“É o católico liberal, ou melhor, o liberal que se quer católico”.
AD BEATISSIMI APOSTOLORUM PRINCIPIS (01.11.1914): BENTO XV, PAPA.
34. Assim também ninguém, privadamente, ao publicar livros ou jornais, ou que fizer discursos públicos, comporte-se na Igreja como mestre. Todos sabem a quem foi confiado por Deus o magistério da Igreja; a ele, portanto, se deixe livre o campo, a fim de que fale como e quando creia oportuno. É dever dos outros prestar a ele, quando fala, obséquio devoto, e obedecer à sua palavra.
35. No que se refere às coisas das quais - não tendo a Sé Apostólica emitido o próprio juízo - se possa, salva a fé e a disciplina, discutir pro e contra, é certamente lícito a cada qual dar a própria opinião e sustentá-la. Mas, em semelhante discussão, se contenha de todo excesso de palavras, para que não derive graves ofensas à caridade; cada um livremente defenda a própria opinião, mas faça-o com cortesia, não creia poder acusar os outros de fé suspeita ou de disciplina faltosa, pela simples razão que ele pensa de outro modo.
36. Queremos que os nossos se guardem dos apelativos que se começou a usar recentemente para distinguir católicos de católicos; e procurem evitá-los não só como “novidades profanas de palavras”, que não correspondem à verdade, nem à justiça, mas também porque nasce entre os católicos grave agitação e grande confusão.
37. O catolicismo, no que lhe é essencial, não pode admitir o mais ou o menos: “Essa é a fé católica; quem não crê fielmente e firmemente não poderá ser salvo”; ou se professa completamente, ou não se professa. Não é, portanto, necessário juntar epítetos à profissão do catolicismo, baste a cada um dizer assim: “Meu nome é cristão, e meu sobrenome é católico”; apenas se procure ser verdadeiramente tal qual se é denominado.
38. De resto, dos nossos que se dedicaram à vantagem comum da causa católica, a Igreja pede bem outra coisa do que persistir tanto em questões que não trazem nenhum proveito; requer, ao invés, que se esforcem para conservar íntegra a fé e incólume de qualquer erro, seguindo as pegadas daquele que Cristo constituiu guardião e intérprete da verdade.
Documentos Pontifícios de Pio X e Bento XV, Tradução Darci Marin, Paulus, São Paulo, 2002, pp.309-310.