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Omayr José de Moraes Júnior

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março 25th, 2009

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“Ich ruf zu dir, Herr Jesus Christ” (A Ti eu clamo, Senhor Jesus Cristo)

Considere o título. Silencie(-se) e ouça essa maravilha BWV 639, de Bach.

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Omayr José de Moraes Júnior

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março 22nd, 2009

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Confissão de um ex-abortista

Por Bernard Nathanson em 22 de março de 2006

Resumo: O responsável por 75 mil abortos explica as táticas faláciosas empregadas pelo movimento abortista para tornar aceitável sua causa nos EUA.

Sou pessoalmente responsável por 75.000 abortos. Isso legitima minhas credenciais em me dirigir a você com alguma autoridade sobre o assunto. Fui um dos fundadores da National Association for the Repeal of the Abortion Laws (NARAL) nos EUA em 1968. Uma pesquisa de opinião confiável mostraria que, à época, a maioria dos americanos seria contra o aborto. Em cinco anos nós convencemos a Suprema Corte dos EUA a oficializar a decisão que legalizou o aborto por toda a América em 1973 e permitiu o abortamento sob demanda até o nascimento. Como fizemos isso? É importante entender as táticas envolvidas porque estas mesmas táticas estão sendo utilizadas por todo o ocidente com uma ou outra mudança, de modo a alterar as leis sobre o aborto.

A primeira tática foi capturar a mídia

Persuadímos a mídia de que a causa da tolerância ao aborto era uma causa esclarecida e sofisticada. Sabendo que se uma pesquisa de opinião confiável fosse feita seríamos sonoramente derrotados, simplesmente fabricamos os resultados de pesquisas fictícias. Anunciamos à mídia que fizemos pesquisas e que 60% dos americanos eram favoráveis ao aborto. Essa é a tática da mentira auto-realizada. Criamos simpatia suficiente para vender nosso programa de aborto fabricando o número de abortos ilegais feitos anualmente nos E.U.A. Os números reais atingiam 100.000 mas repassávamos à mídia 1.000.000. Repetir a mentira incessantemente convence o público. O número de mortes de mulheres devido a abortos ilegais era em torno de 200-250 anualmente. Passávamos à mídia o número de 10.000. Essas falsas estimativas criaram raízes na consciência dos americanos convencendo muitos de que precisávamos derrubar a lei contrária ao aborto. Outro mito que alimentamos na opinião pública via mídia foi que a legalização do aborto significaria somente que os abortos outrora feitos ilegalmente, a partir de então seriam feitos legalmente. Na verdade, é óbvio, o aborto está sendo utilizado como o principal método de controle de natalidade nos EUA e o número anual de abortos aumentou em 1500% desde a legalização.

A segunda tática foi “dar a cartada Católica”

Aviltamos sistematicamente a Igreja Católica e suas “idéias socialmente retrógradas” e apontamos a hierarquia da Igreja como os vilões que se opunham ao aborto. Esse tema foi tocado incessantemente. Alimentamos a mídia com mentiras do tipo “todos nós sabemos que a oposição ao aborto vem da hierarquia e não da maioria dos católicos” e “pesquisas de opinião provam que a maioria dos católicos querem reforma na lei contra o aborto”. E a mídia bombardeou isso sobre o povo americano, persuadindo-o de que todo aquele que se opusesse ao aborto devia estar sob influência da hierarquia da Igreja e que os católicos a favor do aborto eram esclarecidos e progressistas. Uma inferência a essa tática foi que não havia grupos não católicos se opondo ao aborto. O fato de que outras religiões cristãs bem como não cristãs foram (e ainda são) monoliticamente opostas ao aborto foi constantemente suprimido, de mesma forma que opiniões de ateístas pró-vida.

A terceira tática foi o descrédito e a supressão de toda evidência científica de que a vida começa na concepção

Perguntam-me com freqüência o que me fez mudar de opinião. Como mudei de abortista proeminente a advogado pró-vida? Em 1973, tornei-me diretor de obstetrícia de um grande hospital na cidade de Nova Iorque e tinha que organizar uma unidade de pesquisa pré-natal, no início do surgimento de uma grande tecnologia que hoje utilizamos diariamente para estudar o feto no útero. Uma tática pró-aborto favorita é a insistência em que a definição do instante em que começa a vida é impossível; que a questão é teológica, moral ou filosófica, tudo menos científica. A fetologia traz uma evidência inegável de que a vida começa na concepção e requer toda a proteção e salvaguarda de que qualquer um de nós desfruta. Por que, você poderia pergutar, alguns médicos americanos cientes das descobertas da fetologia, desacreditam de si mesmos efetuando abortos? Aritmética simples, a US$300 por aborto, 1.55 milhões de abortos significa uma indústria gerando US$500.000.000 anualmente, dos quais a maioria vai para o bolso do médico que fez o aborto. É claro que o aborto é propositalmente a destruição do que é inegavelmente vida humana. Isso é um ato de violência mortal. Devemos considerar que a gravidez não planejada é um dilema penosamente difícil, mas enxergar sua solução em um ato de destruição deliberada é abusar da ilimitada ingenuidade humana e entregar a saúde pública à clássica resposta utilitária a problemas sociais.

Como cientista eu sei, não por crença, que a vida humana começa na concepção. Embora eu não seja um religioso, creio de todo o meu coração que há uma divindade que guia-nos a declarar o término final e irreversível a esse crime contra a humanidade, infinitamente triste e vergonhoso.

[N.T] Dr. Bernard Nathanson é autor de Aborting America e produtor do filme chocante e revelador The Silent Scream. No final dos anos 1970 abandonou a prática e a militância pró-aborto tendo se tornado ativista pró-vida.

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Omayr José de Moraes Júnior

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março 20th, 2009

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O mestre latinista da Cúria Romana

Veja o que ele fala sobre o latim.

Aqui, a partir de 7:25 min do vídeo.

Continuação até 0:48 min.

Na legenda dos vídeos, a tradução em espanhol.

Tentativa de transcrição

Romani non habebant conceptus quos habemus nos, hodie. Ergo debemus aliquo modo sudare et “lavorare” ut redamus conceptus: haec est difficultas. Et si legimus acta diurna alius…, alia…, alius sermo, alius habitus mentis – non ita romani loquebantur sicut hodie: haec est difficultas. Ergo debemus ponderare – quod mihi placet – facere, ponderare quid dicimus hodie et quid dicebant Romani, et quid dicerent – quid dicerent – si hodie loquerentur. Tota historia Ecclesiae occidentalis est latina. Et haec est maxima difficultas. Sicut amittere, amisimus fere, sicut amisi hanc coniunctionem cum tota historiae Ecclesiae aliquid amittitur. Et sicut non potest aperire libros Sancti Thomae, vel Sancti Augustini, vel Ecclesiae Conciliorum et intellegere latine, (?) , arcertur…, amittitur, haec est difficultas mea…, quia tota Historia nostra est contexta lingua latina.

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Omayr José de Moraes Júnior

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março 18th, 2009

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19 de março, São José.

Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são os grandes favores que Deus me tem feito por intermédio desse bem-aventurado santo, e os perigos de que me tem livrado, tanto do corpo como da alma. A outros santos parece o Senhor ter dado graça para socorrer numa determinada necessidade.

Santa Teresa D´Ávila

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Omayr José de Moraes Júnior

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março 13th, 2009

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Ouviste, ó Virgem, a voz do Anjo.

Ouviste, ó Virgem, a voz do Anjo: conceberás e darás à luz um filho. Ouviste-o dizer que conceberás não de um homem, mas do Espírito Santo. O Anjo espera a tua resposta: é tempo de ele voltar a Deus que o enviou. Também nós, miseravelmente oprimidos por uma sentença de condenação, também nós, Senhora, esperamos a tua palavra de misericórdia. Eis que em tuas mãos está o preço da nossa salvação. Se consentires, seremos libertados. Fomos criados pelo Verbo eterno de Deus, mas vemo-nos agora condenados à morte: tua resposta fará possível nossa recriação. Ó Virgem, cheia de bondade, o triste Adão expulso do paraíso com toda a sua pobre descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Imploram-na todos os patriarcas, teus antepassados, retidos na região das sombras da morte. O mundo inteiro espera tua resposta. E não é sem razão, pois da tua resposta depende a consolação dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, a salvação, enfim, de todos os filhos de Adão. Dá depressa, ó Virgem, teu consentimento. Responde sem demora ao Anjo, ou, melhor, ao Senhor por meio do Anjo (…). Ó Virgem Santa, abre o teu coração à fé, os teus lábios ao consentimento, o teu seio ao Criador. Eis que o Desejado das nações está à tua porta e chama. (…). Levanta-te, corre e abre. Levanta-te pela fé, corre pela devoção, abre pelo consentimento.

“Eis aqui”, ela respondeu ao Anjo, “a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra”.

(São Bernardo, Homilia em louvor da Virgem Mãe, Hom. 4, 8-9 PL 183, 83-84).

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Omayr José de Moraes Júnior

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março 9th, 2009

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Na Virgem Maria, o compêndio da Encarnação.

A proclamação piedosa da maternidade de Maria foi, desde sempre, a forma eficaz de salvaguardar a verdade acerca da Pessoa de Jesus. A maternidade virginal serviu como ponto de partida sempre retomado a fim de se refutarem os erros cristológicos de Ário (†338), Apolinário (†390), Nestório (†451) e Êutiques (†456). Houve, de fato, quem negasse não somente a maternidade divina, mas também que Maria fosse verdadeira Mãe, já que, segundo alguns, Jesus teria assumido um corpo “aparente”, e teria “passado” pela Virgem à semelhança da luz que atravessa uma superfície translúcida ou da água que corre pelo aqueduto sem dele nada tomar. Assim, nos primórdios da Igreja, o gnosticismo dos docetas levou-os a negar a realidade física do corpo de Jesus; Sua paixão e morte seriam, portanto, irreais. Mais tarde, arianos e apolinaristas, embora reconhecessem que Cristo teve um corpo real, diziam que este era animado pelo Verbo; negavam-Lhe, pois, a alma humana. Nos dois casos, por motivos contrastantes, Jesus não seria verdadeiro Homem (C.G. IV, 34). Se, porém, Jesus tivesse assumido um corpo aparente, não-humano, então Maria não seria autêntica Mãe; se Jesus fosse um “semi-deus”, isto é, alguém “meio-homem e meio-deus”, então Maria seria Mãe só do corpo de Jesus, mas não da Pessoa de Jesus; se Jesus fosse somente um grande homem, então Maria seria Mãe de um grande homem, mas não Mãe de Deus. Assim, grande parte do esforço feito pela Igreja até o Concílio de Constantinopla III (681), no sentido de sondar o mistério do Verbo Encarnado, consistiu fundamentalmente em refutar as soluções superficiais urdidas pelos inovadores (In Gal. 4, lect.2: Marietti 199-217). Atente-se, neste contexto, para a impertinência de algumas conclusões acerca das conseqüências da Encarnação. Efetivamente, o Concílio de Éfeso ensina que “o Verbo, unindo a Si em Sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, fez-Se homem”, Verbum, unita Sibi secundum hypostasim carne animata rationali anima, (…) hominem factum esse (DS 250), isto é, a Encarnação deu-se em uma Pessoa, em um indivíduo, assim como insiste Santo Tomás (Dei Verbum non assumpsit naturam humanam in universali (…) sed in individuo: III, q.2, a.2 c; in unitatem personae: q.35, a.4 c; assumptio terminatur ad personam: q.4, a.4 c; unio incarnationis, cum sit in esse personali: q.2, a.11 c); em outras palavras, foi a humanidade de Jesus que foi assumida pelo Verbo, e não a humanidade abstratamente considerada, até mesmo porque “é impossível que a natureza humana exista fora da matéria” (q.4, a.4 c). Por conseguinte, embora todo o gênero humano pertença a Cristo por direito natural e por direito de conquista, isso não quer dizer que, pela Encarnação, Ele tenha se unido a todos os seres humanos indistintamente. É justamente o contrário: estes é que adquiriram a faculdade de se unirem a Ele na medida da respectiva correspondência à vocação divina. E tal faculdade pode ou não ser usada (q.8, a.3 c). Por outro lado, se é verdade que sempre se falou que, pela Encarnação, deu-se um matrimônio entre Deus e a humanidade, deve se sublinhar que isso foi dito em sentido largo, mediante a justaposição de formas adverbiais que modificavam o sentido da expressão, metaforizando-a. Assim o fizeram, v.g., o próprio Santo Tomás (III, q.30, a.1 c) e também o Magistério: “O Filho eterno de Deus, querendo assumir a natureza do homem para redimi-lo e nobilitá-lo, consumando assim certo místico matrimônio com todo o gênero humano, não realizou este Seu desígnio senão depois de obter o libérrimo consentimento daquela que fora designada para ser Sua Mãe, a qual, de certo modo, representava todo o gênero humano”, Filius Dei aeternus, quum, ad hominis redemptionem et decus, hominis naturam vellet suscipere, eaque re mysticum quoddam cum universo humano genere initurus esset connubium, non id ante perfecit quam liberrima consensio accessisset designatae Matris, quae ipsius generis humani personam quodammodo agebat (Leão XIII, Octobri mense. Leonis XIII P. M. Acta, XI, p. 303).

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Omayr José de Moraes Júnior

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março 6th, 2009

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Bach, letras e missais

Há certos fatos que passam a habitar no “palácio da memória”, como diz Santo Agostinho, e pode ser interessante, e até mesmo necessário, descobrir o motivo dessa hospedagem. Vejo meu pai entrando em casa com o disco do Magnificat de Bach, e, havendo me proposto saber o motivo dessa recorrência, imagino ter descoberto o sentido de todo o resto. Da fato, o disco não vinha com a “letra”. Meu pai falou-me, então, de um antigo Missal: achado o livro, achei a “letra”; gravei o disco, e o ouvia sempre; folheava o livro, e o lia sempre. Tomei gosto pelo Latim, e passei a achar absurdo que o tivessem abandonado por toda parte, dos bancos escolares aos das igrejas. Numa bela tarde de sexta-feira, pela primeira vez entrei no mosteiro de São Bento, em São Paulo. Os monges cantavam e eu logo reconheci a “letra”, e fiquei ali, surpreso. Era o Magnificat. Na sexta-feira seguinte, voltei; e comecei a voltar todas as sextas-feiras, supondo que o Magnificat era cantado somente às sextas-feiras… Desconfiado da conclusão, perguntei a uma senhorinha se os monges cantavam nos outros dias da semana. Disse-me ela que sim; disse-me, aliás, que eles cantavam o Magnificat todos os dias. A senhorinha era Dona Erna. Alemã miúda de olhos azuis, morreu, centenária, há cinco anos. E Dona Erna era uma convertida, pois nascera luterana, e assim viveu até que D. Beda Nebel, beneditino daquele mosteiro, a devolvesse à Igreja. E Dona Erna ficou devotíssima do Santíssimo Sacramento e da Virgem. Depois de Vésperas, lá estava ela, recolhida aos pés do altar da Virgem. E Dona Erna me contou que, certa vez, quando menina, o pai lhe sussurrou à porta do cemitério de sua cidade natal:

“- Olha, filha, do outro lado do muro é o cemitério dos católicos…”.

Há muros que se prolongam mais além.

* * *

E assim, pelas mãos de meu pai, o Magnificat entrou na minha vida, e, com ele, a Santíssima Virgem e própria Igreja católica. Pois sem aquele disco, talvez não viesse mais nada. No raso de meus treze anos, Cristo e a Igreja católica não constavam em nenhuma parte da minha geografia, nem na do Arqui, o colégio marista de São Paulo. É verdade que os Irmãos ainda andavam por lá, alijados ciosamente do magistério, mas espalhados pelos balcões do colégio: o da papelaria; o da sala de material esportivo; o da burocracia miúda da escola. Não por acaso, os melhores professores eram ex-irmãos maristas que deixaram a congregação por salário e filhos. Os demais viviam ali, longe das aulas, agonizando. Já naquela época, a maldita “associação de pais e mestres” se esmerava em fazer do Arquidiocesano um colégio assepticamente “pluralista”.

Hoje, enfim, Bach é quase uma lembrança. Prefiro Música (mais) Antiga. Bach me parece muito moderno. No Natal, porém, um amigo presenteou-me a obra completa para órgão. Seja como for, embora muito religioso, é claro que Bach não podia ser propriamente “litúrgico”. Pensemos, por exemplo, nas Missas que compôs: falta-lhes a medida – no sentido grego da palavra – falta-lhes, portanto, tudo. Na verdade, Bach não podia entender a Missa; entendendo-a apenas como forma musical, perdera tudo. Não é à-toa, de fato, que Santo Tomás fala de um julgamento por conaturalidade: uma coisa é falar “intelectualmente” sobre a mansidão (sem amá-la ou ao menos praticá-la); outra coisa é ter o hábito da mansidão e falar dela como coisa própria, por certa conaturalidade. É claro que alguém poderia dizer que há uma “liturgia luterana”. Mas, sinceramente, não vou entrar por essa porta, pois, como num cenário, sei que não há nada atrás. E assim como o efeito está de certo modo contido em sua causa, e a esta se assemelha, assim também as igrejas inventadas em gabinete, ou circo, têm muito da tristeza de quem as inventou. E o protestantismo é tristíssimo, uma vez que está privado da Eucaristia, isto é, de Cristo mesmo. E que tristeza! Eis por que, nas denominações protestantes, a piedade sempre degenerou em pietismo e pieguice; e o júbilo, se é possível haver algum, em triunfalismo ou espetáculo.