Deus não fracassou (Bento XVI)


A saudação do Anjo [a Maria] é tecida com fios do Antigo Testamento, especialmente do profeta Sofonias. Ele faz ver que Maria, humilde mulher de província que vem de uma estirpe sacerdotal e traz em si o grande património sacerdotal de Israel, é “o resto santo” de Israel ao qual os profetas, em todos os períodos de dificuldade e de trevas, fizeram referência. Nela está presente o verdadeiro Sião, a morada pura e viva de Deus. O Senhor habita nela, e nela encontra o lugar do seu repouso. Ela é a casa viva de Deus, que não habita em edifícios de pedra, mas no coração do homem vivo. Ela é o rebento que, na obscura noite invernal da história, brota do tronco abatido de David. É nela que se cumpre a palavra do Salmo: “A terra produziu o seu fruto” (67, 7). Ela é o botão do qual deriva a árvore da redenção e dos redimidos. Deus não fracassou, como podia parecer já no início da história com Adão e Eva, ou durante o período do exílio babilónico, e como novamente parecia no tempo de Maria, quando Israel se tornou definitivamente um povo sem importância, numa região ocupada, com poucos sinais reconhecíveis da sua santidade. Deus não fracassou. Na humildade da casa de Nazaré vive o Israel santo, o resto puro. Deus salvou e salva o seu povo. Do tronco abatido resplandece de novo a sua história, tornando-se uma nova força que orienta e impregna o mundo. Maria é o Israel santo; ela diz “sim” ao Senhor, coloca-se plenamente à sua disposição e assim torna-se o templo vivo de Deus.

(Imaculada, 8 dezembro de 2005)

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