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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 31st, 2009

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Discurso de Catilina

Catilina após perceber que estava cercado por montanhas e exércitos inimigos, tudo lhe sendo hostil em Roma e sem nenhuma esperança de fuga ou de apoio, considerou que em cais circunstancias o melhor seria tentar o destino na guerra e resolveu bater-se primeiro com Antônio. Convocados os solda­dos, dirigiu-lhes, então, o seguinte discurso:

Estou convencido, soldados,
de que as palavras não acrescem coragem
e de que o discurso de um general
não poderá fazer de um covarde um bravo,
nem de um exército débil, um forte.
Quanto de audácia estiver no coração,
e no caráter de cada um ou em seus hábitos,
tanto costuma patentear-se na guerra.
Aquele a quem nem o desejo de glória
nem os perigos excitam é inútil exortar.
O temor obstrui seus ouvidos.
Mas eu vos convoquei a fim de vos ministrar
alguns conselhos ao mesmo tempo
em que vos esclarecerei o motivo de minha resolução.

Sabeis certamente, soldados,
o quanto a indolência e a covardia de Lêntulo
trouxeram a derrota para ele próprio e para nós,
de tal modo que, esperando socorros de Roma,
não fui capaz de dirigir-me à Gália.
Agora entendeis, do mesmo modo que eu,
o estado em que estamos.
Dois exércitos inimigos nos barram, um de Roma,
outro da Gália.

Mesmo que a maior das vontades nos leve
a permanecer por mais tempo neste lugar,
a falta de trigo e de todas as outras provisões o impede.
Não importa para onde nos agrade ir,
o caminho deve ser aberto pela espada.
É por isso que vos aconselho a que sejais fortes
e preparados e, quando travardes combate,
a que vos lembreis de que podereis
carregar nas mãos as riquezas,
honrarias,a glória e, ademais,
a liberdade e a Pátria.
Se vencermos, teremos tudo;
provisões em abundân­cia,
os municípios e as colônias nos abrirão as portas.
Se recuarmos com medo,
os mesmos se voltarão contra nós;
nenhum lugar ou amigo abrigará aqueles
que não estiverem protegidos pelas armas.
Além disso, a necessidade imperiosa
não recai do mesmo modo sobre eles e sobre nós:
nós lutamos pela Pátria, pela liberdade, pela vida;
a eles lhes toca apenas lutar para manter
o poder de uns poucos.
Por isto, atacai audaciosa­mente,
lembrados da antiga coragem.
Permitiriam que vivêsseis no exílio
da mais ignóbil forma;
alguns de vós, perdidos os bens,
poderíeis esperar viver em Roma
com recursos de outros.
Entretanto, como aqueles costumes
não deviam ser suportados por homens ilustres,
decidistes acom­panhar-me.
Se quereis deixar tudo para trás,
é necessário audácia;
ninguém a não ser o vitorioso saiu da guerra para a paz.
Pois esperar a salvação na fuga,
quando o corpo é protegido pelas armas
que voltastes contra o inimigo, é verdadeira loucura.
Na batalha o perigo máximo está sempre
entre os que mais temem;
a audácia encontra-se junto à segurança.
Quando vos considero, soldados, e quando peso vossos feitos,
sou tomado por uma grande esperança na vitória.
O vigor, a idade, a vossa disposição me encorajam;
além da neces­sidade que transforma até os tímidos em bravos.
De fato, o grande número de inimigos não poderá cercar-nos:
os desfiladeiros o impedem.
No entanto, se a sorte se interpuser contra vossa coragem,
precavei-vos de perder a vida sem vingança
e an­tes que, cativos, sejais trucidados como gado,
deixai ao inimigo uma vitória dolorosa e sangrenta,
lutando como soldados.

in: NOVAK, Maria da Glória: Antologia Bilíngüe de Escritos Latinos, pp. 44-45.

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 31st, 2009

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São Luis Maria

Vede, Senhor Deus dos exércitos, os capitães que formam companhias completas, os potentados que criam exércitos numerosos, os navegadores que reúnem frotas inteiras, os mercadores que se congregam em grande número nos mercados e nas feiras ! Quantos ladrões, ímpios, ébrios e libertinos se unem em massa contra Vós todos os dias, e isto com tanta facilidade e prontidão ! Basta um assobio, rufar um tamhor, mostrar a ponta embotada de uma espada, prometer uma ramo seco de louros, oferecer um pedaço de terra amarela ou branca; basta, numa palavra, uma fumaça de honra, um interesse de nada, um mesquinho prazer animal que se tem em vista, para num instante reunir os ladrões, ajuntar os soldados, congregar os batalhões, agrupar os mercadores, encher as casas e os mercados, e cobrir a terra e o Luar com uma multid?o inumerável de réprobos, que, embora divididos todos entre si, ou pelo afastamento dos lugares, ou pela diversidade dos gênios, ou por seus próprios interesses, se unem, entretanto, e se ligam até a morte, para fazer-­Vos guerra sob o estandarte e sob o comando do demônio.

(…)

E, Vós, grande Deus ! embora haja tanta glória, tanta doçura e vantagem em servir-Vos, quase ninguém tomará vosso partido. Quase nenhum soldado se alislará sob vossos estandartes?

Erguei-vos, Senhor: por que pareceis dormir? Erguei-Vos em vossa onipotência, em vossa misericórdia e em vossa justiça, para formar-Vos uma companhia seleta de guardas que velem a vossa casa, defendam vossa glória e salvem vossas almas, para que haja um só rebanho e um só pastor, e para que todos Vos rendam glória em vosso templo “Et in templo ejus omnes dicent gloriam”. Amém.

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 30th, 2009

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Dom Lourenço de Almeida Prado, OSB

Tomista, faleceu no dia 28 do corrente, festa de Santo Tomás de Aquino, no Mosteiro de São Bento, Rio. Médico, pertenceu à “geração de ouro” de profissionais que foi atraída para a vida monástica por força do ambiente de alta espiritualidade e de alta cultura impressos por D. Thomas Keller, abade daquele Mosteiro. Dom Lourenço foi reitor do Colégio de São Bento de 1955 a 2001. Completaria 98 anos em maio.

R.I.P.

Vivemos relmente sob as mais diversas ameaças de que o homem acabe pondo fim à sua existância na Terra. Energia atômica, ozônio atmosférico, engenharia genética são apenas alguns dos caminhos humanos de autodestruição ou de tornar o planeta terra incompatível com a vida humana e, até, com a própria vida .

Ameaça mais grave e não menos assustadora e iminente é a que, sem tirar a vida, tira-lhe a dignidade e a nobreza humana, pela instalação do admirável mundo novo, em que, dominado pela técnica e pela busca da eficiência (ser ineficiente, no mundo de hoje, é, como diz Huxley, o grande crime contra o Espírito Santo), o homem não só consinta em ser escravo, mas se sinta honrado em sê-lo e dignificado por ser servo de um grande chefe.

O homem está construindo a sua nova torre de Babel. Quer chegar a Deus, ser ou construir o próprio Deus, contra Deus. Não me refiro à aventura socialista ou comunista, com a sua negação de Deus e seu materialismo, já bastante desmoralizada ou desacreditada pelo desmoronamento do Leste Europeu e a vinda a público de suas misérias e suas implacáveis injustiças sociais. Refiro-me ao processo infiltrante que vai corroendo e desumanizando os nossos melhores ensaios democráticos, pela repetição da rebeldia de Adão. Não é Deus que define para o homem o bem e o mal. É o próprio homem, sugestionado pelo seu orgulho, que quer chegar por si mesmo, ao conhecimento do bem e do mal. “Eu é que defino para mim o que é bom e o que é mau. Sou autônomo. Sou para mim a minha lei. Sou eu que a formulo.”

Dom Lourenço de Almeida Prado, “São Bento – O Eterno no Tempo”, Edições Lumen Christi, 1994, pp.9 e 10.

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 29th, 2009

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28 de janeiro, Santo Tomás de Aquino

Such a combination of doctrine and piety, of erudition and virtue, of truth and charity, is to be found in an eminent degree in the angelic Doctor and it is not without reason that he has been given the sun for a device; for he both brings the light of learning into the minds of men and fires their hearts and wills with the virtues. God, the Source of all sanctity and wisdom would, therefore, seem to have desired to show in the case of Thomas how each of these qualities assists the other, how the practice of the virtues disposes to the contemplation of truth, and the profound consideration of truth in turn gives luster and perfection to the virtues. For the man of pure and upright life, whose passions are controlled by virtue, is delivered as it were of a heavy burden and can much more easily raise his mind to heavenly things and penetrate more profoundly into the secrets of God, according to the maxim of Thomas himself: “Life comes before learning: for life leads to the knowledge of truth” (Comment. in Matth., v); and if such a man devotes himself to the investigation of the supernatural, he will find a powerful incentive in such a pursuit to lead a perfect life; for the learning of such sublime things, the beauty of which is a ravishing ecstasy, so far from being a solitary or sterile occupation, must be said to be on the contrary most practical.

Encíclica
Studiorum ducem
Pio XI, Papa.

(29 de junho 1923)

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 23rd, 2009

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Sir Finley

It is in the end not very surprising that university students of history, with some knowledge of the sources for, say, Tudor England or Louis XIV’s France, find ancient history a ‘funny kind of history’. The unavoidable reliance on the poems of Horace for Augustan ideology, or in the same way on the Eumenides of Aeschylus for the critical moment in Athenian history when the step was taken towards what we know as Periclean democracy, helps explain the appellative ‘funny’. But the oddities are much more far-reaching, extending to the historians themselves in antiquity, in particular to two of their most pervasive characteris­tics, namely, the extensive direct quotation from speeches and the paucity of reference to (let alone quotation from) actual documents, public or private. The speeches are to us an extra­ordinary phenomenon and they produce extraordinary reactions among modern commentators. We have no good reason for taking the speeches to be anything but inventions by the histor­ians, not only in their precise wording but also in their substance. Certainly that is how they were understood in antiquity: witness the discussion in his long essay on Thucydides (ch. 34-48) by Dionysius of Halicarnassus, the most acute and most learned of ancient critics and himself a prolific composer of speeches for his multi-volume Roman Antiquities.

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 18th, 2009

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Finley, o implacável.

(…)

Modern writers find themselves in difficulties. Not only does the position of a Dionysius of Halicarnassus seem immoral – it has been said that one would have to regard Thucydides as ‘blind or dishonest”‘ – but, worse still, one must consider seriously abandoning some of the most interesting and seductive sections of Herodotus, Thucydides, Polybius, Caesar, Sallust, Livy, Tacitus, Dio Cassius and the rest as primary or secondary sources. There is no choice: if the substance of the speeches or even the wording is not authentic, then one may not legitimately recount that Pericles told the assembled Athenians in 430 BC that their empire ‘is like a tyranny, seemingly unjust to have taken but dangerous to let go’ (Thucydides 2.63.2). I have no idea what Pericles said on that occasion but neither have the innumerable historians who repeat from a speech what I have just quoted. Except for Thucydides and perhaps Polybius, there is no longer any serious argument, though the reluctance to accept the consequences is evident on all sides, if not always with such extreme gyrations as the ‘demonstration’ that Thucydides could have obtained precise, authentic information for all his speeches and even for the Melian Dialogue, or the discovery that there are ‘two kinds of veracity, the one of circumstance, the other of outlook and attitude’.

(The Ancient History, Sir M. Finley)

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 17th, 2009

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Thomas More, “A Man for All Seasons”(*)

Veja as cenas do julgamento 1 . 2 . 3 .
(*) Filme, 1966, de Fred Zinnemann, premiado com 6 Oscars.

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 17th, 2009

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João Paulo II: Motu proprio “E Sancti Thomae Mori”

CARTA APOSTÓLICA
SOB FORMA DE MOTU PROPRIO
PARA A PROCLAMAÇÃO DE S. TOMÁS MORO
PATRONO DOS GOVERNANTES E DOS POLÍTICOS

JOÃO PAULO PP. II
PARA PERPÉTUA MEMÓRIA.

1. Da vida e martírio de S. Tomás Moro emana uma mensagem que atravessa os séculos e fala aos homens de todos os tempos da dignidade inalienável da consciência, na qual, como recorda o Concílio Vaticano II, reside «o centro mais secreto e o santuário do homem, no qual se encontra a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser» (Gaudium et spes, 16). Quando o homem e a mulher prestam ouvidos ao apelo da verdade, a consciência guia, com segurança, os seus actos para o bem. Precisamente por causa do testemunho que S. Tomás Moro deu, até ao derramamento do sangue, do primado da verdade sobre o poder, é que ele é venerado como exemplo imperecível de coerência moral. Mesmo fora da Igreja, sobretudo entre os que são chamados a guiar os destinos dos povos, a sua figura é vista como fonte de inspiração para uma política que visa como seu fim supremo o serviço da pessoa humana.

Recentemente, alguns Chefes de Estado e de Governo, numerosos dirigentes políticos, várias Conferências Episcopais e Bispos individualmente dirigiram-me petições a favor da proclamação de S. Tomás Moro como Patrono dos Governantes e dos Políticos. A instância goza da assinatura de personalidades de variada proveniência política, cultural e religiosa, facto esse que testemunha o vivo e generalizado interesse pelo pensamento e comportamento deste insigne Homem de governo.

2. Tomás Moro viveu uma carreira política extraordinária no seu País. Tendo nascido em Londres no ano 1478 de uma respeitável família, foi colocado, desde jovem, ao serviço do Arcebispo de Cantuária, João Morton, Chanceler do Reino. Continuou depois, em Oxford e Londres, os seus estudos de Direito, mas interessando-se também pelos vastos horizontes da cultura, da teologia e da literatura clássica. Dominava perfeitamente o grego e criou relações de intercâmbio e amizade com notáveis protagonistas da cultura do Renascimento, como Erasmo de Roterdão.

A sua sensibilidade religiosa levou-o a procurar a virtude através duma assídua prática ascética: cultivou relações de amizade com os franciscanos conventuais de Greenwich e demorou-se algum tempo na cartuxa de Londres, que são dois dos focos principais de fervor religioso do Reino. Sentindo a vocação para o matrimónio, a vida familiar e o empenho laical, casou-se em 1505 com Joana Colt, da qual teve quatro filhos. Tendo esta falecido em 1511, Tomás desposou em segundas núpcias Alice Middleton, já viúva com uma filha. Ao longo de toda a sua vida, foi um marido e pai afectuoso e fiel, cooperando intimamente na educação religiosa, moral e intelectual dos filhos. A sua casa acolhia genros, noras e netos, e permanecia aberta a muitos jovens amigos que andavam à procura da verdade ou da própria vocação. Além disso, na vida de família dava-se largo espaço à oração comum e à lectio divina, e também a sadias formas de recreação doméstica. Diariamente, Tomás participava na Missa na igreja paroquial, mas as austeras penitências que abraçava eram conhecidas apenas dos seus familiares mais íntimos.

3. Em 1504, no reinado de Henrique VIII, foi eleito pela primeira vez para o Parlamento. O rei renovou-lhe o mandato em 1510 e constituiu-o ainda como representante da Coroa na Capital, abrindo-lhe uma carreira brilhante na Administração Pública. No decénio sucessivo, Henrique VIII várias vezes o enviou em missões diplomáticas e comerciais à Flandres e territórios da França actual. Constituído membro do Conselho da Coroa, juiz presidente dum tribunal importante, vice-tesoureiro e cavaleiro, tornou-se em 1523 porta-voz, ou seja presidente, da Câmara dos Comuns.

Estimado por todos pela sua integridade moral indefectível, argúcia de pensamento, carácter aberto e divertido, erudição extraordinária, foi nomeado pelo rei em 1529, num momento de crise política e económica do País, Chanceler do Reino. Tomás Moro, o primeiro leigo a ocupar este cargo, enfrentou um período extremamente difícil, procurando servir o rei e o País. Fiel aos seus princípios, empenhou-se por promover a justiça e conter a danosa influência de quem buscava os próprios interesses à custa dos mais débeis. Em 1532, não querendo dar o próprio apoio ao plano de Henrique VIII que desejava assumir o controle da Igreja na Inglaterra, pediu a própria demissão. Retirou-se da vida pública, resignando-se a sofrer, com a sua família, a pobreza e o abandono de muitos que, na prova, se revelaram falsos amigos.

Constatando a firmeza irremovível com que ele recusava qualquer compromisso contra a própria consciência, o rei mandou prendê-lo, em 1534, na Torre de Londres, onde foi sujeito a várias formas de pressão psicológica. Mas Tomás Moro não se deixou vencer, recusando prestar o juramento que lhe fora pedido, porque comportaria a aceitação dum sistema político e eclesiástico que preparava o terreno para um despotismo incontrolável. Ao longo do processo que lhe moveram, pronunciou uma ardente apologia das suas convicções sobre a indissolubilidade do matrimónio, o respeito pelo património jurídico inspirado aos valores cristãos, a liberdade da Igreja face ao Estado. Condenado pelo Tribunal, foi decapitado.

Com o passar dos séculos, atenuou-se a discriminação contra a Igreja. Em 1850, foi reconstituída a hierarquia católica na Inglaterra. Deste modo, tornou-se possível abrir as causas de canonização de numerosos mártires. Juntamente com outros 53 mártires, entre os quais o Bispo João Fisher, Tomas Moro foi beatificado pelo Papa Leão XIII em 1886 e canonizado, com o citado Bispo, por Pio XI no ano 1935, quando se completava o quarto centenário do seu martírio.

4. Muitas são as razões em favor da proclamação de S. Tomás Moro como Patrono dos Governantes e dos Políticos. Entre elas, conta-se a necessidade que o mundo político e administrativo sente de modelos credíveis, que lhes mostrem o caminho da verdade num momento histórico em que se multiplicam árduos desafios e graves responsabilidades. Com efeito, existem, hoje, fenómenos económicos intensamente inovadores que estão a modificar as estruturas sociais; além disso, as conquistas científicas no âmbito das biotecnologias tornam mais aguda a exigência de defender a vida humana em todas as suas expressões, enquanto as promessas duma nova sociedade, propostas com sucesso a uma opinião pública distraída, requerem com urgência decisões políticas claras a favor da família, dos jovens, dos anciãos e dos marginalizados.

Em tal contexto, muito pode ajudar o exemplo de S. Tomás Moro que se distinguiu pela sua constante fidelidade à Autoridade e às instituições legítimas, porque pretendia servir nelas, não o poder, mas o ideal supremo da justiça. A sua vida ensina-nos que o governo é, primariamente, um exercício de virtude. Forte e seguro nesta estrutura moral, o Estadista inglês pôs a sua actividade pública ao serviço da pessoa, sobretudo dos débeis ou pobres; regulou as controvérsias sociais com fino sentido de equidade; tutelou a família e defendeu-a com valoroso empenho; promoveu a educação integral da juventude. O seu profundo desdém pelas honras e riquezas, a humildade serena e jovial, o sensato conhecimento da natureza humana e da futilidade do sucesso, a segurança de juízo radicada na fé conferiram-lhe aquela confiança e fortaleza interior que o sustentou nas adversidades e frente à morte. A sua santidade refulgiu no martírio, mas foi preparada por uma vida inteira de trabalho, ao serviço de Deus e do próximo.

Aludindo a tais exemplos de perfeita harmonia entre fé e obras, escrevi, na Exortação apostólica pós-sinodal Christifideles laici, que «a unidade de vida dos fiéis leigos é de enorme importância, pois eles têm que se santificar na vida profissional e social normal. Assim, para que possam corresponder à sua vocação, os fiéis leigos devem olhar para as actividades da vida quotidiana como uma ocasião de união com Deus e de cumprimento da sua vontade, e também como serviço aos outros homens» (n.º 17).

Esta harmonia do natural com o sobrenatural é talvez o elemento que melhor define a personalidade do grande Estadista inglês: viveu a sua intensa vida pública com humildade simples, caracterizada pelo proverbial «bom humor» que sempre manteve, mesmo na iminência da morte.

Esta foi a meta a que o levou a sua paixão pela verdade. O homem não pode separar-se de Deus, nem a política da moral: eis a luz que iluminou a sua consciência. Como disse uma vez, «o homem é criatura de Deus, e por isso os direitos humanos têm a sua origem n’Ele, baseiam-se no desígnio da criação e entram no plano da Redenção. Poder-se-ia dizer, com uma expressão audaz, que os direitos do homem são também direitos de Deus» (Discurso, 07/04/1998).

É precisamente na defesa dos direitos da consciência que brilha com luz mais intensa o exemplo de Tomás Moro. Pode-se dizer que viveu de modo singular o valor de uma consciência moral que é «testemunho do próprio Deus, cuja voz e juízo penetram no íntimo do homem até às raízes da sua alma» (Carta enc. Veritatis splendor, 58), embora, no âmbito da acção contra os hereges, tenha sofrido dos limites da cultura de então.

O Concílio Ecuménico Vaticano II, na Constituição Gaudium et spes, observa que tem crescido, no mundo contemporâneo, «a consciência da eminente dignidade da pessoa humana, por ser superior a todas as coisas e os seus direitos e deveres serem universais e invioláveis» (n.º 26). A vida de S. Tomás Moro ilustra, com clareza, uma verdade fundamental da ética política. De facto, a defesa da liberdade da Igreja face a indevidas ingerências do Estado é simultaneamente uma defesa, em nome do primado da consciência, da liberdade da pessoa frente ao poder político. Está aqui o princípio basilar de qualquer ordem civil respeitadora da natureza do homem.

5. Espero, portanto, que a elevação da exímia figura de S. Tomás Moro a Patrono dos Governantes e dos Políticos possa contribuir para o bem da sociedade. Trata-se, aliás, de uma iniciativa em plena sintonia com o espírito do Grande Jubileu, que nos introduz no terceiro milénio cristão.

Assim, depois de maturada reflexão e acolhendo de bom grado os pedidos que me foram feitos, constituo e declaro S. Tomás Moro Patrono celeste dos Governantes e dos Políticos, concedendo que lhe sejam tributadas todas as honras e privilégios litúrgicos que competem, segundo o direito, aos Patronos de categorias de pessoas.

Bendito e glorificado seja Jesus Cristo, Redentor do homem, ontem, hoje e sempre.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 31 de Outubro de 2000, vigésimo terceiro ano de Pontificado.

IOANNES PAULUS PP. II

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 17th, 2009

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Alguns relatos de peregrinações a Jerusalém

Entre os séculos IV e VII.

a) Anônimo de Bordeaux
Itinerarium Burdigalense (ano 333)

b) Egéria
Itinerarium Egeriae (ano 400).

c) Jerônimo
Epitaphium Paulae (ano 404).

d) Arquidiácono Teodósio
De Situ Terrae Sanctae (ano 530)

e) Anônimo de Piacenza
Itinerarium Antonini Placentini (ano 570).

f) Sofrônio, Patriarca de Jerusalem.
Dois poemas sobre a Terra Santa (ano 600).

g) Bispo Arculfo
Adamnani De Locis Sanctis (ano 670).

Fonte:http://www.christusrex.org/www1/ofm/pilgr/00PilgrHome.html

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Omayr José de Moraes Júnior

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janeiro 16th, 2009

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Mãe de Cristo

Que grandeza, que qualidades, que virtudes não deveremos nós contemplar nesta Mãe para ser não só Mãe de Deus, mas idônea, competente, congruente, e numa só palavra digna Mãe de Deus ? Que excelência, que perfeição, que magnificência lhe não deveria convir para esta dignidade ? Cale-se aqui a língua de carne, porque este é o assunto que excede ao nosso entendimento, à nossa expressão.

(…)

[Maria] só confessa que o Onipotente a fez grande: Fecit mihi magna qui potens est; mas essa grandeza, qual grandeza seja, deixa-o em silêncio a sua humildade, e a nossa contemplação não a compreende. São Jerônimo diz que toda a enchente das graças que teve o Filho, teve, ainda que de outro modo, a Mãe. Enfim, para que nos cansamos? De tantos mil livros que escreveram os Santos Padres, nenhum diz mais do que o livro da geração de Jesus Cristo, em que se compreende todo o louvor, e toda a longa história da Santa Virgem nestas brevíssimas palavras: “Maria, da qual nasceu Jesus”.

Mas qual Jesus?

O Filho de Deus, o esplendor do Pai, o candor da luz eterna; a honra do Mundo, a formosura do Mundo, o remédio do Mundo; a quem os Anjos sempre desejam ver, e a quem os homens sempre devem seguir.

Que mais do que isto podemos dizer da Santa Virgem ? Que foi humilde, que foi pura, que foi santa, que foi cheia de graça e de virtudes ? Que superfluidade ! Por ventura poder a Mãe de Deus ser soberba, iracunda, impura, ou imperfeita ?

Que glória, que esplendor, que virtude, que graça, e que perfeição lhe não convinha, e lhe não seria devida para ser Mãe de Deus? O Homem, que dela nasceu foi o mesmo Altíssimo que a fundou; e qual a deveria fabricar o mesmo Artífice que a elegeu para dela nascer ?

Eis aqui o ponto em que vêm a parar os vôos de todas as penas dos Anselmos, dos Fulgêncios, dos Bernardos, dos Idelfonsos, dos Damiãos, e dos Boaventuras.

(autor luso, desconhecido, do século XVIII)