preocupações de Tomás de Aquino; é antes de tudo o estatuto originário e originante do ente no intelecto que lhe interessa. Originário, o ente não é apenas fundante “in abstracto”, isto é, abrangente, mas é nele que se capta o que é em sua potência, em sua essência e em seu ser. Donde ser a divisão do ente a divisão do real, da esfera das “coisas”, já que esta é simplesmente a esfera “do que é”. O real é apenas a denominação recente da totalidade discreta dos entes.

Dada sua concepção, dado como conceito, pode ser o ente dividido, seja no que enuncia a verdade da proposição, seja no que compreende os dez predicamentos. Todavia, no primeiro caso ele compreende o nada, privatio et negatio. Ora, como o nada simplesmente não é, resta a afirmação do ente enquanto divisível nos dez predicamentos e, porque estes não se dizem de modo equívoco mas com referência à substância, importa primeiro considerar como o ente e a essência nesta se efetivam. Por sua vez, podendo ser a substância simples ou composta, seria o caso de se principiar por aquela para chegar a esta. Tomás de Aquino opta pela via inversa por uma precisa razão: tudo que cai imediatamente sob o alcance do saber humano é composto. Em verdade, o homem se eleva deste ao simples, do que é posterior ao que é anterior, do que é segundo ao que é primeiro: eis o “ordo inventionis” do processus humano de cognição.

É na substância composta que primeiro o intelecto demanda a essência e, nesta, ela se revela irredutível não só à matéria mas também à forma tomada em separado. A substância composta é, por definição, matéria e forma, mais precisamente, forma na matéria determinada por certa forma. Jamais se depara com a matéria prima a ser em estado puro. Mas o mesmo não ocorre com a forma. Assim como é ela que torna cognoscível a matéria, em si mesma incognoscível, porque indeterminada, desde o seu ser na matéria, ela, a forma, abre o caminho primeiro para a investigação da possibilidade, depois da efetividade de formas às quais caiba ser independentemente da matéria. Parte-se do intelecto potencial ou possível que se torna a forma do ente que conhece mas sem que, para isto, esta se faça inerente à matéria, embora a cognição capte e preserve a referência a esta. Obra do intelecto agente, este modo de ser da forma sem a matéria, conferido a formas que, na natureza das coisas, são inerentes à matéria, desvela ser o intelecto, enquanto intelecto, isento da materialidade: nada pode ser inferior em perfeição àquilo a que confere o ser. Uma vez demonstrada esta isenção, abre-se o caminho à especulação sobre as substâncias separadas. Estas seriam idênticas à forma. O que quer que se pense de tanta generosidade com uma simples possibilidade, a separabilidade da forma tem-se em conta de indissociável de seu primado sobre a matéria. Tudo o que um ente é, ele o é por força e em razão de sua forma, sem prejuízo das causas externas. Pode-se pensar em um “platonismo via Aristóteles” mas é prudente não avançar sem cautela, mesmo porque é ampla e variada a mediação patrística. É na substância composta limítrofe, o homem, que a imaterialidade da forma se desvela no próprio ato de se conhecer por conceitos.

A substância simples é a expressão quase necessária do primado da forma. Ela só não chega a tal necessidade porque todo ente até aqui estudado tem uma essência inidêntica a seu ser. Isto não se diz expressamente até que a alusão à substância simples importe a consideração do que, de início, se diz Ente primeiro, aqui no sentido de primordial, em verdade o ente suprasubstancial e o Puro Ser. Ato puro, inferido a partir da própria atualidade do simplesmente possível, o nosso contingente, n’Ele não se trata mais de identidade essência-forma, mas essentiaesse. É possível divisar, nesta altura do De Ente et Essentia, a Metafísica subjacente às cinco vias. Para além da forma, é divisado o ser, ESSE e não ENS. A argumentação pressupõe a teoria geral da substância, até aqui exposta, ainda que de forma concisa: tudo o que não é o seu esse, recebe-o: ora, o Ato Puro, pressuposto pela própria atualidade do possível, da matéria à forma desta isenta, por definição não é receptivo, porque isento de toda passividade; logo é puro ESSE. Tal identidade é plenitude de ser, não indigência; não é ela carência da essência, mas o próprio ser supra-essencial, supereminentemente compreensivo de toda a escala das perfeições da essência. Insusceptível de ser recebido, tal esse não pode ser o ser do mundo como totalidade nem multiplicar-se, pois o multiplicar-se exige a adição da diferença e a pureza do ato implica a absoluta simplicidade irreceptiva de um ato subseqüente. A fortiori, exclui-se a matéria, pois esta importaria composição.

Há, portanto, um lugar entre o puro ESSE e a substância composta, para a substância separada, pura forma. A angelologia há de instalar-se no âmbito desta possibilidade metafísica. Apenas, importa notar que, simples come essências porque puras formas, tais substâncias são, como entes, distintas do ser que lhes cabe. São elas também únicas no ser que lhes cabe, pois sendo puras formas, não há nelas ou fora delas qualquer fator de multiplicação numérica. Com efeito, no que concerne às substâncias compostas, Tomás de Aquino defende aqui e após a tese segundo a qual a multiplicação destas se faz em razão da matéria assinalada pela quantidade, tese esta que há de ser um dos aspectos mais discutidos de seu pensamento.

Feita a precisão acima, o pensamento humano, o quanto é-lhe possível, abrange o ente na totalidade de suas possibilidades, do puro ESSE à pura potência, do absolutamente necessário ao simplesmente possível. É só então que, no movimento conjunto do opúsculo, o autor se permite traçar a escala hierárquica dos entes, que desce do Ato Puro de ser, o ESSE, passa pela potência em relação ao ser e desce à potência em relação à forma, à matéria-prima. O capítulo V do De Ente et Essentia é a brilhante e concisa exposição desta concepção. Com ele, chega o autor ao “ordo essendi” de sua ontologia. Mas, antes de isto poder ocorrer, foi-lhe necessário, em seu modo de ver, partir do ente como “prima conceptio”, proceder à análise da constituição intrínseca da substância composta, discernir, em seguida, o exato teor da relação forma-matéria, elevar-se adiante à forma sem matéria, à substância simples, detectar a necessidade, entre estas, da substância em verdade supra-substancial, fundante e originante de todas as demais inclusive quanto ao ser destas, para, enfim, divisar a absoluta necessidade de a essência desta ser idêntica a seu ser, isto é, de ela apenas ser o seu ESSE. Só então é possível discernir a ordem no ser e operar a síntese do capítulo VI.

É manifesto, trata-se de uma ontologia que não só reconhece o primado do ato, a “enérgeia” de Aristóteles, sobre a potência, a “dynamis”, mas que faz deste primado o princípio segundo o qual se articula o movimento com o qual perfaz o conhecimento do ente, elevando-se do primado da forma na constituição da essência ao primado do ser na constituição do ente e sobre o próprio ente ao inferir a necessidade de o ente primeiro ser puramente SER, princípio, origem e fundamento de todo ente e de cada ente a cuja essência confere o ser que lhe cabe como ato. Observe-se, a propósito, que nosso autor não atribui à palavra existência o valor de sinônimo de ser em toda a universalidade deste, dela se valendo e do verbo que lhe corresponde para casos particulares de ser, como forma lingüística complementar e sempre com muita usura.

O capítulo VI do opúsculo, como se previra, é dedicado a precisar como e em que sentido é a essência nos acidentes. Ora, assim como o acidente não pode ser definido sem o sujeito ao qual é inerente, não lhe cabe o ser substancial, mas o acidental, não lhe cabe também a razão de uma essência completa. Nesta altura, Sto. Tomás fala ainda de ser acidental e de certo ser segundo que o acidente causa. Esta linguagem, posteriormente, há de parecer conceder demais ao acidente e ele dirá que todo o ser deste consiste em ser-em, “inesse” (ver, por exemplo, a Suma de Teologia I, q. 28 a.2 c). Não é o momento de se reconstituir a caminhada nesta direção mas à altura do IV livro do Comentário às Sentenças ela já está encetada. A consideração deste pormenor dá ensejo a que se precise o lugar do De Ente et Essentia na obra de seu autor: é ele um marco decisivo; as posições aí adotadas decidem em grande parte o destino do pensamento ao qual dá forma: o ente, a essência, o ser, a substância em suas divisões e em sua individuação, o acidente, as relações de tudo isto com as intenções lógicas, mas nada disto obsta que precisões assinalem certa evolução que, como no caso exemplificado, são exigências do próprio pensamento em seus princípios e formas. É manifesto, porém, que quaisquer transformações e a determinação de seu alcance, aperfeiçoamento ou ruptura, é algo a ser determinado a nível monográfico, caso por caso. Permanece, todavia, válido ser o De Ente et Essentia a exposição da metafísica tomista em seu movimento de conjunto: nada em sua obra pode ser alegado contra esta tese.

Eis o que foi possível dizer, em breves linhas, no sentido de atrair a atenção do leitor para as teses fundamentais do De Ente et Essentia.

Francisco Benjamin de Souza Neto

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Agosto 22, 2008

Um programa metapolítico

(…) IL Y A LES ALLIANCES AVEC LES MILIEUX ISLAMITES (camouflés derrière des associations-paravents), mais il y a aussi les conversions à l’Islam dans telle ou telle de ses variantes fondamentalistes, sur la base d’un anticapitalisme radical, susceptible d’attirer extrémistes de droite et de gauche. Car l’anti-occidentalisme des islamistes peut s’interpréter à la fois comme un antiaméricanisme et comme un anticapitalisme, avec les inévitables connotations de cet « isme » (diabolisation de l’argent, de la ploutocratie, de la «finance juive», etc.)158. Lors d’une conférence prononcée au Conseil islamique de défense européenne, le 29 juin 2003 à Paris, l’ancien militant nationaliste français Tahir de la Nive, converti à l’Islam, croit pouvoir expliquer ainsi la fascination exercée par l’Islam sur les militants d’extrême gauche et d’extrême droite : « L’Islam ne peut d’aucune manière transiger avec l’Occident capitaliste. Le grand métaphysicien indien Mohammed Iqbal a pu écrire Qu’est-ce que le Coran? C’est une sentence de mort pour le capitalisme. Il n’y a là aucune exagération, car c’est Dieu lui-même qui, dans le Coran, déclare la guerre à qui se nourrit de l’usure. Il n’y a donc aucun terrain d’entente, aucune trêve possible entre l’Islam et le capitalisme qui […] est basé sur l’usure, sur l’esclavage, aussi bien des peuples que des individus.» 159 Cette perspective n’est nullement nouvelle dans l’Europe d’après-guerre : l’islam a été pensé comme la solution d’ensemble à tous les problèmes nés du monde moderne, jugés insolubles dans le cadre des valeurs et des normes de ce dernier. Les milieux traditionalistes non chrétiens ou désespérant du christianisme ont cru reconnaître dans l’islam les fondements d’une culture traditionnelle. En 1979 paraissait dans une revue néo-fasciste, ou «traditionaliste révolutionnaire», Totalité, créée par des disciples français et italiens de Julius Evola, un article signé Feirefiz, «Les communautés musulmanes d’Europe » 160, dont la conclusion est fort explicite

« La présence de 13 000 000 de musulmans sur le territoire européen - 50 000 000 si nous envisageons la perspective d’une grande Europe de Brest à Vladisvostok - représente une garantie efficace pour le rattachement de notre civilisation à la Tradition. Les organisations initiatiques de l’Islam, vivantes et agissantes dans les Balkans, sont actuellement […] les seuls centres ésotériques dont l’Europe puisse disposer pour sa reconstruction traditionnelle. Leur fonction, dans l’éventualité d’une renaissance spirituelle et politique de l’Europe, est donc irremplaçable l’objectif de la formation d’une élite occidentale (au sens guénonien de l’expression) ne peut faire abstraction du rôle de “pont” que ces confréries peuvent jouer entre l’Occident et les parties de l’Orient restées traditionnelles.»161

Tel est donc le programme métapolitique dessiné par l’idéologue signant Feirefiz : prendre appui sur l’islam, « conservatoire » de la vision traditionnelle de l’ordre social, pour «rectifier» l’évolution du monde moderne; bref, accomplir une islamisation de la modernité. Il importe de prendre en considération la commune fascination éprouvée pour l’islam par ces milieux traditionalistes (« réactionnaires », anti-modernes) et les nouvelles mouvances révolutionnaires (anticapitalistes, anti-mondialisation) qui ont intégré dans leur vision du monde la critique radicale du progrès techno-scientifique telle qu’on la trouve au fondement de la pensée écologique. Les malentendus et les équivoques viennent de ce que, dans l’entre-deux où nous nous situons aujourd’hui, les militants des « nouvelles radicalités » continuent de se présenter ou de s’imaginer comme des «progressistes » (au sens politique du terme) ou comme des membres du « camp progressiste ». Le paradoxe, à visage tragique ou comique selon les situations, est que ces étranges « progressistes » (auto-désignés ou hétéro-désignés) sont de plus en plus souvent des ennemis, déclarés ou non, du « progrès » au sens classique du terme. Voilà une génération montante de « progressistes » anti-progrès ou « anti-progressistes », voire anti-modernes. Certains d’entre eux avouent ne pas ou ne plus croire à la démocratie, laquelle ne serait qu’un paravent de la ploutocratie (thèse soutenue surtout en référence aux États-Unis, conformément à la logique de la diabolisation « anti-impérialiste »). La démonologie politique, fondée sur l’assimilation de la modernité capitaliste/impérialiste au principe du Mal dans l’Histoire ou sur une vision conspirationniste du capitalisme (complot des « maîtres du monde »), exerce pleinement ses effets symboliques à l’extrême droite non moins qu’à l’extrême gauche162.

Le néo-progressiste radical, qui se veut « vigilant », outre le fait qu’il est un pseudo-progressiste (par son « écologisation »), est en réalité un visionnaire : il voit des « racistes », des « sionistes », des « Juifs extrémistes », des « intégristes laïcards », des « islamophobes » et des « réactionnaires » partout, et engage furieusement le combat contre les porteurs supposés de ces abstractions redoutables (rejet, exclusion, stigmatisation, réaction). Illusion narcissique suprême, qui prête à sourire : le conformiste de type nouveau s’imagine « résister » à tout moment, il se prend pour un grand « résistant ». Il résiste à tout, sauf à l’islam o-terrorisme ! Après l’attentat organisé par Al-Qaida à Madrid, le 11 mars 2004 (191 morts, des centaines de blessés), mû par un mélange de peur et de satisfaction (celle de paraître avoir eu raison en dénonçant « Aznar, valet de Bush », il défile avec ses amis, les gauchistes « antiguerre », les « antisionistes » de tous bords et les islamistes, en vociférant contre Bush et Sharon, hurlant « Troupes d’occupation, hors d’Irak ! » 163. Les attaques antioccidentales le réjouissent plus ou moins secrètement, et il s’imagine pouvoir s’en protéger en pactisant avec les islamistes radicaux. Le printemps venant, en France, lorsqu’il est agent du service public, au nom de la préservation des « acquis » 164, il se donne le droit - comme en 2003 et en 2004 - de casser ou de dévaloriser son instrument de travail par la grève permanente et sauvage, mais il exige, pour ces actions « citoyennes », d’être respecté et rémunéré. Erostrate fonctionnaire : personnage comique imprévu.

Notas

158. Sur l’offensive islamiste aux États-Unis, voir Richard Pipes, Militant Islam Reaches America, New York et Londres, W. W. Norton & Company, 2002.
159. Tahir de la Nive, « Demain, quelle Europe? », conférence du 29 juin 2003 (en ligne le 6 juillet 2003 sur le site « nationaliste révolutionnaire et solidariste » : http://www.voxnr.com). Créateur du Centre islamique de défense européenne, le converti Tahir de la Nive-anime la revue Centurio, « dédiée aux traditions militaires de l’Europe ». U a notamment publié un essai à la fois antiaméricain et anti-islamophobe : Les Croisés de l’Oncle Sam. Une réponse européenne à Guillaume Faye et aux islamophobes, préface de Claudio Mutti, postfaces de Tiberio Graziani pet Christian Bouchet, Kildare (Irlande), avatar/éditions, 2003. Sur Claudie.Mutti,’disciple italien de Julius Evola et idéologue islamiste, militant de la droite radicale italienne qui réédita les Protocoles des Sages de Sion en 1976, voir supra, partie III, chap. 6.
160. Feirefiz, « Les communautés musulmanes d’Europe », Totalité, 2e année, n° 8, juillet-août 1979, pp. 59-61. Dans ce même « numéro spécial sur l’Islam et l’Europe » de la revue Totalité, l’on trouve un appel intitulé « Solidarité avec Claudio Mutti ! », dénonçant l’arrestation, le 16 mai 1979, du collaborateur et correspondant de ladite revue en Italie (pp. 12-13). On y trouve cette présentation de Mutti : « […] Principal théoricien de la droite radicale en Italie, militant anti-impérialiste et antisioniste de la première heure, membre fondateur de l’Association Europe-Islam » (p. 13). Il est aussi rappelé que Mutti avait été « victime en 1973 d’une interdiction professionnelle et d’un emprisonnement de six mois à la suite de la création de l’Association Italie-Libye et de la première édition européenne des discours du colonel Kadhafi » (p. 12).
161. Feirefiz, art. cit., p. 61; texte repris en guise d’introduction à la brochure intitulée À la lumière d’Allah ou les conversions à l’Islam, Nancy, Taranis, 1991, [pp. 2-4], p. 4. Sur la quatrième page de couverture l’on peut lire une citation de Nietzsche : « Si l’Islam méprise le christianisme, il a mille fois raison : l’Islam suppose des hommes pleinement virils… » (1888). L’éditeur est un groupe d’extrême droite nancéen (de tendance dite « nationaliste révolutionnaire »), « antisioniste » et propalestinien, qui a également réédité, dans la même série (s.d.), la brochure de Payez A. Sayegh, Le Colonialisme sioniste en Palestine (i’s éd., Beyrouth, O.L.P., Centre de Recherches, avril 1966). Le même groupe a édité quelques autres brochures. Deux d’entre elles rassemblent des textes d’un célèbre théoricien du nationalisme arabe, dont Saddam Hussein a été l’un des disciples : Michel Aflak, Choix de textes du fondateur du Parti Ba’th, vol. 1, 1990, et vol. 2, 1991; une autre brochure est la réédition (sans la moindre précision) du court essai d’un idéologue du fascisme italien : Romolo Sartori, Aperçus sur le corporatisme, 1991 (il s’agit en fait d’une conférence prononcée le 28 février 1934 à Casablanca, originellement publiée, par le Comité de Casablanca de la Société nationale Dante Alighieri, sous le titre Corporatisme d’hier et d’aujourd’hui).
162. Pour le champ nord-américain, voir Mark Fenster, Conspiracy Theories Secrecy and Power in American Culture, Minneapolis, MN, University of Minnesota Press, 1999; Michael Barkun, A Culture of Conspiracy: Apocalyptic Visions in ContemporaryAmerica, Berkeley/Los Angeles/Londres, University of California Press, 2003.
163. Slogan entendu lors de la manifestation « antiguerre » du 20 mars 2004, à Paris.
164. Le journaliste américain Ted Stanger, ironisant sur le narcissisme, l’arrogance et l’esprit de sérieux des intellectuels à la française, vieux ados « enfants de mai 1968 », note : « Dans un dîner, un étranger qui ne sait plus quoi dire peut toujours lancer une petite phrase du genre : “Et les acquis de mai 1968 où sont-ils?” Les invités vont passer le reste de la soirée à s’entre-déchirer. » (Sacrés Français ! Un Américain nous regarde, Paris, Éditions Michalon, 2003, p. 204). Quelques jours avant de battre à mort sa compagne, Marie Trintignant, le chanteur « antifasciste » et « altermondialiste » Bertrand Cantat déclarait dans un entretien accordé au magazine Rock & Folk (« Noir Désir/Zebda », n° 432, août 2003 [paru le 15 juillet], p. 29) : « De tous les côtés, nos valeurs sont attaquées : culture, acquis sociaux. […] Avec Sarkozy, Fillon and Co, on n’est pas dans la notion d’espoir [sic] mais dans le libéralisme dur». Le farouche Cantai avait plus haut prévenu ses contemporains : « […] Ceux qui nous jugent doivent faire attention à ce qu’ils disent, parce qu’on n’hésite pas à sortir les missiles. » (Ibid.) Dans le chapeau de l’interview, on pouvait lire : « La France est en ébullition. Les deux fers de lance du rock jettent de la nitroglycérine sur le brasier revendicatif et présentent le festival Septembre… Ensemble. Noir Désir et Zebda s’expliquent. » Les deux groupes, précise l’interviewer, « se sont retrouvés à plusieurs reprises, [… ] surtout à l’occasion de mobilisations citoyennes, notamment contre l’extrême droite» (ibid.). Le lecteur est rassuré : Mustapha Amokrane et Bertrand Cantat sont de bons garçons. Après le tabassage mortel de Marie Trintignant, certains, parmi les fans de Noir Désir, se sont demandés publiquement comment une telle violence était possible. Joseph Macé-Scaron reformule la question et indique la réponse : « Comment un artiste champion de l’antimondialisation, amateur des idées de José Bové, a-t-il pu en arriver à de telles extrémités? Un bon conseil : qu’ils retournent aux albums du groupe, qu’ils revisualisent ses clips. Ils comprendront. » (« La douleur des femmes », Le Figaro Magazine, n° 18352, 9 août 2003, p. 5).

FONTE: Pierre-André Taguieff. Prêcheurs de haine: traversée de la judéophobie planétaire. Mille et une nuits. Paris. 2004, pp.885-889.

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Agosto 20, 2008

Em defesa de Pio XII

Organizações e personalidades judaicas representativas reconheceram várias vezes oficialmente a sabedoria da diplomacia do Papa Pio XII. Por exemplo, na quinta-feira 7 de Setembro de 1945 Giuseppe Nathan, Comissário da União das Comunidades Israelitas Italianas, declarou:

«Em primeiro lugar dirigimos uma reverente homenagem de reconhecimento ao Sumo Pontífice, aos religiosos e às religiosas que, actuando as directrizes do Santo Padre, não viram nos perseguidos senão irmãos, e com impulso e abnegação prestaram a sua obra inteligente e eficaz para nos socorrer, não tendo medo dos gravíssimos perigos a que se expunham» (L’Osserv. Rom. ed. quot. de 8/9/1945, pág. 2).

No dia 21 de Setembro do mesmo ano, Pio XII recebeu o Dr. A. Leo Kubowitzki, Secretário-Geral do «World Jewish Congress», em audiência para apresentar

«ao Santo Padre, em nome da União das Comunidades Israelitas, os mais sentidos agradecimentos pela obra realizada pela Igreja católica a favor da população judaica em toda a Europa durante a guerra» (L’Osserv. Rom. ed. quot. de 23/9/1945, pág. 1).

Na quinta-feira, 29 de Novembro de 1945, o Papa recebeu cerca de 80 delegados dos refugiados judeus, provenientes dos campos de concentração na Alemanha, que vieram manifestar-lhe

«a suma honra de poder agradecer pessoalmente ao Santo Padre a sua generosidade demonstrada para com eles, perseguidos durante o terrível período do nazifascismo» (L’Osserv. Rom. ed. quot. de 30/11/1945, pág. 1).

Em 1958, por ocasião da morte do Papa Pio XII, Golda Meir enviou uma eloquente mensagem:

«Compartilhamos a tristeza da humanidade… Quando o terrível martírio se abateu sobre o nosso povo, a voz do Papa elevou-se em favor das suas vítimas. A vida do nosso tempo foi enriquecida por uma voz que falou claramente acerca das grandes verdades morais, acima do tumulto do conflito quotidiano. Choramos um grande servidor da paz».

FONTE: Comissão para as relações religiosas com o Judaísmo.Nós recordamos: uma reflexão sobre o Shoah. Nota 16
http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/chrstuni/documents/
rc_pc_chrstuni_doc_16031998_shoah_po.html

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A Igreja condenou o racismo nazista.

Essa condenação apareceu pela primeira vez na pregação de alguns membros do clero [alemão], no ensinamento público dos Bispos católicos e nos escritos de jornalistas católicos. Já em Fevereiro e Março de 1931, o Cardeal Bertram de WrocLaw, o Cardeal Faulhaber e os Bispos da Baviera, os Bispos da Província de Colónia e os da Província de Friburgo publicaram Cartas pastorais que condenavam o nacional-socialismo, com a sua idolatria da raça e do Estado (10). No mesmo ano em que o nacional-socialismo chegou ao poder, em 1933, os famosos sermões do Advento do Cardeal Faulhaber, aos quais assistiram não só católicos, mas também protestantes e judeus, tiveram expressões de claro repúdio da propaganda nazista anti-semítica (11). A seguir à Kristallnacht, Bernard Lichtenberg, prepósito da Catedral de Berlim, elevou orações públicas pelos judeus. Ele morreu depois em Dachau e foi declarado Beato.

Também o Papa Pio XI condenou o racismo nazista de modo solene na Encíclica Mit brennender Sorge (12), que foi lida nas igrejas da Alemanha no Domingo da Paixão de 1937, iniciativa que provocou ataques e sanções contra membros do clero. No dia 6 de Setembro de 1938, ao dirigir-se a um grupo de peregrinos belgas, Pio XI afirmou: «O anti-semitismo é inaceitável. Espiritualmente, todos somos semitas» (13). Pio XII, desde a sua primeira Encíclica Summi Pontificatus (14), de 20 de Outubro de 1939, pôs de sobreaviso contra as teorias que negavam a unidade da raça humana e contra a deificação do Estado, o que ele previa que haveriam de conduzir a uma verdadeira «hora das trevas» (15).

notas

10) Cf. B. STATIEWSKI (Ed.), Akten deutscher Bischöfe über die Lage der Kirche, 1933-1945, vol. I, 1933-1934 (Mainz 1968), Apêndice.
11) Cf. L. VOLK, Der Bayerische Episkopat und der Nationalsozialismus 1930- 1934 (Mainz 1966), pp. 170-174.
12) 14 de Março de 1937: AAS 29 (1937), 145-167.
13) La Documentation Catholique, 29 (1938), col. 1460.
14) AAS 31 (1939), 413-453.
15) Ibid., 449.

FONTE: Comissão para as relações religiosas com o Judaísmo.Nós recordamos: uma reflexão sobre o Shoah.

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Rivalidades e nacionalismos.

Fala um francês: Jules Michelet (1798-1874).

ENTRE TÃO NUMEROSOS, SÓLIDOS E LOUVÁVEIS PREDICADOS, tem o grande povo inglês um vício que lhe põe a perder as qualidades. Esse vício imenso, profundo, é o orgulho. Enfermidade cruel, mas que nem por isso deixa de ser para os ingleses o princípio vital, a explicação das suas contradições, o segredo dos seus atos. Nos ingleses, virtudes e crimes são quase sempre orgulho; os seus ridículos também derivam do orgulho. Esse orgulho prodigiosamente sensível e doloroso os faz sofrer infinitamente; e é ainda orgulho o que os ajuda a ocultar esses sofrimentos; estes, porém, transparecem; o idioma inglês tem dois vocábulos peculiares, dois termos expressivos: “disappointment” e “mortification”. Essa adoração do eu, esse culto interior da criatura por si mesma (…) é a impiedade suprema.

Eis por que, não obstante a seriedade, a honradez aparente, a feição bíblica do espírito inglês, nação alguma está mais longe da graça. O povo britânico é a única nacionalidade que não pôde reivindicar a “Imitação de Cristo”. Um francês podia escrever esse livro, como um alemão, um italiano; um inglês, nunca. De Shakespeare a Milton, de Milton a Byron, a bela e severa literatura inglêsa é céptica, (….) anticristã.

(Jules Michelet. Joana d´Arc. Casa Editora Vecchi Ltda. p.190. S/D).

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Agosto 18, 2008

O problema do método

O chamado mundo moderno apresenta-se com um problema preeminente e quase exclusivo - o do método. Não mais o problema do princípio do saber, que é também, e sobretudo, ontológico-metafísico, mas dele prescindindo até ser relegado entre os não-problemas. O problema do método para conhecer tudo quanto sucede neste mundo, conhecimento cada vez mais limitado às coisas, e aos chamados fatos de experiência, e entendido como meio que tem como finalidade dominar melhor o mundo, finalidade esta, também meio, para construir a Cidade do homem, autosuficiente e fim último dos indivíduos singulares e da história. Operada esta redução do saber e do pensar a método sem princípio, e, por conseguinte, odiando a verdade, até à substituição do princípio pelo método, é inevitável a redução de todos os valores aos práticos, dominadores tirânicos e substitutivos dos outros, do conhecimento a critérios pragmáticos, com fins cada vez mais utilitários, econômicos: é este o caminho, que coincidiu com o gradual obscurecimento da inteligência, que se deu no Ocidente … Desde então - e para todo o Ocidente que se manteve nesta linha - não só a Filosofia foi negada como ciência, mas também foi posta a serviço das ideologias políticas e econômicas, único campo, e poderosíssimo, de toda a atividade humana.

(Miguel Sciacca. El oscurecimiento de la inteligencia, Trad. Juan Ruiz Cuevas, Ed. Gredos, Madrid, 1973, pp. 112 e 113. Citado por D. Odilão Moura em O ente e a essência. Presença. Rio. 1981. p.32).

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Agosto 15, 2008

Assunta

Que grandeza, que qualidades, que virtudes não deveremos nós contemplar nesta Mãe para ser não só Mãe de Deus, mas idônea, competente, congruente e, numa só palavra, digna Mãe de Deus ? Que excelência, que perfeição, que magnificência lhe não deveria convir para esta dignidade ? Cale-se aqui a língua de carne, porque este é assunto que excede ao nosso entendimento, à nossa expressão.

(…)

Ela só confessa que o Onipotente a fez grande: fecit mihi magna qui potens est; mas essa grandeza, qual grandeza seja, deixa-o em silêncio a sua humildade, e a nossa contemplaçao não a compreende. São Jerônimo diz que toda a enchente das graças que teve o Filho, teve, ainda que de outro modo, a Mãe. Enfim, para que nos cansamos? De tantos mil livros que escreveram os Santos Padres, nenhum diz mais do que o livro da geração de Jesus Cristo, em que se compreende todo o louvor e toda a longa história da Santa Virgem nestas brevíssimas palavras: “Maria, da qual nasceu Jesus”.

Mas qual Jesus? O Filho de Deus, o esplendor do Pai, o candor da luz eterna, a honra do Mundo, a formosura do Mundo, o remédio do Mundo; a quem os Anjos sempre desejam ver, e a quem os homens sempre devem seguir. Que mais do que isto podemos dizer da Santa Virgem ? Que foi humilde, que foi pura, que foi santa, que foi cheia de graça e de virtudes ? Que superfluidade ! Por ventura poderia a Mãe de Deus ser soberba, iracunda, impura ou imperfeita ? Que glória, que esplendor, que virtude, que graça e que perfeição lhe não convinha e lhe não seria devida para ser Mãe de Deus? O Homem que dela nasceu foi o mesmo Altíssimo que a fundou; e qual a deveria fabricar o mesmo Artífice, que a elegeu para dela nascer ? Eis aqui o ponto em que vêm a parar os vôos de todas as penas dos Anselmos, dos Fulgêncios, dos Bernardos, dos Idelfonsos, dos Damiãos, e dos Boaventuras.

(Sermão de Nossa Senhora do Carmo, ignoto autor luso do século XVIII)

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Bolsa Família

Huiusce modi oratione habita Marius, postquam plebis animos arrectos videt, propere commeatu, stipendio, armis aliisque utilibus nauis onerat, cum his A. Manlium legatum proficisci iubet. Ipse interea milites scribere, non more maiorum neque ex classibus, sed uti libido cuiusque erat, capite censos plerosque. Id factum alii inopia bonorum, alii per ambitionem consulis memorabant, quod ab eo genere celebratus auctusque erat et homini potentiam quaerenti egentissimus quisque opportunissimus(*) , cui neque sua cara, quippe quae nulla sunt, et omnia cum pretio honesta videntur. Igitur Marius cum aliquanto maiore numero, quam decretum erat, in Africam profectus paucis diebus Vticam aduehitur. Exercitus ei traditur a P. Rutilio legato; nam Metellus conspectum Mari fugerat, ne videret ea, quae audita animus tolerare nequiuerat.

(Salústio, Guerra de Jugurta, 86).

(*) “para quem busca o poder, o mais necessitado é [também] o mais útil”.

Salústio: 86-34 a.C.
Aliás, http://www.thelatinlibrary.com/.

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Agosto 14, 2008

Em Londres, os tribunais islâmicos aplicam a sharia (Magdi Allam).

Em Londres, os tribunais islâmicos aplicam a sharia: milhares de sentenças sobre matrimônio, divórcio e herança. Assim, a religião se torna lei.

Qual de vocês sabe que na Grã-Bretanha há dúzias de tribunais islâmicos que legislam e emitem vereditos baseados na sharia, a lei islâmica? Com juízes e cortes que se reúnem dentro das mesquitas, dos centros islâmicos e das escolas corânicas, que já emitiram dezenas de milhares de sentenças relativas ao estado civil e familiar dos muçulmanos do Reino, principalmente em matéria de matrimônio e divórcio, heranças e disputas patrimoniais? Eis uma inquietante realidade que existe desde 1982.

Uma realidade que é fruto degenerado da ideologia do multiculturalismo que, depois de ter conturbado a sociedade dividindo-a em guetos urbanos, escolares, étnicos e confessionais em conflito com os autóctones (…), permitiu que se criasse um duplo ordenamento jurídico em que a sharia ombreia com lei do Estado e a põe em risco.

O primeiro tribunal islâmico na Grã-Bretanha foi instituído em 1982, em Leyton, a Este de Londres, com o nome de «Conselho da sharia Islâmica». O secretário geral é Suhaib Hasan, membro do Cerf, organismo presidido pelo apologeta do terrorismo islâmico suicida Youssef Qaradawi, líder espiritual e jurídico da Fraternidade Muçulmana na Europa, a quem a Grã-Bretanha negou há pouco o visto de entrada.

Magdi Allam
26 fevereiro de 2008

http://www.corriere.it/cronache/08_febbraio_26/allam_tribunali_islamici_londra_dbb4f5c4-e433-11dc-9486-0003ba99c667.shtml

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Agosto 13, 2008

Divulgação: “O Magistério Vivo da Igreja”.

A Orientação Pastoral “O Magistério Vivo da Igreja”, de Dom Fernando Arêas Rifan, bispo da Igreja católica, oferece ao leitor boas reflexões e ensinamentos acerca de alguns desvios doutrinais em voga. Leia o documento no site da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney - Campos.

Trecho

Certa vez, um grupo de turistas visitava um parque florestal, cheio de caminhos e trilhas, com muitas indicações. Eles seguiam as placas indicativas, mas mesmo assim, como algumas placas nem sempre têm um sentido claro, tiveram dúvidas, acabaram tomando um caminho errado e se perdendo. Felizmente, apareceu um guia que mandou que o seguissem e os conduziu seguramente aonde pretendiam ir.

Por que aqueles caminhantes tiveram dúvidas e se perderam, mesmo olhando as indicações escritas? Porque as placas de indicação não são vivas. Elas não caminham conosco. Há certas ocasiões em que, mesmo com elas, ficamos em dúvida e corremos o risco de nos perdermos. Surgem, então, várias interpretações e, conseqüentemente, divisões e perigos. É preciso um guia vivo, seguro, que caminhe conosco, que resolva as dúvidas que poderão surgir durante a caminhada; um guia, com garantias de segurança, que interprete as placas de sinalização.

Outra comparação. As leis de trânsito dizem que, se houver um policial orientando o tráfego, suas ordens terão preferência sobre os demais dispositivos. Porque pode haver alguma circunstância necessária que exija uma orientação do policial diferente da letra do dispositivo.

Seria um contra-senso e um grande risco se algum turista ou motorista quisesse, apontando para as placas ou sinais, contestar as indicações do guia ou do guarda presentes, que sabem de circunstâncias muitas vezes ignoradas pelos viajantes e que estão ali exatamente para nos guiar e indicar o melhor caminho.

Sumário

I. OBJETIVO DESTA INSTRUÇÃO PASTORAL
II. INTRODUÇÃO – COMPARAÇÕES
III. A INSTITUIÇÃO DO MAGISTÉRIO VIVO
IV. QUE É UM MAGISTÉRIO VIVO?
V. MAGISTÉRIO CONTÍNUO, SEM INTERRUPÇÃO
VI. GARANTIA DA ASSISTÊNCIA DIVINA CONTRA O ERRO
VII. ACATAMENTO DO MAGISTÉRIO MESMO NÃO INFALÍVEL
VIII. O GUIA ORIENTA NAS DIVERSAS CIRCUNSTÂNCIAS
IX. PERIGO DO “MAGISTÉRIO” PARALELO
PRIMEIRA CONSEQUÊNCIA APLICAÇÃO DESSES PRINCÍPIOS TEOLÓGICOS: A QUESTÃO DA MISSA
SEGUNDA CONSEQÜÊNCIA APLICAÇÃO DESSES PRINCÍPIOS TEOLÓGICOS: O CONCÍLIO VATICANO II
XIV. CONCLUSÃO FINAL

NOTAS

Carta dos Padres

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