De substantiis separatis, sobre os anjos
Vc que já correu os olhos pelo Sal Terrae, certamente constatou que nunca escrevo em primeira pessoa ou opino diretamente sobre qualquer coisa, embora tudo aqui seja muito pessoal, correspondendo aos meus interesses imediatos. Por índole, e por falta de tempo e vocação, prefiro deixar que outros falem. Por isso, costumo recolher textos que me parecem aproveitáveis. Saindo um pouco da rotina, passarei a opinar sobre livros que possam ajudar na compreensão do maravilhoso pensamento de Tomás de Aquino (1225-1274).
Hoje, chamo a atenção para o De substantiis separatis(*) da Editora Sétimo Selo. Quem se interessa por Tomás, ou, conforme uma expressão de D. Odilão Moura, quem é “fã de Santo Tomás” tem muito motivo para alegrar-se com a publicação. O texto foi cuidadosamente vertido do Latim ao Português por Luiz Astorga. Testemunhou-me um amigo, de quem Astorga é padrinho de casamento, acerca da perseverança e dedicação quase monásticas do tradutor. O resultado é excelente.
O trabalho é primoroso sob vários aspectos: a apresentação é do Professor Doutor Paulo Faitanin, da UFF, que confere à obra a merecida “chancela acadêmica”. O texto vem acompanhado de notas de tríplice autoria: do tradutor, do editor e do revisor. A edição aproveita também as notas da tradução de Francis Lescoe, Traetise on separated substances, West Hartford, Connecticut, 1959. Pela natureza do tratado, e tendo em vista o público a ser atendido, a edição bilíngüe era imprescindível. Os Editores decidiram-se acertadamente colocando o texto latino a fronte.
Basta o leitor correr os olhos pelo índice do De substantiis separatis para sentir-se atraído e instigado.
Nada mais direi: a curiosidade do futuro leitor o impelirá até a obra. Antecipo, porém, que o texto é exigente, como exigentes são as coisas que subtraem o homem da miséria de ser filho de seu tempo.
* Sobre os anjos, De substantiis separatis. Tomás de Aquino. Sétimo Selo. 229 pp., Rio de Janeiro, 2006.