O problema do método

O chamado mundo moderno apresenta-se com um problema preeminente e quase exclusivo - o do método. Não mais o problema do princípio do saber, que é também, e sobretudo, ontológico-metafísico, mas dele prescindindo até ser relegado entre os não-problemas. O problema do método para conhecer tudo quanto sucede neste mundo, conhecimento cada vez mais limitado às coisas, e aos chamados fatos de experiência, e entendido como meio que tem como finalidade dominar melhor o mundo, finalidade esta, também meio, para construir a Cidade do homem, autosuficiente e fim último dos indivíduos singulares e da história. Operada esta redução do saber e do pensar a método sem princípio, e, por conseguinte, odiando a verdade, até à substituição do princípio pelo método, é inevitável a redução de todos os valores aos práticos, dominadores tirânicos e substitutivos dos outros, do conhecimento a critérios pragmáticos, com fins cada vez mais utilitários, econômicos: é este o caminho, que coincidiu com o gradual obscurecimento da inteligência, que se deu no Ocidente … Desde então - e para todo o Ocidente que se manteve nesta linha - não só a Filosofia foi negada como ciência, mas também foi posta a serviço das ideologias políticas e econômicas, único campo, e poderosíssimo, de toda a atividade humana.

(Miguel Sciacca. El oscurecimiento de la inteligencia, Trad. Juan Ruiz Cuevas, Ed. Gredos, Madrid, 1973, pp. 112 e 113. Citado por D. Odilão Moura em O ente e a essência. Presença. Rio. 1981. p.32).

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