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Omayr José de Moraes Júnior

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maio 29th, 2009

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Meditação abstrusa e charadística sobre um texto de Carandini

“Explorar mais do que provar. Cientes de nossas limitadas capacidades de percepção, podemos tentar nos aproximar o mais possível do verossímil, evitando atulhar a mente de informações pouco relevantes e dando espaço às diferenças que consideramos mais importantes. Isto implica em escolher as prioridades corn curiosidade e combinar fontes de natureza diversa para alargar o quadro dos fenômenos considerados e para aplicar um controle cruzado nas informações. De fato, existem estratégias piores ou melhores para tentar compreender partes mais ou menos necessárias o todo ue é a coisa em si. Isto nos consente de não sermos pessimistas demais em relação a capacidade que têm as coisas de serem conhecidas (…) podemos sempre descartar, aumentar, melhorar as hipóteses, acrescentando as evidências e evitando que as nossas idéias sobre elas percam a coerência”.

CARANDINI, Andrea – La nascita di Roma. Dei, Lari. eroi e uomini all’alba di uma civiltà. Torino, Einaudi, 1998:6.

História e Arqueologia são duas modalidades de fazer ciência, isto é, de se auferir conhecimento sistemático a partir de algumas hipóteses fundantes. Se esse status de ciência foi quase sempre reconhecido no caso da História, nem sempre o foi no da Arqueologia. Esta, no entanto, na medida em que elaborou e passou a servir-se de método e discurso próprios capazes de produzir conhecimento, decerto se alçou como ciência autônoma cujo escopo, obviamente, não pode se identificar com os meios de que se serve, a saber: os levantamentos de campo e a classificação dos achados. A Arqueologia e a História visam, de fato, à produção de saber partindo de dois tipos de evidência histórica: a evidência literária e a material. Do ponto de vista meramente lógico, a evidência literária e a material podem estar em relação de acordo ou de conflito; em ambos os casos, contudo, são capazes de se iluminar mutuamente. Sob o ponto de vista metodológico, e do mero bom senso, não é possível pensar que algum tipo de evidência, literária ou material, tem a priori mais “valor”. Mas isso nem sempre foi ponto pacífico, pois longa tradição assumia implicitamente que as fontes escritas eram inquestionáveis até que se “provasse” o contrário. É evidente que essa postura confere precedência automática à evidência literária em detrimento da material. Note-se, porém, que se não é possível se falar em superioridade apriorística de um tipo de evidência, isso não quer dizer de modo algum que, nos casos concretos, não se deva atribuir prevalência relativa de algumas evidências sobre as outras. Dá-se apenas que essa prevalência não pode se apresentar à indagação histórica como imposição genérica e extrínseca, mas, antes, deve corresponder às especificidades reconhecíveis no objeto. E isso nada mais é que escalonar as variáveis segundo o grau de transparência ou “legibilidade” que elas são capazes de conferir ao todo. E, se é verdade que um quadro teórico mínimo é necessário a fim de enfeixar o problema, é sobretudo verdade que a proposição das questões deve derivar necessariamente das evidências disponíveis, e não o contrário. Isto é: o modelo não deve encobrir a realidade e polarizar a mente do pesquisador. Cada caso é um caso. Com esta asserção banal quero dizer que modelos rígidos e generalizações são fatais para a investigação: tem-se um “modelo” e a realidade deve se encaixar nele, mesmo que isso se faça a golpes de marreta. De fato, a compreensão do passado – finalidade aliás quase sempre perfectível – se inicia pela proposição das “perguntas certas”, cujas respostas devem nos conduzir a uma região de certeza ou melhor, de verosimilhança, a partir da qual é justo se esperar a conformação de novos saberes oriundos da trama inicial de hipóteses. Sob esse aspecto, a condução do discurso não é arbitrária, mas depende liminarmente das questões levantadas a partir das evidências disponíveis. Ora, a qualificação e o escalonamento das evidências, isto é, saber se os textos e os achados arqueológicos foram corretamente compreendidos, não é tarefa fácil e supõe perspicácia intelectual; os insumos devem ser confrontados cuidadosa e judiciosamente, e isso não se confunde de modo algum com a mera erudição, a qual, de fato, pode saturar a mente do pesquisador fazendo com que a parte se torne maior que o todo, abortando o processo mesmo de identificação das premissas. Essa deliberação é crucial, e dá é o verdadeiro start do processo, pois as conclusões estão de certo modo embutidas nas premissas e valores iniciais.

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 22nd, 2009

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ACÍDIA E CURIOSITAS, por J. Pieper

Há um desejo de ver que perverte o sentido original da visão e leva o próprio homem à desordem. O fim do sentido da vista é a percepção da realidade. A “concupiscência dos olhos”, porém, não quer perceber a realidade, mas ver. Agostinho diz que a avidez dos gulosos não é de saciar-se, mas de comer e saborear; e o mesmo se pode aplicar à curiositas e à “concupiscencia dos olhos”. A preocupação deste ver não é a de apreender e, fazendo-o, penetrar na verdade, mas a de se abandonar ao mundo, como diz Heidegger em seu Ser e tempo. Tomás liga a curiositas à evagatio mentis, “dissipação do espírito”, que considera filha primogênita da acídia. E a acídia é aquela tristeza modorrenta do coração que não se julga capaz de realizar aquilo para que Deus criou o homem. Essa modorra mostra sempre sua face fúnebre, onde quer que o homem tente sacudir a ontológica e essencial nobreza de seu ser como pessoa e suas obrigações e sobretudo a nobreza de sua filiação divina: isto é, quando repudia seu verdadeiro ser! A acídia manifesta-se assim, diz Tomás, primeiramente na “dissipação do espírito” (a sua segunda filha é o desespero e isto é muito elucidativo). A “dissipação do espírito” manifesta-se, por sua vez, na tagarelice, na apetência indomável “de sair da torre do espírito e derramar-se no variado”, numa irrequietação interior, na inconstância da decisão e na volubilidade do caráter e, portanto, na insatisfação insaciável da curiositas.

A perversão da inclinação natural de conhecer em curiositas pode, conseqüentemente, ser algo mais do que uma confusão inofensiva à flor do ser humano. Pode ser o sinal de sua total esterilidade e desenraizamento. Pode significar que o homem perdeu a capacidade de habitar em si próprio; que ele, na fuga de si, avesso e entediado com a aridez de um interior queimado pelo desespero, procura, com angustioso egoísmo, em mil caminhos baldados, aquele bem que só a magnânima serenidade de um coração preparado para o sacrifício, portanto senhor de si, pode alcançar: a plenitude da existência, uma vida inteiramente vivida. E porque não há realmente vida na fonte profunda de sua essência, vai mendigando, como outra vez diz Heidegger, na curiosidade que nada deixa inexplorado”, a garantia de uma fictícia “vida intensamente vivida”.

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Omayr José de Moraes Júnior

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março 18th, 2009

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19 de março, São José.

Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são os grandes favores que Deus me tem feito por intermédio desse bem-aventurado santo, e os perigos de que me tem livrado, tanto do corpo como da alma. A outros santos parece o Senhor ter dado graça para socorrer numa determinada necessidade.

Santa Teresa D´Ávila

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Omayr José de Moraes Júnior

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março 13th, 2009

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Ouviste, ó Virgem, a voz do Anjo.

Ouviste, ó Virgem, a voz do Anjo: conceberás e darás à luz um filho. Ouviste-o dizer que conceberás não de um homem, mas do Espírito Santo. O Anjo espera a tua resposta: é tempo de ele voltar a Deus que o enviou. Também nós, miseravelmente oprimidos por uma sentença de condenação, também nós, Senhora, esperamos a tua palavra de misericórdia. Eis que em tuas mãos está o preço da nossa salvação. Se consentires, seremos libertados. Fomos criados pelo Verbo eterno de Deus, mas vemo-nos agora condenados à morte: tua resposta fará possível nossa recriação. Ó Virgem, cheia de bondade, o triste Adão expulso do paraíso com toda a sua pobre descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Imploram-na todos os patriarcas, teus antepassados, retidos na região das sombras da morte. O mundo inteiro espera tua resposta. E não é sem razão, pois da tua resposta depende a consolação dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, a salvação, enfim, de todos os filhos de Adão. Dá depressa, ó Virgem, teu consentimento. Responde sem demora ao Anjo, ou, melhor, ao Senhor por meio do Anjo (…). Ó Virgem Santa, abre o teu coração à fé, os teus lábios ao consentimento, o teu seio ao Criador. Eis que o Desejado das nações está à tua porta e chama. (…). Levanta-te, corre e abre. Levanta-te pela fé, corre pela devoção, abre pelo consentimento.

“Eis aqui”, ela respondeu ao Anjo, “a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra”.

(São Bernardo, Homilia em louvor da Virgem Mãe, Hom. 4, 8-9 PL 183, 83-84).

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Omayr José de Moraes Júnior

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março 6th, 2009

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Bach, letras e missais

Há certos fatos que passam a habitar no “palácio da memória”, como diz Santo Agostinho, e pode ser interessante, e até mesmo necessário, descobrir o motivo dessa hospedagem. Vejo meu pai entrando em casa com o disco do Magnificat de Bach, e, havendo me proposto saber o motivo dessa recorrência, imagino ter descoberto o sentido de todo o resto. Da fato, o disco não vinha com a “letra”. Meu pai falou-me, então, de um antigo Missal: achado o livro, achei a “letra”; gravei o disco, e o ouvia sempre; folheava o livro, e o lia sempre. Tomei gosto pelo Latim, e passei a achar absurdo que o tivessem abandonado por toda parte, dos bancos escolares aos das igrejas. Numa bela tarde de sexta-feira, pela primeira vez entrei no mosteiro de São Bento, em São Paulo. Os monges cantavam e eu logo reconheci a “letra”, e fiquei ali, surpreso. Era o Magnificat. Na sexta-feira seguinte, voltei; e comecei a voltar todas as sextas-feiras, supondo que o Magnificat era cantado somente às sextas-feiras… Desconfiado da conclusão, perguntei a uma senhorinha se os monges cantavam nos outros dias da semana. Disse-me ela que sim; disse-me, aliás, que eles cantavam o Magnificat todos os dias. A senhorinha era Dona Erna. Alemã miúda de olhos azuis, morreu, centenária, há cinco anos. E Dona Erna era uma convertida, pois nascera luterana, e assim viveu até que D. Beda Nebel, beneditino daquele mosteiro, a devolvesse à Igreja. E Dona Erna ficou devotíssima do Santíssimo Sacramento e da Virgem. Depois de Vésperas, lá estava ela, recolhida aos pés do altar da Virgem. E Dona Erna me contou que, certa vez, quando menina, o pai lhe sussurrou à porta do cemitério de sua cidade natal:

“- Olha, filha, do outro lado do muro é o cemitério dos católicos…”.

Há muros que se prolongam mais além.

* * *

E assim, pelas mãos de meu pai, o Magnificat entrou na minha vida, e, com ele, a Santíssima Virgem e própria Igreja católica. Pois sem aquele disco, talvez não viesse mais nada. No raso de meus treze anos, Cristo e a Igreja católica não constavam em nenhuma parte da minha geografia, nem na do Arqui, o colégio marista de São Paulo. É verdade que os Irmãos ainda andavam por lá, alijados ciosamente do magistério, mas espalhados pelos balcões do colégio: o da papelaria; o da sala de material esportivo; o da burocracia miúda da escola. Não por acaso, os melhores professores eram ex-irmãos maristas que deixaram a congregação por salário e filhos. Os demais viviam ali, longe das aulas, agonizando. Já naquela época, a maldita “associação de pais e mestres” se esmerava em fazer do Arquidiocesano um colégio assepticamente “pluralista”.

Hoje, enfim, Bach é quase uma lembrança. Prefiro Música (mais) Antiga. Bach me parece muito moderno. No Natal, porém, um amigo presenteou-me a obra completa para órgão. Seja como for, embora muito religioso, é claro que Bach não podia ser propriamente “litúrgico”. Pensemos, por exemplo, nas Missas que compôs: falta-lhes a medida – no sentido grego da palavra – falta-lhes, portanto, tudo. Na verdade, Bach não podia entender a Missa; entendendo-a apenas como forma musical, perdera tudo. Não é à-toa, de fato, que Santo Tomás fala de um julgamento por conaturalidade: uma coisa é falar “intelectualmente” sobre a mansidão (sem amá-la ou ao menos praticá-la); outra coisa é ter o hábito da mansidão e falar dela como coisa própria, por certa conaturalidade. É claro que alguém poderia dizer que há uma “liturgia luterana”. Mas, sinceramente, não vou entrar por essa porta, pois, como num cenário, sei que não há nada atrás. E assim como o efeito está de certo modo contido em sua causa, e a esta se assemelha, assim também as igrejas inventadas em gabinete, ou circo, têm muito da tristeza de quem as inventou. E o protestantismo é tristíssimo, uma vez que está privado da Eucaristia, isto é, de Cristo mesmo. E que tristeza! Eis por que, nas denominações protestantes, a piedade sempre degenerou em pietismo e pieguice; e o júbilo, se é possível haver algum, em triunfalismo ou espetáculo.

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Omayr José de Moraes Júnior

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fevereiro 8th, 2009

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Pio XII e o valor do trabalho

29. Sabeis também, veneráveis irmãos, que o glorioso legislador [São Bento] nos ensina ainda – o que é hoje, afinal, geralmente aceite, mas que nem sempre na prática tem tido a aplicação conveniente – a saber: que o trabalho humano, longe de ser desprovido de dignidade, molesto e odioso, é, pelo contrário, uma fonte de alegria, de felicidade e de nobreza. Uma vida operosa, cheia, como se diz, na lide incessante do campo, da oficina ou do estudo, não deprime o espírito, nobilita-o; não escraviza, dá-nos, pelo contrário, a sensação forte da superioridade, do domínio sobre quanto nos rodeia e em que nos ocupamos. Também Jesus Cristo, adentro das paredes da casa paterna, se dignou trabalhar na oficina de seu pai, santificando, deste modo, com seu divino suor, o esforço do homem. Advirtam, pois, todos os que, para ganhar o pão de cada dia, se entregam a faina rude da oficina ou da fábrica, ao labor da pena ou da cátedra, que é nobilíssima a sua condição, que lhes faculta os cômodos duma vida honrada e contribui para o bem-estar da comunidade civil. Façam-no, todavia, como queria o santo Patriarca Bento, com a mente e o coração elevados para o céu, voluntariamente, amorosamente. Façam-no, ainda quando defendem os seus direitos legítimos, não com pesar do bem alheio, em greves e revoltas, mas com paz, com ordem. Recordem-se da sentença do Senhor: “Comerás o pão no suor do teu rosto” (Gn 3,19) e pensem que é preceito para todos de expiação e de obediência.

PIO XII, Papa

CARTA ENCÍCLICA
FULGENS RADIATUR
de 21 de março de 1947
SOBRE O XIV CENTENÁRIO DA MORTE
DE SÃO BENTO PATRIARCA DOS
MONGES DO OCIDENTE

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Omayr José de Moraes Júnior

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fevereiro 4th, 2009

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CROWFORD

Introduction

If a scholar wishes to create a picture of a modern society in all its aspects, there is little of what he needs to know that he cannot find out, although there may still be much that he cannot understand. For the history of Greece and Rome, there is a great deal which is simply unknowable.

Towards the end of the Archaic age of Greece, there devel­oped the writing of works of history which are recognisably the ancestors of those written today; from this point on there is an unbroken sequence of works by Greek and, later, Roman historians down to the end of antiquity. The investigation and characterisation of this historiographical tradition is among the first tasks which face a modern historian of the ancient world. But only a tiny part of what once existed survived the wreck of that world; in addition, the range of interest of historians in antiquity was rather narrow and it was limited, with a few exceptions, to political history; even where their interest was wider, they took for granted much that we wish to know, on economic conditions and even on political insti­tutions. Moreover, there was a general tendency to explain all human actions largely in moral terms.

Much may, of course, also be learned from literary works besides the historical – epic poetry, tragic or comic plays, speeches, philosophical treatises, personal poetry; but many of these works are like histories, the product of a restricted social class and share its limited vision, although they may also be unconsciously revealing of its assumptions and preconcep­tions.

Furthermore, the literary products of the Graeco-Roman world are in varying degrees alien to us and pose considerable problems of interpretation, quite apart from the difficulties caused by overt or covert bias; the inferences which a historian may make on the basis of these texts must be controlled by knowledge of the intellectual traditions from which they spring.

But even if this and other difficulties (notably linguistic) in handling ancient sources are surmounted, the problem remains of how to mitigate the effect of the limited range of interest of ancient authors and of the loss of much of what they did produce. Some help may be derived from the documentary material produced in antiquity, ranging from long texts to tiny seal impressions, material which was the product of officials organising public activities, or heads of families organising their affairs, or individuals leaving their mark on the world. Such material was often inscribed on stone or bronze or other durable substance; much of it has avoided destruction and is indeed being discovered in increasing quantities. In Egypt, because of the dry climate, many documents written on papyrus have survived. These texts, often fragmentary and hard to understand, may nonetheless enormously deepen our knowledge of the ancient world.

Beyond this, the evidence of archaeology and numismatics may also be very relevant; the sites of ancient settlements and the objects excavated there provide a great deal of information on the material culture of Greek and Roman society; coins survive in enormous numbers from about 600 BC onwards and, because they were produced by ancient states and functioned in an economic context, they provide evi­dence of particular significance for an important aspect of the ancient world which is also ill understood.

But even with all the available explicit evidence put to use, there is a long way to go; and in discussing the sources for ancient history it must be remembered that often the most important evidence is that drawn from the well-documented practice of another age or society. The Mediterranean world of the Greek and Roman periods can be seen to resemble Mediterranean societies of a later age, in some areas even of our own, for the lands and their climates have changed little.

In all this, it is important to approach the ancient world with questions and directions of research in mind, since mere accumulation of material or parallels is rarely rewarding. In this context, one can go far beyond the largely moral categories of explanation common in antiquity, though one must always be careful not to impose modern categories or preconceptions on a very alien world. This caution is particu­larly important where our suggested explanation involves the attribution of motives; the thought structure of the ancients was very different from our own.

Above all, one must remember that the ancient world in its various phases was a complex society; it is necessary to learn to think in correlates; an explanation of one event, be it never so ingenious, is of no use if it involves impossible conse­quences elsewhere in the structure.

SOURCES OF ANCIENT HISTORY

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 29th, 2009

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28 de janeiro, Santo Tomás de Aquino

Such a combination of doctrine and piety, of erudition and virtue, of truth and charity, is to be found in an eminent degree in the angelic Doctor and it is not without reason that he has been given the sun for a device; for he both brings the light of learning into the minds of men and fires their hearts and wills with the virtues. God, the Source of all sanctity and wisdom would, therefore, seem to have desired to show in the case of Thomas how each of these qualities assists the other, how the practice of the virtues disposes to the contemplation of truth, and the profound consideration of truth in turn gives luster and perfection to the virtues. For the man of pure and upright life, whose passions are controlled by virtue, is delivered as it were of a heavy burden and can much more easily raise his mind to heavenly things and penetrate more profoundly into the secrets of God, according to the maxim of Thomas himself: “Life comes before learning: for life leads to the knowledge of truth” (Comment. in Matth., v); and if such a man devotes himself to the investigation of the supernatural, he will find a powerful incentive in such a pursuit to lead a perfect life; for the learning of such sublime things, the beauty of which is a ravishing ecstasy, so far from being a solitary or sterile occupation, must be said to be on the contrary most practical.

Encíclica
Studiorum ducem
Pio XI, Papa.

(29 de junho 1923)

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 8th, 2009

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Pe. Leonel Franca S.J.

“Enclausurar-se com exclusivismo feroz nas fronteiras intelectuais da Idade Média fora esquecer bem depressa as lições ouvidas há pouco do Mestre [Santo Tomás]; é próprio da natureza humana chegar, aos poucos, ao conhecimento da verdade; o tempo é bom colaborador; no trabalho dos que nos precederam há sempre material de progresso, ou porque aderimos às ver­dades que descobriram ou porque nos obrigam, para confutá-los, a estu­dos mais profundos e a desenvolvimentos e complementos preciosos; a uns e a outros saberemos ser gratos”.

A história da filosofia na doutrina de Santo Tomás de Aquino, pp. 102-103.

Pe. Leonel Franca S.J. (1893-1948) fundou a PUC-RJ.

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 7th, 2009

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O Universo em Desencanto (*)

A corrente religiosa chamada “Universo em Desencanto”, que já esteve em destaque há algum tempo, vem perdendo projeção desde que seu fundador morreu, em 1991. Como quer que seja, ainda suscita interrogações, as quais pretendemos sanar.

O fundador desta corrente, Manoel Jacintho Coelho – Pai Manoelzinho, dizia ter recebido comunicações de um espírito superior ou da Esfera Racional a respeito da origem do universo e dos melhores meios de prover sadias condições de vida sobre a terra. Tais comunicações foram consignadas por escrito na obra de dez volumes intitulada Universo em Desencanto.

O médium afirmava que o globo terrestre é derivado de um Mundo Racional Superior, tendo no entanto sofrido deformações e a degeneração da natureza. A situação do planeta piorou a partir de 1935, pois o pensamento, até então seu fator de equilíbrio, parou. Antes havia respeito por tudo e por todos e amor ao próximo. Eis, porém, que terminada a “fase do pensamento”, o mundo entrou em convulsão; nele passou a imperar a violência, que vem assombrando até hoje, e cada vez mais, os homens.

É preciso que o ser humano se volte para a cultura de outra esfera ou de outra planície, isto é, para a Cultura Racional ou para o Racional Superior. Só acabaremos com a violência se desenvolvernos o raciocínio, entrando na Fase Racional, que é “o natural da natureza. Terminou a ‘fase do pensamento’ e estamos na ‘fase do raciocínio’, a Fase Racional” (Extraído de folheto volante de propaganda).

Discos voadores transmitem conhecimento

Em síntese, M. J. Coelho entende a evolução do nosso planeta nos seguintes tennos: “O princípio foi de monstros/ De monstros para selvagens/ De selvagens para bicho racional/ De bicho racional para animal racional/ De animal racional para ser humano/ De ser humano para aparelho racional/ De aparelho racional para racional/ De racional passam para o grau de supremacia racional/ E do grau de supremacia racional/ Passam para o racional puro, limpo e perfeito/ No seu verdadeiro mundo de origem” (Jornal Racional, mar/79, 42 capa). É difícil compreender o que cada uma dessas etapas significa e como se diferenciam umas das outras, pois a verbosidade é uma das características predominantes em Universo em Desencanto, que na verdade diz bem pouco de aproveitável.

O Terceiro Milênio deverá ser precisamente a época da Cultura Racional; devemos entrar conscientemente através dos seus pórticos – dever este que é assinalado pelo símbolo típico da capa dos volumes de Universo em Desencanto. A fim de ajudar os homens a dar o passo de entrada no novo milênio, os habitantes de outros planetas têm vindo a este mundo em discos voadores, procurando nos transmitir o conhecimento da Cultura Racional.

Os chamados “discos voadores” são corpos de energia racional; nós somos de outro campo de energia – do eletromagnético. Devemos, portanto, ligar-nos à energia deles para tomarmos conhecimento de sua cultura e entendermos sua linguagem. “A Cultura Racional desvenda todos os fenômenos, todos os mistérios e todos os enigmas, por ser a cultura de um mundo superior ao nosso – o Mundo Racional” (Extraído de folheto volante de propaganda).

Ainda a respeito do assunto, diz M.J. Coelho que não se tratam propriamente de discos voadores, mas de habitantes do Racional Superior que, para poderem ser compreendidos por nós, tomam tal forma.

Pomposidade de vocábulos impressiona leitores

Os folhetos de propaganda da Cultura Racional se referem a muitas curas e benefícios físicos e psíquicos obtidos por pessoas que leram Universo em Desencanto ou procuraram seguir os seus ensinamentos. Notemos ainda que, segundo o seu autor, a obra também revela o verdadeiro Deus: “Só agora, neste século, é que viemos a conhecer quem é Deus, porque até então ninguém conhecia o verdadeiro” (Extraído de folheto volante de propaganda).

Como se vê, a obra em pauta é de índole espírita, uma vez que supõe comunicações mediúnicas feitas ao Astral Inferior pelo Racional Superior. Por conseguinte, é lícito questioná-la, tal como se faz com o espiritismo. Quem hoje estuda com mentalidade científica os fenômenos mediúnicos, sabe que se tratam de fatos parapsicológicos explicáveis pela constituição psíquica do próprio médium, sem qualquer intervenção do “astral”.

As comunicações e revelações atribuídas às entidades do além são apenas a projeção de conhecimentos adquiridos nesta vida mesmo, conhecimentos estes que o médium traz em seu subconsciente ou inconsciente. Combinando de maneira livre e fantástica tais dados e os apresentando como mensagens do além, o médium pode até estar procedendo de boa fé, o que parece acontecer no caso das sessões espíritas e umbandistas. Isso, porém, não significa que ele esteja interpretando autenticamente os fenômenos em pauta.

A coleção Universo em Desencanto se caracteriza pela pomposidade e grandiosidade de suas perspectivas e vocábulos. Isso chega a impressionar os leitores mais desavisados. Todavia, aquele que examina com um pouco de senso crítico seu conteúdo, verifica que as concepções apresentadas na obra são confusas e as palavras pouco ou nada dizem de concreto. Os dez volumes da série parecem se perder em divagações fantásticas, pouco controladas pela razão e pela lógica.

As curas e os portentos atribuídos pelo médium M. J. Coelho e seus seguidores à leitura de Universo em Desencanto não precisam ser explicadas por intervenções do além ou pela emanação da energia poderosa contida nos ditos livros. O poder da sugestão e as forças psíquicas do ser humano já são suficientes para elucidar os casos apresentados e dar conta dos benefícios recebidos. Sabe-se que pessoas psiquicamente bloqueadas podem finalmente se desbloquear, caso acreditem que uma força superior há de socorrê-las em dado momento.

É válido o princípio seguinte: todos os fenômenos que admitam explicação científica ou filosófica devem ser explicados por tal via, ficando então excluídas, por desnecessárias, as explicações por intervenções extraordinárias do além. Observando-se tal norma, preserva-se de corruptela a autêntica fé e se distingue de crendices o genuíno ato de crer.

(*) Bettencourt, Estêvão. Crenças, religiões, igrejas e seitas: quem são ? Ed. O mensageiro de Santo Antônio, Santo André-SP, 1995, pp.124-126.