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Omayr José de Moraes Júnior

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setembro 29th, 2008

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29 de setembro: São Miguel Arcanjo e todos os anjos

A EXISTÊNCIA DOS ANJOS UMA VERDADE DE FÉ

328. A existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição.

QUEM SÃO OS ANJOS?

329. Santo Agostinho diz a respeito deles: «Angelus [...] officii nomen est, non naturae. Quaeris nomen naturae, spiritus est; quaeris officium, angelus est: ex eo quod est, spiritus est: ex eo quod agit, angelus –Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito: pelo que faz, é anjo (anjo = mensageiro)» (168). Com todo o seu ser, os anjos são servos e mensageiros de Deus. Pelo facto de contemplarem «continuamente o rosto do meu Pai que está nos céus» (Mt 18, 10), eles são «os poderosos executores das suas ordens, sempre atentos à sua palavra» (Sl 103, 20).

330. Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e vontade: são criaturas pessoais (169) e imortais (170). Excedem em perfeição todas as criaturas visíveis. O esplendor da sua glória assim o atesta (171).

CRISTO «COM TODOS OS SEUS ANJOS»

331. Cristo é o centro do mundo dos anjos (angélico). Estes pertencem-Lhe: «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os [seus] anjos…» (Mt 25, 31). Pertencem-Lhe, porque criados por e para Ele: «em vista d’Ele é que foram criados todos os seres, que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os anjos que são os tronos, senhorias, principados e dominações. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele» (Cl 1, 16), E são d’Ele mais ainda porque Ele os fez mensageiros do seu plano salvador: «Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão-de herdar a salvação?» (Heb 1, 14).

332. Ei-los, desde a criação (172) e ao longo de toda a história da salvação, anunciando de longe ou de perto esta mesma salvação, e postos ao serviço do plano divino da sua realização: eles fecham o paraíso terrestre (173); protegem Lot (174), salvam Agar e seu filho (175), detêm a mão de Abraão (176) pelo seu ministério é comunicada a Lei (177), são eles que conduzem o povo de Deus (178), anunciam nascimentos (179) e vocações (180) assistem os profetas (181) – para não citar senão alguns exemplos. Finalmente, é o anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Precursor e o do próprio Jesus (182).

333. Da Encarnação à Ascensão, a vida do Verbo Encarnado é rodeada da adoração e serviço dos anjos. Quando Deus «introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: Adorem-n’O todos os anjos de Deus» (Heb 1, 6). O seu cântico de louvor, na altura do nascimento de Cristo, nunca deixou de se ouvir no louvor da Igreja: «Glória a Deus [...]» (Lc 2, 14). Eles protegem a infância de Jesus (183), servem-n’O no deserto (184) e confortam-n’O na agonia (185) no momento em que por eles poderia ter sido salvo das mãos dos inimigos (186) como outrora Israel (187). São ainda os anjos que «evangelizam» (188), anunciando a Boa-Nova da Encarnação (189) e da Ressurreição (190) de Cristo. E estarão presentes aquando da segunda vinda de Cristo, que anunciam (191), ao serviço do seu juízo (192).

OS ANJOS NA VIDA DA IGREJA

334. Daqui resulta que toda a vida da Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos (193).

335. Na sua liturgia, a Igreja associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes santo (194); invoca a sua assistência (como na oração “In paradisum deducant te angeli – conduzam-te os anjos ao paraíso” da Liturgia dos Defuntos (195), ou ainda no «Hino querubínico» da Liturgia bizantina (196), e festeja de modo mais particular a memória de certos anjos (São Miguel, São Gabriel, São Rafael e os Anjos da Guarda).

336. Desde o seu começo (197) até à morte (198), a vida humana é acompanhada pela sua assistência (199) e intercessão (200). «Cada fiel tem a seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar na vida» (201). Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.

Resumindo:

350. Os anjos são criaturas espirituais que glorificam a Deus sem cessar e servem os seus planos salvíficos em relação às outras criaturas: «Ad omnia bona nostra cooperantur angeli – Os anjos prestam a sua cooperação a tudo quanto diz respeito ao nosso bem» (215).

351. Os anjos assistem a Cristo, seu Senhor. Servem-n’O de modo particular no cumprimento da sua missão salvífica em relação aos homens.

352. A Igreja venera os anjos, que a ajudam na sua peregrinação terrestre e protegem todo o género humano.

353. Deus quis a diversidade das suas criaturas e a sua bondade própria, a sua interdependência e a sua ordem. Destinou todas as criaturas materiais para o bem do género humano. O homem, e através dele toda a criação, tem como destino a glória de Deus.

354. Respeitar as leis inscritas na criação e as relações derivantes da natureza das coisas, é princípio de sabedoria e fundamento da moral.

Notas

168. Santo Agostinho, Enarratio in Psalmum, 103, 1, 15: CCL 40, 1488 (PL 37, 1348-1349).

169. Cf. Pio XII, Enc. Humani generis: DS 3891.

170. Cf. Lc 20. 36.

171. Cf. Dn 10, 9-12.

172. Cf. Job 38, 7, onde os anjos são chamados «filhos de Deus».

173. Cf. Gn 3, 24.

174. Cf. Gn 19.

175. Cf. Gn 21, 17.

176. Cf. Gn 22, 11.

177. Cf. Act 7. 53.

178. Cf. Ex 23, 20-23.

179. Cf. Jz 13.

180. Cf. Jz 6, 11-24; Is 6. 6.

181. Cf. 1 Rs 19, 5.

182. Cf. Lc 1, 11. 26.

183. Cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.

184. Cf. Mc 1, 13; Mt 4, 11.

185. Cf. Lc 22, 43.

186. Cf. Mt 26, 53.

187. Cf. 2 Mac 10, 29-30; 11, 8.

188. Cf. Lc 2, 10.

189. Cf. Lc 2, 8-14.

190 Cf. Mc 16, 5-7.

191. Cf. Act 1, 10-11.

192. Cf. Mt 13, 41; 24, 31; Lc 12, 8-9.

193. Cf. Act 5, 18-20; 8, 26-29; 10, 3-8; 12, 6-11; 27, 23-25.

194. Cf. Oração eucarística. «Santo»: (editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1970). p. 392) [Missal Romano, Gráfica de Coimbra 1992, 452].

195. Ordo exsequiarum, 50, editio typica (Typis Polyglottis Vaticanis 1969), p. 23 [Ed. portuguesa: Celebração das Exéquias. Braga, Conferência Episcopal Portuguesa – Editorial A.O., 1984, n. 77, p. 71].

196. Liturgia Byzantina sancti Ioannis Chrysostomi, Hymnus cherubinorum: Liturgies Eastern and Western, ed. F. E. Brightman (Oxford 1896) p. 377.

197. Cf. Mt 18, 10.

198. Cf. Lc 16, 22.

199. Cf. Sl 34, 8; 91, 10-13.

200. Cf. Job 33, 23-24; Zc 1, 12; Tb 12, 12.

201. São Basílio Magno, Adversus Eunomium 3, 1; SC 305, 148 (PG 29, 656B).

215. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 1, 114. 3, ad 3: Ed. Leon. 5, 535.

Fonte:
Catecismo da Igreja Católica
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html

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Omayr José de Moraes Júnior

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setembro 28th, 2008

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Bach, Murilo e Landowska

BACH, por Murilo Mendes
(”Letras e Artes”, domingo, 09 de junho de 1946)

Há vários anos um conhecido professor e musicólogo norte-americano, de passagem pelo Rio, surpreendeu-me com a declaração de que a música de Bach só pode ser compreendida pelos protes­tantes. Só mais tarde pude decifrar o enigma con­tido para mim em semelhante afirmativa.

É que a obra de Bach tem sido alvo dos mais diversos conceitos de interpretação. Conforme a sensibilidade dos povos, ou a de certos grupos que representam determinadas tendências, ou ainda a de certos indivíduos que se colocam a priori num único ângulo de visão (ou melhor, de audição) a obra de Bach muda de aspecto e significado. Alguns críticos, conservando-se num plano puramente his­tórico, chegam a restringir a importância de Bach no panorama geral do desenvolvimento da música; por exemplo, o nosso caro Mário de Andrade pôde escrever que “Bach viria saudosista e anacronica­mente apontar para trás o passado”.

Ora, se ficarmos firmes dentro deste critério de exclusivo aperfeiçoamento técnico, teremos que restringir ainda muito mais a importância de Bee­thoven, Chopin, Schumann e tantos outros, que já encontraram o terreno, mais do que preparado, apesar das “inovações” que fizeram…

Outros tendem a considerar Bach unicamente como músico religioso, pondo sua arte a serviço da comunidade protestante (ou, algumas vezes, a serviço da Igreja Católica, como no caso das Missas para a corte de Dresden). Esquecem-se de que naquela época a vida profana, apesar da decadência religiosa, ainda estava um tanto impregnada do conceito de sacralidade. Bach, com todo seu pro­fundo misticismo, foi um homem enraizado na vida temporal. Pai de vinte filhos, sempre às turras com o Reitor da Escola de Leipizig e com outras reni­tentes autoridades. Mas, insisto, o conceito de vida não era ainda separado do de religião. Aquela gente, de resto, é que estava certa: religião é vida, e não negação de vida.

Há uma corrente que encara a obra do autor das Paixões dentro de um critério de puro formalismo, como se ela fugisse à interpretação, como se a fantasia estivesse ausente dela. Monta­dos em tal opinião, conferem a Bach o título de clássico cem por cento, e, mais do que isso, rígido e escolástico cem por cento.

Outros, pelo contrário, aceitam-no somente como poeta romântico, procurando extrair dos Prelúdios, das Fugas e dos Corais todo o subje­tivismo que possam conter. E exultam diante da Fantasia Cromática e Fuga, mãe de toda a música romântica, peça onde talvez já se encontre o ger­me de Liszt… hélas !

Sempre achei que nós, aqui no Brasil, estamos em ótima posição histórica, geográfica e temperamental para julgar a arte, os artistas, a cultura, a vida em geral, no plano da universalidade. Este método da universalidade consiste, antes de tudo, em que o indivíduo deve procurar manter-se na vi­da como se fosse o centro dela, para que possa ter sempre a perfeita relação das idéias e dos fatos. Tal método conduz o homem a uma filtragem dos ele­mentos construtivos, combatendo a desproporção e a unilateralidade do temperamento.

Ora, a única tradição verdadeiramente grande que, apesar de tudo, temos no Brasil, é a católica, isto é, uma tradição de universalidade. Os sinos das igrejas não testemunham apenas o passado; chamam para o futuro, chamam-nos para Aquele que se definiu a própria Vida. É, repito, à luz dessa universalidade que devemos procurar comentar e julgar, comparando-as fora de um critério apenas histórico – embora admitindo as coordenadas trazidas pelo tempo -, as obras que chegam ao nosso conhecimento.

À luz dessa universalidade, Bach aparece-nos como o supremo Educador pela música, nos tempos modernos. É clássico, romântico e atual. Une o passado, o presente e o futuro. Se “historicamen­te”, examinando com frieza sua obra, verificarmos o conflito entre o contraponto e a melodia, entre o estilo instrumental e o vocal, se podemos afirmar, sem medo de engano, que seu maior valor consis­te em ter fixado o “temperamento igual”, não in­sistimos nesses pontos que escapam, afinal à nossa competência: não somos técnicos nem cientistas.

Simples poeta…

Bach, repetimos, é por excelência o Educa­dor, isto é, o homem integral, o homem que combate a desproporção e conquista a unidade, tema fundamental da cultura e base da própria vida. É o educador, não só de alunos de música, como dos adultos, dos grupos humanos de toda espécie, que se acham fora dos conservatórios. É o músico que congrega os homens das mais diversas ten­dências. Desperta a religiosidade escondida no mais íntimo do ateu (?), desenvolve e aperfeiçoa a reli­giosidade do crente. É severo e infantil, é rígido e fantasista. É íntimo e coletivista, luterano e universal. É mesmo o modelo do cristão, do homem total que venceu as forças exteriores pela contemplação dos mistérios do Salvador. É um resultado da Encarnação vivida, continuada, repetida e desen­volvida, musicalmente até o máximo, no espírito, no coração, no ser todo de um europeu existindo em pleno século dezoito. Sua pedagogia (con­vencíamo-nos mais uma vez disso, há poucos dias, por ocasião do recital do pianista Borovisky) é fruto de um espírito não só muito refinado, como ab­solutamente simples. Bach é sem dúvida o músico que melhor corresponde às necessidades do ator­mentado homem do nosso tempo. No mundo que perdeu a disciplina e levou ao apogeu o cultivo dos “estados de alma” ele é o ordenador, o cons­trutor por excelência. É absurdo negar-lhe senti­mento; o que ele – graças a Deus! – não tem, é sentimentalismo. Nunca poderei dizer o quanto lhe devo. Terei testemunhado do meu fervor se afirmar que ele me tão necessário como Mozart, ou talvez mais! Mozart – se levarmos em conta sua carreira fulminante e seu incomparável dom de improvisa­ção – é possivelmente mais genial; mas Bach é mais importante. Que o universo inteiro incline um dia os ouvidos a sua música, já que Deus o criou para a educação de todos…

Esta crônica foi inspirada pela audição das Trinta variações Goldberg, de J. S. Bach, para cravo, na interpretação de Wanda Landowska.

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Omayr José de Moraes Júnior

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setembro 23rd, 2008

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Igreja católica e nazismo

Being a lover of freedom, when the revolution came in Germany, I looked to the universities to defend it, knowing that they had always boasted of their devotion to the cause of truth; but, no, the universities immediately were silenced. Then I looked to the great editors of the newspapers whose flaming editorials in days gone by had proclaimed their love of freedom; but they, like the universities, were silenced in a few short weeks. …

Only the Church stood squarely across the path of Hitler’s campaign for suppressing truth. I never had any special interest in the Church before, but now I feel a great affection and admiration because the Church alone has had the courage and persistence to stand for intellectual truth and moral freedom. I am forced thus to confess that what I once despised I now praise unreservedly.

Albert Einstein, TIME, 23 September 1940.

Fonte: http://www.andrewcusack.com/2007/10/03/only-the-church-stood/

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Omayr José de Moraes Júnior

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setembro 22nd, 2008

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“Lenine e Santo Tomás” (continuação)

Em conclusão, o ateísmo é uma recusa – consciente ou inconsciente – a olhar em determinada direção. Recusa brutal, se se trata de ateísmo dogmático; recusa mais ou menos suavizada, se se trata do ateísmo prático, denominado agnosticismo.

De ordinário, essa direção na qual o ateu recusa olhar, é a direção metafísica; o ponto de vista que ele não quer aceitar é o ponto de vista metafísico. Digo : de ordinário, porque há exceções, particularmente Sartre, que acredita estar na metafísica.

Pobre metafísica ! De quanto desprezo é ela objeto da parte dos homens desta época “prática” e “positiva” ! Afirmações como a da existência de Deus, da imortalidade da alma, são, em muitos casos, objeto de negação brutal ou de dúvida mais ou menos formal, ou, – o que é ainda mais grave – de ausência completa de interesse, o que já surpreendia e impressionava Pascal.

O espírito verdadeiramente livre sabe resistir aos embates da opinião, libertar-se da influência do meio; julga de maneira pessoal. Confessar preocupações metafísicas é expôr-se à zombaria de muita gente. Mas, que valor tem essa zombaria ?

Zombar da metafísica é fácil. O que não é fácil é provar que o problema não constitui o ponto nevrálgico, o centro de todo o pensamento humano. Isso é tão verdade que mesmo os que recusam a metafísica estão fazendo metafísica sem o saber.

Para refutar ou por em dúvida uma asserção de ordem histórica, é preciso entrar no domínio da história; – para criticar uma teoria física ou biológica, é preciso estar dentro da física ou da biologia; – ao discutir uma tese jurídica, usam-se preceitos de direito. Do mesmo modo, para demonstrar que determinada teoria metafísica não é bem fundamentada e, a fortiori, para criticar a metafísica como tal, é indispensável entrar no domínio da metafísica: é preciso procurar elevar-se ao nível do problema metafísico.

Uma vez dada a intuição do ser – e é impossível fazer com que não seja dada, – uma vez dada a intuição do ser – é impossível impedir o problema metafísico de se apresentar !

Tenho consciência de minha própria existência. Sei que alguma coisa existe. Sei que existo. Não por meio de conhecimento teórico, de conhecimento adquirido : eu o sei por intuição viva e segura. O sentido do ser ! É o ponto de partida da metafísica, e este ponto de partida, ninguém poderá negá-lo em realidade; porque negá-lo seria negar seu próprio ser e, segundo a expressão de Bernanos, se o homem pode contradizer-se, não pode negar-se inteiramente.

(Capítulo 1 continua)

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Omayr José de Moraes Júnior

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setembro 17th, 2008

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O Santo Padre em Paris.

Veja os comentários de Andrew Cusack.

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Omayr José de Moraes Júnior

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setembro 17th, 2008

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Um título: “Lenine e Santo Tomás”

Faz algum tempo que ganhei esse livrinho do meu amigo Jayme, livreiro de mão cheia. Trata-se da tradução, feita pela Sra. Odette Antunes, do opúsculo Dieu est-il mort ?, de autoria do Fr. Leon Moreau OP. Reproduzirei alguns trechos dos seis capítulos, assim divididos:

1- O que é ateísmo ?
2- Materialismo ateu e direitos do homem.
3- A equação niilista.
4- O conhecimento objetivo ou Lenine e Santo Tomás.
5- O princípio da causalidade e suas exigências.
6- A grande opção: mistério ou absurdo.
Conclusão: O futuro da crença em Deus.

IMPRIMATUR: + Carlos Cardeal Motta (3-5-1957).

CAPÍTULO PRIMEIRO
Que é ateísmo ?

“De que se trata ?” Em todos os domínios do pensamento e da ação, faz-se necessário, muitas vezes, propor essa pergunta, tão cara ao marechal Foch. É particularmente necessário propo-la quando se aborda o ateísmo.

Fala-se muito de ateísmo, nos tempos presentes. Mas, dentre os que empregam esse termo, quantos serão capazes de defini-lo ? – O ateísmo é a negação de Deus; – mas que significa “negação de Deus ?” Que acarreta esse problema ? Por muito pouco que se reflita seriamente sobre isso, a questão se nos revela singularmente árdua.

Para o revolucionário anti-religioso, seja ele comunista ou anarquista, discípulo de Karl Marx ou de Bakounine, – a negação de Deus é atitude de oposição à classe capitalista e a todo o conjunto ideológico que, de fato, se acha integrado na sociedade capitalista e no qual essa sociedade procura justificação. O Deus que o marxista ou anarquista nega é o fundamento ou fiador da ordem (ou desordem) estabelecida: é uma entidade que as religiões representam como um ser individualizado e todo-poderoso, defensor da sociedade burguesa, uma espécie de policial celeste, possuidor de todos os atributos que garantem a eficácia de sua função.

A seguinte fórmula, enunciada por um militante popular, exprime, com clareza brutal, o ponto de vista do ateísmo marxista: “A religião é flor monstruosa que cresce sobre o estrume do capitalismo. Suprimir o estrume é provocar, a maior ou menor preço, a supressão da flor”.

Para o marxista, o ateísmo é uma libertação é a supressão da “alienação religiosa”. O homem verdadeira e plenamente homem, segundo o marxismo, não precisa de Deus.

O ponto de vista do marxismo é fundamentalmente realista; “nossa doutrina”, diz Lenine, repetindo Engels, “não é um dogma, mas um guia para a ação”. Ainda que inteiramente voltada para a ação, para a emancipação da pessoa humana, o marxista leninista admite a existência da realidade objetiva, mesmo a verdade eterna. A leitura de “Materialismo e Empiriocriticismo” de Lenine é muito significativa a esse respeito. O pai da revolução bolchevique – justamente por ser homem de ação – é resolutamente anti-subjetivista, anti-kantiano, ant-idealista. Para ele, o mundo exterior existe, a realidade objetiva se impõe. Em relação às “Ciências Naturais” Lenine nada tem de céptico. Seu materialismo prático é, também, materialismo dogmático, se por dogmatismo se entende afirmação categórica baseada em certeza absoluta, – ou que tal se acredita. Essa a atitude de Lenine relativamente à existência do mundo material, à objetividade de nossas sensações, à causalidade, ao valor das leis naturais.

Além disso, o materialismo leninista não é, absolutamente, um materialismo puramente mecanicista. É materialismo dialético, transposição materialista do processo hegeliano : tese, antítese, síntese. Apresentando-se, uma determinada tese econômico-social provoca o aparecimento e o antagonismo da tese oposta (antítese). Do conflito entre a tese e a antítese resulta a síntese. Trata-se aí de um processo dialético, mas dialética processando-se na realdade, não no domínio puramente das idéias.

Todavia, a gosto ou a contra-gosto, quem diz “dialética”, diz: “pensamento” “conceito”, “idéia”. Conceito imanente ? Conceito encarnado ? Vire-se e revire-se a expressão: “materialismo dialético” – impossível é liminar o fator intelectual nela existente. Da mesma forma, para Lenine como para Bakounine, o pensamento é atributo da matéria.

Não vamos esquecer, por certo, as divergências que colocam em oposição entre si o comunismo e o anarquismo. Contudo, essas divergências, por muito importantes que sejam, não devem dissimular o parentesco ideológico, bem palpável, existente entre essas duas doutrinas, nascidas na mesma época e no mesmo ambiente social e ideológico. Acerca do ponto de vista dos atributos da matéria, eis um texto de Bakounine, muito significativo e que, na opinião de bons intérpretes, representa o pensar de Marx

“Os idealistas de todas as escolas, aristocratas e burgueses, teólogos e metafísicos, políticos e moralistas, religiosos, filósofos ou poetas, sem esquecer os economistas liberais, adoradores desenfreados do espiritual, como se sabe, ofendem-se vivamente quando se lhes diz que o homem, com a sua magnífica inteligência, suas idéias sublimes e aspirações infinitas, não é, como tudo quanto existe no mundo, mais que um produto da vil matéria !

“Poderíamos responder-lhes que a matéria de que falam os materialistas, matéria espontaneamente, eternamente móvel, ativa, produtiva, a matéria química ou orgánicamente determinada ou manifestada pelas propriedades ou pelas forças mecânicas, físicas, animais e inteligentes, que forçosamente lhe são inerentes, nada tem em comum com a vil matéria dos idealistas. Esta, produto de falsa abstração, é efetivamente coisa estúpida, inanimada, imóvel, incapaz de dar nascimento ao mais insignificante produto, um “caput mortuum”, mesquinha imaginação oposta a esta grandiosa imaginação a que dão o nome de Deus; em face do Ente Supremo, a matéria dèles, por êles mesmos despojada de tudo que constitui a sua verdadeira natureza, representa, necessàriamente, o supremo nada. Tiraram à matéria a inteligência, a vida, todas as qualidades determinantes, as relações ativas ou forças, até o movimento, sem o qual a matéria nem peso teria, deixando-lhe apenas a impenetrabilidade e a imobilidade absoluta no espaço; atribuíram todas essas fôrças, propriedades e manifestações naturais ao ser imaginário criado pela sua fantasia abstrativa; depois, invertendo os papéis, chamaram ao produto de sua imaginação, este fantasma, este Deus que é o nada, “Ser Supremo”; e, como conseqüência necessária, declararam que o Ser real, a matéria, o mundo, era o nada. Depois disso, vêm dizer-nos, gravemente, que essa matéria é incapaz de produzir o que quer que seja e mesmo de mover-se por si mesma e que, por conseguinte, ela devia ter sido criada pelo seu Deus” (Michel Bakounine, Deus e o Estado, “publicação mensal” – 1882, pág. 1-2).

Para o materialismo marxista como para Bakounine, a vida, o pensamento, a liberdade são propriedades da matéria; pois, para um e outro, a realidade material é a realidade total, fora da qual nada mais existe. Para o comunista, da mesma forma que para o anarquista, a matéria – compreendida em sentido pleno – contém todo o ser e todas as riquezas do ser. Somente, não se trata de matéria inerte e passiva. Trata-se da matéria em movimento; tratase da realidade em evolução.

No modo de ver do comunista marxista, como do partidário do anarquismo, tal concepção do mundo exclui Deus. A matéria é suficiente para tudo, desde que seja dotada dessas propriedades que, pela atividade fecunda do movimento progressivo, produzem, sucessivamente, a vida, a inteligência, a liberdade. Poder-se-á formular ateísmo mais radical ?

Ousaremos, contudo, formular a seguinte interrogação: Trata-se, em verdade, de ateísmo ? Não nos encontramos, pelo contrário, diante de um panteísmo disfarçado ?

Porquanto, se procurarmos, penetrando sob a casca das palavras, analisar o sentido das fórmulas, que representará esta matéria tão rica de possibiliclades, esta matéria que, afinal de contas, é produtora de vida, de pensamento, de liberdade, esta matéria que é agente de progresso ilimitado ? – Se, de fato, a matéria é tudo isso, a boa lógica nos obriga a declarar que ela possui os atributos da divindade ! O texto de Bakounine, citado atrás, sugere inevitàvelmente essa idéia. Como deixar de perceber o entusiasmo “místico” que aí se manifesta ?

Não ignoro que os anarquistas, como os marxistas-leninistas, repelem toda idéia de compromisso com uma concepção religiosa, qualquer que seja. Mas as declarações, por mais enérgicas, nada podem contra a lógica. É muito difícil deixar de ver no materialismo dialético uma espécie de panteísmo dissimulado e inconsciente. Por certo não é isso ateísmo radical. Desde que se admite uma dialética imanente à evolução cósmica, biológica e social, por isso mesmo já se admite – consciente ou inconscientemente – alguma coisa da déia de Deus.

Em verdade não é o Deus transcendente, pessoal, distinto do mundo, que a religião cristã cultua. É a divindade dos panteístas, que se confunde com o universo. Em resumo, falando em termos justos, a discussão não parece referir-se à existência de

Deus, mas, antes, à natureza de Deus, seus atributos, à personalidade de Deus, enfim.

O materialismo marxista ou anarquista admite a divindade na medida em que admite a inteligibilidade da evolução cósmica e histórica, na medida em que admite o sentido da história. Para o materialista de uma ou outra dessas escolas, Deus é a Matéria, ou a Transformação, a Dialética, a Evolução: divindade impessoal, mas divindade mesmo assim, isto é, princípio de explicação da grande máquina cósmica e da série dos acontecimentos históricos. E as exigências dessa divindade podem ir muito longe, como provam os sacrifícios gigantescos que o marxismo impôs e impõe ainda neste século XX.

Sei perfeitamente que os marxistas, como, aliás, muitos de nossos contemporâneos, consideram injuriosos os epítetos de “metafísico” e “místico”. Mas, acontece com a metafísica e com a mística o mesmo que com a prosa de Mr. Jourdain; pode-se fazê-la sem o saber. De fato, por muito pouco que se observe e se reflita, descobrem-se, dentro do movimento marxista, uma “metafísica” e uma “mística” inconscientes; metafísica e mística dissimuladas, e por isso mesmo mais exigentes !

No plano da discussão filosófica, o debate entre o espiritualismo (particularmente o espiritualismo cristão) e o materialismo marxista (ou ainda o materialismo anarquista) não é tanto entre teísmo e ateísmo, mas entre duas concepções da divindade admitindo uma o caráter ao mesmo tempo transcendente e imanente de Deus, não admitindo a outra e ainda sem pronunciar-lhe o nome – mais que uma espécie de divindade variável, impessoal, imanente ao mundo e, finalmente, lei suprema e explicação última da realidade.

Os marxistas não quererão admitir, é certo, essa interpretação, afirmando energicamente que são ateus e que não crêem em nenhuma divindade de nenhuma espécie.

Permitir-me-ão, contudo, fazer-lhes as seguintes perguntas:

1) Admitis a causalidade, a existência objetiva do mundo exterior, o valor das leis naturais ?

- Se são discípulos de Lenine, terão de responder, com “Materialismo e Empiriocriticismo”, que não são agnósticos e que admitem a causalidade, a existência objetiva do mundo exterior, o valor das leis naturais.

2) Admitis que toda evolução cósmica, biológica e histórica se baseia no desenvolvimento da matéria, e que a matéria, em seu perpétuo evoluir, basta para explicar a eclosão da vida, o pensamento, a liberdade, o progresso ilimitado, indefinido, todas as riquezas e aperfeiçoamentos do passado, do presente e do futuro ?

- Sob pena de renegar o materialismo dialético, os marxistas-leninistas terão de reconhecer que, em sua opinião, são essas as propriedades, e êsse e o papel da matéria.

Pois essa afirmativa constitui, de fato, uma profissão de fé na divindade da matéria. Porque a idéia de divindade é a idéia de uma realidade-princípio de tudo e que tudo explica. Os adéptos da dialética materialista não admitem a existência de um Princípio transcendente e pessoal, mas, justamente, a divindade dos panteístas. “O divino”, se se preferir, não é, necessàriamente, para os últimos, um Princípio transcendente e pessoal.

Jaurès, cujo parentesco intelectual é reivindicado pelos comunistas franceses, professava uma espécie de filosofia “mística”, nascida, como o marxismo, do pensamento alemão do século XIX. Stalin reconhece as origens heraclitianas e hegelianas do comunismo marxista. É justo dizer-se que Karl Max e Engels fizeram descer do céu à terra a dialética hegeliana, que, por eles, de idealista se fez materialista. Isso significa, enfim, que o panteísmo hegeliano, que era idealista, tornou-se materialista, permanecendo, no fundo, verdadeiro panteísmo.

Se se definir o ateísmo como a negação de toda divindade, é impossível considerar o ateísmo dos comunistas e anarquistas atuais como ateísmo integral. É, talvez, uma espécie de ateísmo parcial, é a negação de alguns atributos de Deus (Transcendência, Personalidade. ..), não é a negação pura e simples de toda divindade.

É, de fato, singularmente difícil professar um ateísmo lógico.

Conforme o Dicionário Filosófico de Goblot, o qualificativo de ateu não convém, estritamente, senão ao que nega todo princípio de unidade no universo. Com efeito, admitir um princípio de unidade que, de uma ou de outra forma, se impõe aos seres e aos acontecimentos, é admitir – ao menos sob certo ponto de vista – a divindade. E, se se afirmar que esse princípio unificador não se distingue, em nada, dos sêres e dos acontecimentos, daí são os sêres e os acontecimentos que são divinizados: é o triunfo do panteísmo !

É difícil fixar os limites do ateísmo. Não basta dizer que este ou aquele filósofo é ateu. É ainda necessário especificar de que maneira e até que ponto ele o é. Foi dito, de Spinoza, “o príncipe dos ateus”, que era “inebriado de Deus”, e ambas as expressões se justificam, cada uma a seu modo.

Talvez se deva considerar autêntico ateísmo essa forma de “filosofia existencialista” de que Sartre é o representante mais conhecido. Sartre rejeita a Deus em nome da liberdade tal qual ele a concebe; rejeita a Deus como “O Outro” insuportável, como a Testemunha importuna, cujo olhar nos incomoda; rejeita a Deus como implicando, ao mesmo tempo, “o para si” e “o em si”, contraditórios a seu ver.

É-nos forçoso verificar dois fatos: 1.°) A idéia de Deus, a despeito de tantas negações, acompanha o pensamento de Sartre. Eis o que ele escreve “Deus, valor e fim supremo da transcendência, representa o limite permanente, a partir do qual o homem se nos apresenta tal como é. Ser homem é tender a ser Deus; ou, melhor, o homem é, fundamentalmente, desejo de ser Deus (O Ser e o Nada, pág. 653-654) ; 2.°) É interessante ver um filósofo, que afirma que tudo é absurdo, recusar a idéia de Deus por achá-la absurda. O caráter absurdo, mesmo, dessa noção, devia, ao contrário, ser motivo de sua aceitação ! É verdade que, na terra do absurdo, não se deve procurar a lógica…

Em conclusão, a recusa de Deus aparece, em Sartre, como ato gratuito, o que nada tem de espantoso em filosofia de gratuidade e de liberdade incondicional. Recusa gratuita, isto, é, arbitrária.

De fato, se se observar com objetividade, o ateísmo dogmático é sempre o resultado de opção arbitrária. Bastante significativa, a este respeito, é a confissão de Le Dantec, que declara, em seu livro O Ateísmo: “Sou ateu porque não creio em Deus, e não creio em Deus porque sou ateu”.

Bem entendido, todos os ateus – ou, pelo menos, os que tais se declaram – não tomarão a si essa confissão de enfant terrible ! Invocarão “a Ciência” porque, devemos confessá-lo, o velho cientismo do século XIX não morreu com Renan e Berthelot. Não há muito ouvi um professor declarar que a ciência experimental matematizada resolveria, um dia, todos os problemas. Mas, qual é o valor científico de tal afirmativa ? Ela ultrapassa, evidentemente, tudo quanto a ciência experimental e quantitativa averiguou até hoje… e podemos, mesmo, dizer, com toda a segurança, tudo quanto ela pode, em boa base, averiguar. Está de acordo com o espírito científico decretar a universalidade do real, sujeito a um único método, ou, se se quizer, uma única ordem de método ? Tão completo desconhecimento da complexidade do real nada tem de científico.

(Capítulo 1 continua)

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Omayr José de Moraes Júnior

Date

setembro 15th, 2008

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15 de setembro, Stabat Mater

Bem podia Cristo remir o gênero humano sem cooperação de Maria; mas porque não quis, por isso determinou que a Mãe O acompanhasse nos seus padecimentos até o Calvário; onde se viu que estando ela em pé junto à Cruz, tudo o que padecia o Filho no corpo, padecia a Mãe na alma.

Padre Antônio Vieira, SJ
Imperador da Língua Portuguesa (F. Pessoa)
Na Igreja da Senhora do Desterro, Bahia, no ano de 1639.

Ouça o Stabat Mater de Palestrina. Há alguns erros na transcrição (latim), e também de sintaxe e tradução (português). Louvemos, porém, a boa-vontade de quem nos disponibiliza tão bela jóia.

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Omayr José de Moraes Júnior

Date

setembro 13th, 2008

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É uma pena ver

É UMA PENA VER uma grande inteligência, como a de Napoleão, dedicar-se às coisas insignificantes como são os impérios, os sucessos, o troar dos canhões e das vozes, e acreditar na glória, na posteridade, em César – ocupar-se das massas que se agitam e da superfície dos povos…Ele não entendeu, afinal, que se tratava de outra coisa?

Paul Valery, Mauvaises pensées et autres

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Omayr José de Moraes Júnior

Date

setembro 11th, 2008

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Piers Paul READ

Entrevista (*) ao “AD2000 – a journal of religious opinion”

“Would you comment on the decline of religious faith in Europe?”

To judge from my children and some of their friends, the problem today is not atheism but people not being interested in religious questions at all, a lack of curiosity about whether there is any religious truth. This is partly because of a kind of consensus of humane values which seem to them an entirely sufficient moral system, without the need to bring God into the equation.

I do not see much distinction between the present generation in Britain and the present generation in Northern Europe. This indifference to religion is not total, for you do see young people in churches, but it is the minutest proportion of the population. The actual number of people going to church has declined dramatically in the last ten years. A lot of those who do go in London are from overseas, Filipinos, or whatever.

I think that the problem – again to judge from my children and their contemporaries – is not atheism or communism, which were the other great things in my youth, but a kind of neo-pelagianism. They do not believe in original sin. They do not understand what all this grovelling before God is all about. What are these great sins for which we have to be forgiven? They see themselves as reasonably good in their hedonistic lives, and do not understand what this Augustinian angst is all about.

veja a entrevista completa aqui

(*) Aliás, dica de visitante amigo.