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Omayr José de Moraes Júnior

Date

junho 5th, 2009

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César e os seus: “Caesari omnia uno tempore erant agenda”

20. César devia fazer tudo isso ao mesmo tempo: devia arvorar o estandarte que era o sinal de quando era necessário correr às armas, devia dar o sinal com a trombeta, devia fazer voltar os soldados do trabalho, devia chamar os que tinham ido mais longe para buscar o material para a construção das trincheiras, devia formar o exército em ordem de batalha, devia exortar os soldados, devia dar o sinal (do ataque). A brevidade do tempo e o avanço dos inimigos impediam grande parte destas coisas. Duas coisas eram de auxílio nestas dificuldades: a perícia (=a instrução teórica) e a experiência dos soldados, porque, adestrados nos combates anteriores, podiam não menos bem eles mesmos determinar por si o que era necessário fazer, do que ser ensinados por outros, e porque Cesar proibira a cada um dos lugar-tenentes afastar-se dos trabalhos e de cada legião senão depois de fortificado o campo. Estes, por causa da aproximação e da rapidez dos inimigos, não esperavam mais o comando de Cesar, mas tomavam decisões que pareciam oportunas.

21. César, tendo mandado só as coisas indispensáveis, correu a animar os soldados daquela parte (…). Depois de ter exortado os soldados com um discurso não mais longo do que (necessário para dizer) que guardassem a lembrança do seu antigo valor, e não perdessem o ânimo e sustentassem corajosamente o choque dos inimigos, deu sinal de travar combate, visto como os inimigos não estavam mais longe do que (o espaço) até aonde se podia atirar um dardo. E tendo-se dirigido para a outra parte para também animar (os soldados) encontrou-os que (já) combatendo. A escassez de tempo foi tão grande e o ânimo dos inimigos tão disposto a combater, que não só faltou o tempo para acomodar as insígnias, mas ainda para pôr os capacetes e tirar aos escudos suas capas. Cada um se deteve na posição à qual chegou casualmente (vindo) do trabalho e sob os primeiros estandartes que viu, para que buscando os seus, não perdesse a ocasião de combater.

[19] Caesari omnia uno tempore erant agenda: vexillum proponendum, quod erat insigne, cum ad arma concurri oporteret; signum tuba dandum; ab opere revocandi milites; qui paulo longius aggeris petendi causa processerant arcessendi; acies instruenda; milites cohortandi; signum dandum. Quarum rerum magnam partem temporis brevitas et incursus hostium impediebat. [2] His difficultatibus duae res erant subsidio, scientia atque usus militum, quod superioribus proeliis exercitati quid fieri oporteret non minus commode ipsi sibi praescribere quam ab aliis doceri poterant, et quod ab opere singulisque legionibus singulos legatos Caesar discedere nisi munitis castris vetuerat. [3] Hi propter propinquitatem et celeritatem hostium nihil iam Caesaris imperium expectabant, sed per se quae videbantur administrabant.

[20] Caesar, necessariis rebus imperatis, ad cohortandos milites, quam [in] partem fors obtulit, decucurrit et ad legionem decimam devenit. [2] Milites non longiore oratione cohortatus quam uti suae pristinae virtutis memoriam retinerent neu perturbarentur animo hostiumque impetum fortiter sustinerent, [3] quod non longius hostes aberant quam quo telum adigi posset, proelii committendi signum dedit. [4] Atque in alteram item cohortandi causa profectus pugnantibus occurrit. [5] Temporis tanta fuit exiguitas hostiumque tam paratus ad dimicandum animus ut non modo ad insignia accommodanda sed etiam ad galeas induendas scutisque tegimenta detrahenda tempus defuerit. [6] Quam quisque ab opere in partem casu devenit quaeque prima signa conspexit, ad haec constitit, ne in quaerendis suis pugnandi tempus dimitteret.

C. IULI CAESARIS
DE BELLO GALLICO
COMMENTARIUS SECUNDUS

Tradução: Pe. Ravizza

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