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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 29th, 2009

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Pieper, sobre a (boa) ira

É absolutamente sem razão que na linguagem corrente os conceitos de sentidos, paixão, concupiscência sejam compreendidos como sensualidade, paixão má e concupiscência desordenada. Limitações como estas, de um significado originalmente muito mais amplo, esquecem o mais importante, isto é, que todos estes conceitos não possuem apenas um sentido negativo, mas que, muito pelo contrário, estão neles representadas forças das quais a natureza humana essencialmente se estrutura e vive.

A consciência comum cristã costuma, sempre que se fala de ira, ter em mente apenas o aspecto da intemperança, o elemento desordenador e negativo. Mas tanto como os sentidos e a concupiscência, a ira pertence às máximas potencialidades da natureza humana. Essa força, isto é, irar-se, é a expressão mais clara da energia da natureza humana. Conseguir uma coisa difícil de alcançar, superar uma contrariedade: eis a função desse apetite sempre pronto a entrar em campo quando um bonum arduum, um bem difícil deva ser conquistado. Daí que Tomás afirme: A ira foi dada aos seres dotados de vida animal para que removam os obstáculos que inibem o apetite concupiscível de tender aos seus objetivos, seja por causa da dificuldade de alcançar um bem, seja pela dificuldade de superar um mal (I-II, 23, 1 ad 1). A ira é a força que permite atacar um mal adverso (I-II, 23, 3); a força da ira é a autêntica força de defesa e de resistência da alma (I, 81, 2).

Portanto, condenar o apetite irascível, como se fosse intrinsecamente mau e devesse ser reprimido, equivale a condenar os sentidos, a paixão e a concupiscência; nos dois casos se ultrajam as maiores energias da nossa natureza, ofende-se o Criador que, como diz a liturgia da Igreja: “estruturou maravilhosamente a dignidade da natureza humana.”

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 28th, 2009

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Armas de outrora

Adubamento

Ouvi, Senhor, nós vo-lo pedimos, as nossas orações, e que a destra da vossa majestade abençoe essa espada da qual vosso servo deseja ser cingido, a fim de ser o defensor das igrejas, das viúvas, dos órfãos e de todos os vossos filhos contra a sevícia dos infiéis. Que vosso servo seja o temor e o terror de todos os que armam insídias, e que saiba defender-se deles com justiça e combatê-los com eqüidade. Por Cristo Senhor nosso.

Senhor Santo, Pai onipotente, eterno Deus, pela invocação do vosso nome, pela vinda de Cristo vosso Filho e Senhor nosso e pelo dom do Espírito Santo, abençoai esta espada com que vosso servo será cingido, por vossa piedade, a fim de que lance por terra e humilhe seus inimigos visíveis e invisíveis, e permaneça sempre ileso até a vitória. Por Cristo Senhor nosso.

O prior asperge a espada e a seguir tange as espáduas nuas do Cavaleiro, dizendo:

Recebe essa espada santa em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. A fim de que a empregues em tua defesa e em defesa da Santa Igreja de Deus e confusão dos inimigos da cruz de Cristo e da fé cristã: e, na medida em que for possível à fraqueza humana, nunca a uses para ferir injustamente a quem quer que seja. Que isso te conceda Cristo, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

A seguir, o prior coloca a espada na bainha e diz:

Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, cinge-te [diz-se o nome do Cavaleiro] da tua espada sobre teu flanco corajosíssimo, e lembra-te de que os santos venceram os reinos pela fé, e não pela espada. Amém.

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 27th, 2009

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Santo Agostinho, Sermão 46, 1-2

Não é de agora que vossa caridade sabe que nossa esperança está toda em Cristo e que nossa verda­deira glória de salvação é ele. Sois do rebanho daque­le que guarda e apascenta Israel. No entanto, há pastores que apreciam este nome, mas não querem exercer seu ofício. Vejamos o que a seu respeito diz o Profeta. Escutai vós com atenção; escutemos nós com temor.

“Foi-me dirigida a palavra do Senhor que dizia: Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel e dize-lhes”.

Acabamos de ouvir a leitura deste trecho; resolvemos então falar-vos algo. O Senhor nos aju­dará a dizer a verdade, se não dissermos o que vem de nós. Pois se disséssemos o que vem de nós, sería­mos pastores a nos apascentar a nós, não às ovelhas; se, ao contrário, falarmos sobre ele, é ele que vos apascenta por intermédio de quem quer que seja. Assim diz o Senhor Deus: “Ó pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Acaso não são as ovelhas que os pastores têm de apascentar?” quer dizer, os pastores apascentam ovelhas, não a si mesmos. É este o primeiro motivo de repreensão a tais pastores, que apascentam a si e não às ovelhas. Quem são estes que se apascentam?

O Apóstolo diz:

“Todos procuram seu interesse, não o de Jesus Cristo”.

Quanto a nós, a quem o Senhor, por sua benevolên­cia e não por mérito nosso, estabeleceu neste cargo de que teremos difíceis contas a dar, devemos distin­guir bem duas coisas: a primeira, somos cristãos; a outra, somos bispos. Somos cristãos por nossa causa; e somos bispos, pela vossa. Como cristãos, atende­mos a nosso proveito; como bispos, somente ao vosso.

E são muitos os cristãos não bispos que vão a Deus por caminho mais fácil talvez, e andam com tanto mais desembaraço quanto menos peso carregam. Nós, porém, além de cristãos, tendo de prestar contas a Deus de nossa vida, somos também bispos e tere­mos de responder a Deus por nossa administração.

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 26th, 2009

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Hoje: canonização de Nuno Álvares Pereira (1360 – 1431)

Nun`Álvares Pereira por Fernando Pessoa

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é, que erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.
`Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!

In: Mensagem

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 25th, 2009

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Pio XI, Studiorum ducem, 29.6.1923

Efetivamente, a verdadeira ciência e a piedade – essa companheira de todas as virtudes – estão unidas por uma espécie de admirável parentesco. Deus é, simultáneamente, a verdade e a bondade; não bastaria, pois, para alcançar a glória de Deus pela salvação das almas – tarefa própria e fundamental da Igreja – que os seus ministros fossem bem formados na ordem do conhecimento se não possuíssem abundantemente as virtudes adequadas. Essa união da ciência com a piedade, da erudição com a virtude, da verdade com a caridade, nota-se particularmente no Doutor Angélico; e com justiça se lhe deu como emblema o sol, porque além de trazer aos espíritos a luz da ciência, acende também o fogo da virtude nos corações. Deus, origem, de toda a santidade e de toda a sabedoria, parece ter querido mostrar, em Tomás, quanto elas se ajudam entre si: a prática das virtudes prepara à contemplação da verdade e, em contrapartida, uma análise mais subtil da verdade aperfeiçoa as virtudes e serve-lhes de complemento.

(…)

De tal maneira aprovamos os grandes louvores erguidos a este génio divino que pensamos não dever ser Tomás apenas chamado o Doutor Angélico, mas o Doutor Comum ou Universal da Igreja, pois a Igreja, como o atestam numerosos documentos, fez sua a sua doutrina. Mas como não acabaríamos mais se quiséssemos reproduzir aqui todo o pensamento dos Nossos Predecessores a tal respeito, contentamo-nos em acentuar apenas que foi animado pelo ardor sobrenatural, do qual vivia, que Tomás escreveu e que os seus escritos, onde se acham todos os princípios e leis das ciências sagradas, têm, é justo dizê-lo, caráter universal.

De fato, quer trate das coisas divinas pela palavra ou pela pena, Tomás dá aos teólogos exemplo magnífico dos laços que devem unir a vida espiritual ao estudo. Não conhece bem uma região longínqua aquele que tenha só lido a sua descrição, por mais erudita, mas aquele que alguma vez ali tenha vivido; igualmente, ninguém atinge pela mera pesquisa científica um conhecimento íntimo de Deus; necessita ainda de uma vida de estreita união com Deus. Eis ao que tende a teologia de Santo Tomás: a fazer-nos viver com Deus intimamente. Em criança, no Monte-Cassino, Tomás não cessava de interrogar: -«Que é Deus?» Todos os livros que compôs, sobre a criação do mundo, sobre o homem, sobre as leis, sobre as virtudes, sobre os sacramentos, todos tratam de Deus, autor da salvação eterna.

(…)

Assim como outrora, aos Egípcios a braços com uma penúria extrema, foi dito: – «Ide a José», para lhe pedir o pão necessário ao alimento dos corpos, também hoje, a todos que andam à procura da verdade, Nós dizemos:-«Ide a Tomás». Solicitar-lhe-ão, para a vida eterna das suas almas, o alimento da sã doutrina que possui em abundância. E, quando se tratou de inscrever Tomás entre os celestes bem-aventurados, foi atestado sob juramento que esse alimento estava sempre pronto e ao alcance de todos. «Sob o signo de tão lúcido e claro ensino, brilharam muitos mestres religiosos e seculares, por causa do seu método conciso, límpido e fácil… Mesmo os leigos e os espíritos timoratos quiseram possuir os seus escritos».

(…)

Desejamos que se estabeleça entre os amigos de Santo Tomás – e devem sê-lo todos os filhos da Igreja consagrados aos estudos superiores – essa honesta emulação que, dentro de uma honesta liberdade, faça progredir os seus trabalhos; mas que não haja ataques agressivos que de nenhum proveito seriam à Verdade e só serviriam para relaxar os laços da caridade. Que para cada um deles seja sagrada a prescrição do Direito Canónico: – «Os professores devem tratar os estudos de filosofia racional e de teologia e a formação dos alunos nestas ciências segundo o método, a doutrina e os princípios do Doutor Angélico e neles conservar-se religiosamente» (Canon 1366, §) 2.).

Que observem pois esta regra, de tal sorte que o possam chamar verdadeiramente seu mestre. Mas que não exijam mais um dos outros do que exige de todos a Igreja, senhora e mestra de todos eles. Porque nas questões sobre as quais, em escolas católicas, os autores mais estimados divirjam, ninguém está impedido de seguir a opinião que lhe pareça mais verosímil.

Tradução de João Ameal

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 24th, 2009

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RESPOSTA A LEONARDO BOFF, por D. Estêvão Bettencourt OSB

O ex-frade franciscano Leonardo Boff tem-se pronunciado amargamente, na imprensa, contra a Igreja e seus artigos de fé e disciplina, causando sur­presa e perplexidade em muitos leitores. O povo de Deus tem pedido esclarecimentos acerca dos pon­tos abordados por esse pensador. Não seria lícito deixar de atender a essa demanda dos fiéis católicos desejosos de saber afinal o que ensina a Igreja sobre tais questões: Eis por que oferecemos este opúsculo no intuito de dissipar dúvidas e equívocos a respeito da doutrina da Igreja. Teremos em mira uma das mais expressivas entrevistas de L. Boff publicada pelo periódico PASQUIM, de 02/04/02, cobrindo quatro pá­ginas desse jornal.

1. Sexo e celibato

O primeiro tema explanado (aliás longamente explanado) refere-se a sexo e celibato.

Boff: “O Catolicismo sempre entendeu a se­xualidade sob o âmbito do proibido, do perigoso e do pecaminoso”.

Resposta: A Igreja sabe que Deus criou o homem e a mulher para que se complementem mu­tuamente tanto no plano espiritual como no corpo­ral. O Senhor abençoou a união matrimonial desde o início (cf. Gn 1,28); Cristo elevou-a à dignidade de sacramento, de modo que o lar cristão deve ser uma “igreja doméstica”. Quem tem a vocação, ma­trimonial, é chamado a ser santo vivendo o seu casamento. E houve – como também há – muitos santos casados; em outubro 2001 o Papa João Paulo II beatificou um casal como casal: Luigi e Maria Beltrame. Os pais de Santa Teresinha estão em processo de Beatificação.

Acontece, porém, que o instinto sexual é par­ticularmente forte, provocando estupros, adultéri­os, engravidamento de meninas… Estes fatos ine­gáveis e cada vez mais freqüentes obrigam a sã pedagogia a acautelar os jovens contra os exces­sos do impulso sexual, que podem bestializar o ser humano. Feita esta observação, continua a afirma­ção de que o ato sexual efetuado dentro do matri­mônio segundo a lei natural (que é a lei do Criador) é algo de plenamente justificado.

Boff: “A Igreja lê de forma moral as proibições meramente rituais do Antigo Testamento”.

Resposta: L. Boff, que foi professor de Teo­logia, deve saber muito bem que a Igreja distingue o plano meramente ritual do plano moral: a Moral católica reconhece que as impurezas rituais do Antigo Testamento (ejaculação espontânea, mens­truação) não eram pecaminosas.

Boff: “A Igreja é uma instância de profunda desumanização do ser humano.

Resposta: Basta considerar a história para encontrar clamoroso desmentido de tal afirmação. Com efeito; até época recente a Igreja era a gran­de mantenedora dos hospitais, asilos, orfanatos, que, em grande parte, eram dirigidos por celibatári­os e celibatárias; tenham-se em vista São Vicente de Paulo, São João Bosco, Dom Orione, Santa Luisa de Marillac, Santa Ângela Merici, Madre Te­resa de Calcuttá, Irmã Dulce… O celibato favorece a dedicação enternecida ao próximo carente sem depender de esposo(a) e filhos. A continência se­xual não é uma castração, mas uma harmonização dos sentimentos e afetos, que permite mais pura e desinteressada entrega a Deus e ao próximo.

Boff: “A Igreja impõe o celibato por razões de propriedade, porque a pessoa celibatária não tem que dividir, não tem que deixar herança”.

Resposta: Tal é a explicação socialista do ce­libato; não é a genuína. São Paulo recomenda a vida una ou indivisa porque permite ao cristão con­centrar-se mais nos interesses do Reino de Deus, que já começou a se implantar pela vinda de Cris­to; ver 1 Cor 7,25-35. Conscientes disto, muitos clé­rigos foram espontaneamente adotando o celibato. Somente no século IV (307 aproximadamente) o Concílio regional de Elvira (Espanha) legislou a res­peito. Outros Concílios regionais fizeram o mesmo até o Concílio geral do Latrão II (1139), que esten­deu à Igreja inteira a lei do celibato’. O celibato é o testemunho de que alguém se pode realizar plena­mente procurando, tanto quanto possível, somente os valores eternos. Quando o Senhor dá a voca­ção para o sacerdócio, dá também o carisma do celibato.

L. Boff engana-se ao afirmar que a lei do celibato para toda a Igreja só foi promulgada pelo Concílio de Trento (1545­1563).

Boff: “Para impedir o acesso ao sexo, a igre­ja sataniza o prazer: É o demônio!’. Então o Cristi­anismo torna-se a religião da tristeza”.

Resposta: A igreja não é contrária ao pra­zer; ela o abençoa quando desfrutado segundo as leis de Deus, também por ocasião das relações sexuais. Há, porém, dois tipos de prazer: o carnal e o espiritual; este último consiste em usufruir da união com Deus, que já o Batismo propicia, fazen­do do cristão o templo de Deus (cf. 1 Cor 6,19; Jo 14,23). Quem descobre o deleite da vida espiritual, abstém-se espontaneamente de prazeres carnais, como aliás diz o Senhor em Mt 19,12: “Há eunucos que se fizeram tais por amor do reino dos céus”.

Religião de tristeza? – Jamais o Cristianismo foi tal. Diz-se em linguagem popular: “Um Santo tris­te é um triste Santo”. Pondere-se o cultivo das ar­tes, especialmente o da música e o do canto, por parte dos cristãos através dos séculos. A verda­deira alegria não está em satisfazer a todos os im­pulsos; ela só pode resultar do autocontrole que promova a harmonia da pessoa e de sua’ conduta.

Boff e seus entrevistadores pleiteiam a aboli­ção do celibato como remédio para os desvios registrados em clérigos. – Tal, porém, não seria a solução, pois também as pessoas casadas come­tem escândalos sexuais; seja citado, entre outros, o caso do Dr. Eugênio Chipkevitch, pediatra de São Paulo, que abusava dos seus pacientes de menor idade e foi preso por causa disto (cf. VEJA; 27/03/02, pp. 90s). A solução para se levar uma vida casta é a educação dos instintos naturais mediante disciplina, autocontrole ou ascese; se esta não existe, nenhu­ma vocação é isenta de graves quedas. Todavia o reinante hedonismo da sociedade contemporânea di­ficulta a valorização dessa autêntica solução.

Boff equipara as freiras aos clérigos, como se estas também fossem coagidas a abraçar a vida una. – Mais uma vez o teólogo esquece…; ele de­veria saber que as Religiosas abraçam a vida indivisa estritamente por espontânea vontade ou precisamente porque se querem consagrar total­mente a Deus, sem visar ao sacerdócio. O seu ins­tinto maternal se realiza ricamente no plano espiri­tual – o que lhes proporciona grande paz e felicida­de. Em suma, as objeções contra a vida una são, em grande parte, inspiradas pela falsa persuasão de que, só existe o prazer dos sentidos e da corporeidade.

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 22nd, 2009

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Um futuro bestseller da auto-ajuda: o cientista da alteridade S. de Biasi (calabrês?)

Querer ser o outro, por outro lado, nos distancia de nossas reais potencialidades e nos coloca perseguindo fantasmas, e buscando frustradamente, esquizofrenicmante (sic), mesquinhamente, futilmente, algo que só só o outro pode ser. Muito melhor é fazer as pazes com quem você é e tentar exercer essa inalienável função da melhor e mais plena forma que você conseguir.

Pharmácia inteira em aqui.

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 22nd, 2009

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ACÍDIA E CURIOSITAS, por J. Pieper

Há um desejo de ver que perverte o sentido original da visão e leva o próprio homem à desordem. O fim do sentido da vista é a percepção da realidade. A “concupiscência dos olhos”, porém, não quer perceber a realidade, mas ver. Agostinho diz que a avidez dos gulosos não é de saciar-se, mas de comer e saborear; e o mesmo se pode aplicar à curiositas e à “concupiscencia dos olhos”. A preocupação deste ver não é a de apreender e, fazendo-o, penetrar na verdade, mas a de se abandonar ao mundo, como diz Heidegger em seu Ser e tempo. Tomás liga a curiositas à evagatio mentis, “dissipação do espírito”, que considera filha primogênita da acídia. E a acídia é aquela tristeza modorrenta do coração que não se julga capaz de realizar aquilo para que Deus criou o homem. Essa modorra mostra sempre sua face fúnebre, onde quer que o homem tente sacudir a ontológica e essencial nobreza de seu ser como pessoa e suas obrigações e sobretudo a nobreza de sua filiação divina: isto é, quando repudia seu verdadeiro ser! A acídia manifesta-se assim, diz Tomás, primeiramente na “dissipação do espírito” (a sua segunda filha é o desespero e isto é muito elucidativo). A “dissipação do espírito” manifesta-se, por sua vez, na tagarelice, na apetência indomável “de sair da torre do espírito e derramar-se no variado”, numa irrequietação interior, na inconstância da decisão e na volubilidade do caráter e, portanto, na insatisfação insaciável da curiositas.

A perversão da inclinação natural de conhecer em curiositas pode, conseqüentemente, ser algo mais do que uma confusão inofensiva à flor do ser humano. Pode ser o sinal de sua total esterilidade e desenraizamento. Pode significar que o homem perdeu a capacidade de habitar em si próprio; que ele, na fuga de si, avesso e entediado com a aridez de um interior queimado pelo desespero, procura, com angustioso egoísmo, em mil caminhos baldados, aquele bem que só a magnânima serenidade de um coração preparado para o sacrifício, portanto senhor de si, pode alcançar: a plenitude da existência, uma vida inteiramente vivida. E porque não há realmente vida na fonte profunda de sua essência, vai mendigando, como outra vez diz Heidegger, na curiosidade que nada deixa inexplorado”, a garantia de uma fictícia “vida intensamente vivida”.

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 18th, 2009

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Das virtudes que afugentam os vícios, São Francisco de Assis

1. Onde há caridade e sabedoria, não há medo nem ignorância.

2 Onde há paciência e humildade, não há ira nem perturbação.

3 Onde à pobreza se une a alegria, não há cobiça nem avareza.

4 Onde há paz e meditação, não há nervosismo nem dissipação.

5 Onde o temor de Deus está guardando a casa (cf. Lc 11,21), o inimigo não encontra porta para entrar.

6 Onde há misericórdia e prudência, não há prodigalidade nem dureza de coração.

ESCRITOS DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS
ADMOESTAÇÕES, Admoest. 27.

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Omayr José de Moraes Júnior

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abril 17th, 2009

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Progresso científico e regresso moral

Afirma, do mesmo modo, o sumo pontífice Pio XII (Radiomensagem de Natal de 1953), que a nossa época se distingue pelo contraste flagrante entre o imenso progresso científico e técnico, e um espantoso regresso no campo dos valores humanos, pois, “a sua monstruosa obra-prima consiste em transformar o homem num gigante do mundo físico à custa do seu espírito reduzido a pigmeu no mundo sobrenatural e eterno”

Beato João XXIII.
Mater et magistra
15.05.1961