O Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade quer dos Bispos quer da multidão dos fiéis.
Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 23
Omayr José de Moraes Júnior
julho 30th, 2008
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O Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade quer dos Bispos quer da multidão dos fiéis.
Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, 23
Omayr José de Moraes Júnior
julho 28th, 2008
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Ismália
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
Omayr José de Moraes Júnior
julho 28th, 2008
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O integrismo é, por si mesmo, um abuso de confiança cometido em nome da verdade: quer dizer, é a pior ofensa à verdade divina e à inteligência humana. Apodera-se de fórmulas verdadeiras que esvazia de seu conteúdo e que põe a congelar no refrigerador de uma inquieta polícia dos espíritos.
(MARITAIN, Jacques: O Camponês de Garrona, trad Lisboa, União gráfica, p.195 apud MOURA, Odilão. Idéias católicas no Brasil. Direções do pensamento católico do Brasil no século XX, Editora Convívio, São Paulo, 1978, p. 217)
Omayr José de Moraes Júnior
julho 27th, 2008
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A posição integrista assemelha-se à farisaica dos tempos de Cristo. Não se veja, entretanto, neste relacionamento, conotação com a atitude moral dos fariseus, isto é, hipocrisia, mas somente sua posição interpretativa da lei, rígida e ininteligente,
O erro fundamental do integrismo é os seus sequazes não distinguirem entre o que é essencial e o que é acidental na doutrina, na liturgia e na pastoral. Falta-lhes a sensibilidade intelectual para perceber os diversos matizes das realidades espirituais. Aderem à religião sem grande perspicácia – não obstante haver entre eles teólogos de muita cultura e que raciocinam conforme as regras da lógica -, mais por um ato forte da vontade que por penetração intelectual. Por isso, são seguidores superfidelíssimos das normas morais, escrupulosos observadores das leis eclesiásticas, exemplos de vida religiosa mecanicamente vivida, razão por que sem embargo da retíssima intenção que lhes dirige as ações, parecem desumanos, não compassivos, duros, desagradáveis.
O defeito primeiro dos integristas não está na vontade em si, mas na vontade mal orientada por uma inteligência não lúcida. O defeito inicial é da inteligência.
Por isso, o integrismo não distingue entre tradição divina – a Palavra de Deus transmitida aos homens – e tradição eclesiástica, doutrinas teológicas, costumes dos católicos, ritos litúrgicos etc., de origem humana e transmitida aos católicos. Enquanto a tradição divina é eterna, imutável, da qual o Magistério Eclesiástico é depositário, conservador, intérprete e esclarecedor, a tradição eclesiástica pode ser conservada ou abolida, modificada ou interpretada, e até criada, pelo mesmo Magistério. Entre os fariseus também as “tradições dos homens” identificavam-se com a Lei.
Da indistinção entre o essencial e o acidental, decorrem muitas teses e atitudes que, em geral, são defendidas pelos integristas: a Idade Média é a única civilização adequada ao Evangelho, a monarquia hereditária é o único regime cristão político, a batina é indispensável ao Padre, o celibato é intrínseco ao sacerdócio, só a Missa de São Pio V é válida, tudo na sociedade atual é obra do demônio, o latim é a única língua que deve ser usada na Liturgia, os ritos dos sacramentos são imutáveis, o Concílio Vaticano II está carregado de erros etc.
(…)
Enquanto a atitude integrista é uma defesa pouco inteligente do sagrado, o progressismo é uma libertação tresloucada do mesmo. Naquela, o humano é confundido com o sobrenatural; nesta, o sobrenatural é anulado pelo humano. O imanentismo perpassa todas as idéias progressistas. É o império do Homem. Tudo existe em função do Homem. O próprio Deus. Deus seria uma espécie de assessor do Homem. Realizando-se o Homem no fluxo inflexível do tempo, na História, tudo subordinase às aspirações e necessidades do Homem: o Dogma, a Liturgia, a estrutura essencial da Igreja, a moral e a própria verdade. O progressismo é, em geral, irenista e eclético.
Reagindo ao formalismo e ao ritualismo existentes em fase anterior à nossa, na Igreja, ao tradicionalismo rotineiro e cego, ao ensino da doutrina compendiada em livros repetidores de fórmulas escolásticas mal assimiladas, ele, na busca de uma libertação de tudo isso, saiu de órbita.
Não se satisfazendo com uma religião destituída de compreensão inteligente, os progressistas, na tentativa de esclarecimentos mais lúcidos para a fé, esquecendo ou desprezando a verdadeira tradição teológica da Igreja, buscam – bem intencionados ou não – as luzes para aquele esclarecimento, nas filosofias e ideologias mais sugestivas no momento, mesmo que elas contradigam a Fé.
O modernismo, que pretendeu explicar a fé pela metafísisa kantiana ou bergsoniana; a nova teologia, que visava encontrar aquela explicação pelas idéias existencialistas; o teilhardismo; as correntes atuais conciliadoras dos princípios cristãos com as elucubrações de Heidegger e com o marxismo – são correntes progressistas.
O progressismo, como o integrismo, deriva de uma corrupção intelectual. Enquanto naquele essa deturpação leva a uma visão limitada da Igreja e das suas exigências, neste, no progressismo, há uma visão exorbitante. Para o progressista, não há normas: nem para o raciocínio, nem para a moral, nem para a sociedade. E o império da arbitrariedade.
As duas correntes – a integrista e a progressista – estão aqui descritas em suas formas puras. Há, certamente, entre essas duas formas opostas e antagônicas de catolicismo disvirtuado, muitas correntes que se aproximam mais ou menos de uma ou de outra.
(*) Título é meu.
FONTE: Idéias católicas no Brasil: Direções do pensamento católico do Brasil no século XX. Editora Convívio, São Paulo, 1978, pp. 205-207.
Omayr José de Moraes Júnior
julho 25th, 2008
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Vc que já correu os olhos pelo Sal Terrae, certamente constatou que nunca escrevo em primeira pessoa ou opino diretamente sobre qualquer coisa, embora tudo aqui seja muito pessoal, correspondendo aos meus interesses imediatos. Por índole, e por falta de tempo e vocação, prefiro deixar que outros falem. Por isso, costumo recolher textos que me parecem aproveitáveis. Saindo um pouco da rotina, passarei a opinar sobre livros que possam ajudar na compreensão do maravilhoso pensamento de Tomás de Aquino (1225-1274).
Hoje, chamo a atenção para o De substantiis separatis(*) da Editora Sétimo Selo. Quem se interessa por Tomás, ou, conforme uma expressão de D. Odilão Moura, quem é “fã de Santo Tomás” tem muito motivo para alegrar-se com a publicação. O texto foi cuidadosamente vertido do Latim ao Português por Luiz Astorga. Testemunhou-me um amigo, de quem Astorga é padrinho de casamento, acerca da perseverança e dedicação quase monásticas do tradutor. O resultado é excelente.
O trabalho é primoroso sob vários aspectos: a apresentação é do Professor Doutor Paulo Faitanin, da UFF, que confere à obra a merecida “chancela acadêmica”. O texto vem acompanhado de notas de tríplice autoria: do tradutor, do editor e do revisor. A edição aproveita também as notas da tradução de Francis Lescoe, Traetise on separated substances, West Hartford, Connecticut, 1959. Pela natureza do tratado, e tendo em vista o público a ser atendido, a edição bilíngüe era imprescindível. Os Editores decidiram-se acertadamente colocando o texto latino a fronte.
Basta o leitor correr os olhos pelo índice do De substantiis separatis para sentir-se atraído e instigado.
Nada mais direi: a curiosidade do futuro leitor o impelirá até a obra. Antecipo, porém, que o texto é exigente, como exigentes são as coisas que subtraem o homem da miséria de ser filho de seu tempo.
* Sobre os anjos, De substantiis separatis. Tomás de Aquino. Sétimo Selo. 229 pp., Rio de Janeiro, 2006.
Omayr José de Moraes Júnior
julho 24th, 2008
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Sucede, porém, que alguém se envergonhe dos opróbrios que lhe são inferidos por conta da virtude que possui, mas isso provém da imperfeição da sua virtude: porque quanto mais virtuoso é alguém, tanto mais despreza os bens e males exteriores. Donde dizer Isaías: “não temais os opróbrios dos homens”. (Tomás de Aquino, Suma de Teologia,
II-II, q.144, a.2 ad1)Ex imperfectione autem virtutis contingit quod aliquis verecundetur de opprobriis quae sibi inferuntur propter virtutem, quia quanto aliquis est magis virtuosus, tanto magis contemnit exteriora bona vel mala. Unde dicitur Isaiae li, “noli timere opprobrium hominum”.
Omayr José de Moraes Júnior
julho 21st, 2008
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Os atos de virtude realizados com pouca caridade têm valor meritório débil e remisso por mais duros e penosos que sejam. Por outro lado, os atos de virtude realizados com forte afeto e caridade têm grande valor meritório e perfeição, por mais fácies e simples que sejam. Por isso, a menor ação de Cristo ou de Maria tinham valor incomensuravelmente maior que o martírio de qualquer Santo. Pois, para o mérito e a virtude importa mais o bem que a dificuldade; assim, nem sempre o mais difícil é o mais meritório: é preciso que seja também o melhor (Tomás de Aquino. II-II, q.27, 8; III Sent. d.30, a.3 et 4 ad 3; De virtutibus q.2, a.8 ad4)
Omayr José de Moraes Júnior
julho 16th, 2008
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http://www.youtube.com/watch?v=LB4CehJEK8A
Omayr José de Moraes Júnior
julho 13th, 2008
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Biblioteca Virtual das Ciências da Linguagem no Brasil, com textos de referência para a história do conhecimento lingüístico no Brasil, disponível no endereço http://www.labeurb.unicamp.br/bvclb
Omayr José de Moraes Júnior
julho 12th, 2008
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Leonardo Boff, pseudônimo de Genésio Darci Boff (1938).
Publicou vários livros sobre a Teologia da Libertação, entre eles o best-seller “A Águia e a Galinha” (Editora Vozes, Petrópolis, 208pp).