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Omayr José de Moraes Júnior

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julho 31st, 2009

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Sobre a crise financeira mundial (1)

“Visto que ninguém é superior às leis do Criador onipotente, não é permitido à alma deixar de restituir aquilo que deve: ou restitui usando bem aquilo que recebeu, ou restitui perdendo o que não quis usar bem. Logo, se não restitui praticando a justiça, restituirá padecendo o infortúnio; num e noutro caso ouve-se essa palavra: dívida. Realmente, o que se disse poderia ser expresso dessa maneira: quem não restituir fazendo o que deve, restituirá padecendo o que deve.” (Agostinho, De libero arbitrio III, 15, 44: PL32, 1293)

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Omayr José de Moraes Júnior

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julho 28th, 2009

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Honra e ambição

Como diz o Filósofo (Eth. 1 c.5 n.4: BK 1095b24), a honra não é o prêmio da virtude (…), mas os homens a tributam como prêmio, como que não tendo algo maior a oferecer. Porém, o prêmio autêntico da virtude é a própria felicidade, em vista da qual os virtuosos agem: caso se esforçassem pela honra, não haveria virtude, mas sobretudo ambição.

Tomás de Aquino, Suma de Teologia I-II, q.2, a.2 ad 1

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Omayr José de Moraes Júnior

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julho 27th, 2009

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Desespero e acídia

Do ponto de vista psicológico, o desespero é um dos males mais perigosos, pois, em casos extremos, leva ao suicídio. Esconde-se nisso a recusa, o abandono ou o falseamento de um bem divino, que é a misericórdia. O desespero pode nascer da acídia (S.Th. II-II, q.35, a.4 ad2), que é um tipo especial de tristeza que se opõe diretamente à alegria espiritual, e acaba por extingui-la lançando a alma na indiferença ou mesmo na detestação dos bens sobrenaturais. Se é verdade que a acídia tem mesmo algo de “depressão”, tal como a entendemos hoje, no entanto é erroneamente confundida com a preguiça; por sê-lo, procuram-lhe o remédio errado: a multiplicação das atividades exteriores (ativismo). Não obstante isso, é bem verdade que a acídia encerra um forte elemento de negligência. Além do desespero, a acídia dá à luz mais cinco rebentos: pusilanimidade, torpor, rancor, malícia e divagação da mente (S.Th. II-II, q.35, a.4 ad2 et ad3).

S.Th. Suma de Teologia, Tomás de Aquino (1225-1274)

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Omayr José de Moraes Júnior

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julho 22nd, 2009

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Um costume dos primórdios

No primórdios da Igreja, os bispos eram eleitos não somente pelo clero local, mas também pelo povo. Com o passar do tempo, o costume desapareceu por motivos que todos podemos ponderar. No entanto, enquanto durou, logo após a eleição canônica, o novo bispo era solenemente apresentado ao clero e ao povo de sua diocese. Esse costume perdura no caso da eleição do bispo de Roma. Veja aqui , a partir de 00:48 s, a magnífica apresentação do Santo Padre ao clero e ao povo de Roma.

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Omayr José de Moraes Júnior

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julho 21st, 2009

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O verdadeiro fundamento das verdadeiras virtudes

Fruto da temperança (S.Th. II-II, q.161, a.4) e do temor, a humildade tem por fundamento dois elementos principais: a verdade e a justiça. Ato interior pelo qual alguém se reconhece realmente entre os últimos e menores (idem, a.1 ad1), essa virtude supõe não somente a sujeição a Deus, mas também a todos os próximos por causa de Deus, per humilitatem debemus nos subiicere omnibus proximis propter Deum (idem, a.3 ad1). Por aí é que podemos entender o parentesco da humildade com as virtudes teologais (fé, esperança e caridade). De fato, embora não seja a maior das virtudes, pois as virtudes teologais a superam, a humildade é o alicerce de todo edifício espiritual, porque, sem ela, é impossível a infusão da graça, uma vez que “Deus resiste aos soberbos” (Tg 4,6). Descoberta cristã por excelência, não surpreende muito, como bem o notou Tomás, que Aristóteles sequer conte a humildade entre as virtudes (ibid.., a.1 arg.5). Com fineza psicológica, e revelando algo de si próprio, Aquino nos diz que, aos humildes, nada é mais desconcertante que o elogio de suas qualidades (S.Th. III, q.30, a.4 ad1). Citando São Bernardo (De Grad. Humil. et Superb. X ss.), Tomás enumera os doze graus da humildade apresentando-nos, ao mesmo tempo, os seus contrários (S.Th. II-II, q.162, a.4 ad4).

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Omayr José de Moraes Júnior

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julho 20th, 2009

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Reverência e temor

De três modos podemos reverenciar alguém: a) em razão da graça, b) da virtude, c) ou “ao menos como imagem natural de Deus” (S.Th. II-II, q.19, a.3 ad1). Nesse último sentido, “a reverência que tributamos ao próximo, enquanto imagem de Deus, redunda de certo modo para o próprio Deus” (idem, q.103, a.3 ad3). A mútua reverência é como que uma necessidade, pois em qualquer pessoa encontra-se algo pelo qual podemos considerá-la superior a nós; por isso, “todos devem se antecipar mutuamente pela honra” (idem, q.103, a.2 ad3). A reverência é fruto do dom do temor; ela nos leva à humildade até mesmo diante de quem se encontra em estado de miséria (material ou moral), pois não é de todo improvável que essa pessoa tenha virtudes que não temos, ou não tenha os defeitos que nos afligem, ou, quem sabe?, ambas as vantagens. Podemos pensar, além disso, que, se tivesse usufruído das mesmas facilidades ou benefícios que recebemos, teria produzido frutos muito melhores.

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Omayr José de Moraes Júnior

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julho 17th, 2009

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Um vício anti-social

A soberba é o desejo desordenado de excelência pessoal, inordinatus appetitus propriae excellentiae (S.Th. II-II, q.162, a.2 c). Ela não é classificada como vício capital, porque é a raiz universal de todos eles (S.Th. idem, a.8 ad3). Essa desordem nasce de um falso julgamento: o soberbo acha que vale mais do que é; tal julgamento supõe, é claro, o desprezo das virtudes e o exagero dos defeitos alheios: a soberba é maximamente anti-social. Mãe, raiz e princípio de todos os vícios e pecados, “quando a rainha dos vícios, a soberba, se assenhora completamente do coração, ela logo o entrega aos sete vícios capitais, que são como que capitães de um exército de devastação” (S.Th. idem, a.8 c). Santo Tomás indica quatro manifestações principais da soberba: a) atribuir a si os bens que recebeu de Deus; b) imaginar que tais bens lhe são devidos; c) desejar ser tido como único possuidor desses bens; d) jactar-se de bens que não possui.

S.Th. = Suma de Teologia de Tomás de Aquino.

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Omayr José de Moraes Júnior

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julho 14th, 2009

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“LITTLE GIDDING”, (T.S. Eliot)

(I)

Midwinter spring is its own season
Sempiternal though sodden towards sundown,
Suspended in time, between pole and tropic.
When the short day is brightest, with frost and fire,
The brief sun flames the ice, on pond and ditches,
In windless cold that is the heart’s heat,
Reflecting in a watery mirror
A glare that is blindness in the early afternoon.
And glow more intense than blaze of branch, or brazier,
Stirs the dumb spirit: no wind, but pentecostal fire
In the dark time of the year.
Between melting and freezing
The soul’s sap quivers.
There is no earth smell
Or smell of living thing.
This is the spring time
But not in time’s covenant.
Now the hedgerow
Is blanched for an hour with transitory blossom
Of snow, a bloom more sudden
Than that of summer, neither budding nor fading,
Not in the scheme of generation.
Where is the summer, the unimaginable Zero summer?

If you came this way,
Taking the route you would be likely to take
From the place you would be likely to come from,
If you came this way in may time, you would find the hedges
White again, in May, with voluptuary sweetness.
It would be the same at the end of the journey,
If you came at night like a broken king,
If you came by day not knowing what you came for,
It would be the same, when you leave the rough road
And turn behind the pig-sty to the dull façade
And the tombstone.
And what you thought you came for Is only a shell, a husk of meaning
From which the purpose breaks only when it is fulfilled If at all.
Either you had no purpose
Or the purpose is beyond the end you figured
And is altered in fulfilment.
There are other places
Which also are the world’s end, some at the sea jaws,
Or over a dark lake, in a desert or a city
- But this is the nearest, in place and time,
Now and in England.
If you came this way,
Taking any route, starting from anywhere,
At any time or at any season,
It would always be the same: you would have to put off
Sense and notion.
You are not here to verify,
Instruct yourself, or inform curiosity

Or carry report.
You are here to kneel
Where prayer has been valid.
And prayer is more
Than an order of words, the conscious occupation
Of the praying mind, or the sound of the voice praying.
And what the dead had no speech for, when living,
They can tell you, being dead: the communication
Of the dead is tongued with fire beyond the language of the living.
Here, the intersection of the timeless moment
Is England and nowhere.
Never and always.

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Omayr José de Moraes Júnior

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julho 1st, 2009

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Sobre o livre-arbítrio

De coisas idênticas pode uma pessoa usar mal, e outra bem: a que usa mal, está presa às mesmas coisas pelo amor [ desordenado], e nelas se embaraça, submetendo-se àquilo que lhe devia estar submetido (…); a que usa retamente das coisas, mostra na verdade, que estas são boas (…), não estando a elas presas pelo amor, nem fazendo dessas realidades como que membros do seu espírito, como acontece no amor (…), mas elevando-se acima dessas coisas, está pronta não só a possuí-las e dirigi-las, como também a perdê-las e não possuí-las. Sendo assim, achas por ventura que a prata e ouro devem ser incriminados por causa dos avaros, ou os alimentos por causa dos glutões, ou o vinho por causa dos ébrios, ou as formas femininas por causa dos prostibulários e adúlteros, e assim, outras coisas? Isto, pois, considera, sobretudo ao veres o médico que usa bem do fogo, e o envenenador que usa criminosamente de um pedaço de pão.

Santo Agostinho
De libero arb., I, 15, 33