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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 31st, 2007

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Padre Vieira: Só vos digo que invoqueis o nome de Maria …

Na ocasião em que Sua Santidade instituiu a festa universal do mesmo Santíssimo Nome

Só vos digo que invoqueis o nome de Maria quando tiverdes necessidade dele: quando vos sobrevier algum desgosto, alguma pena, alguma tristeza: quando vos molestarem os achaques do corpo, ou vos não molestarem os da alma: quando vos faltar o necessário para a vida, ou despejardes o supérfluo para a vaidade: quando os pais, os filhos, os irmãos, os parentes se esquecerem das obrigações do sangue: quando vo-lo desejarem beber a vingança, o ódio, a emulação, a inveja: quando os inimigos vos perseguirem e os amigos desampararem, e de onde semeastes benefícios, colherdes ingratidões e agravos: quando os maiores vos faltarem com a justiça, os menores com o respeito, e todos com a proximidade: quando vos inchar o mundo, vos lisonjear a carne, e vos tentar o demônio, que será sempre e em tudo: quando vos virdes em alguma dúvida, ou perplexidade, em que vos não saibais resolver, nem tomar conselho: quando vos não desenganar a morte alheia, e vos enganar a própria, sem vos lembrar a conta de quanto e como tendes vivido, e ainda esperais viver: quando amanhecer o dia, sem saberdes se haveis de anoitecer, e quando vos recolherdes à noite, sem saber se haveis de chegar a manhã: finalmente, em todos os trabalhos, em todas as aflições, em todos os perigos, em todos os temores, e em todos os desejos e pretensões, porque nenhum de nós conhece o que lhe convém: em todos os sucessos prósperos ou adversos, e muito mais nos prósperos, que são os mais falsos e inconstantes: e em todos os casos e acidentes súbitos da vida, da honra, da fazenda e principalmente nos da consciência, que em todos anda arriscada, e com ela a salvação. E como todas estas coisas, e cada uma delas necessitamos de luz, alento e remédio mais que humano; se em todas e cada uma recorremos à proteção e amparo da Mãe das misericórdias, não haverá dia, nem hora, nem momento, que não invoquemos o nome de Maria.

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 30th, 2007

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Sensatez romana: a malícia (do menor) acrescenta idade

MALITIA (MINORIS) SUPPLET AETATEM

e também:

NON SIT AETATIS EXCUSATIO ADVERSUS PRAECEPTA LEGUM EI, QUI, DUM LEGES INVOCAT, CONTRA EAS COMMITIT (Trifônio)

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 30th, 2007

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Maioridade? A influência do Direito Romano

A influência do direito [romano] será tão forte que no século XVI a idade da maioridade, que era de doze anos para as moças é de catorze para os rapazes, se encontra modificada para a mesma idade fixada em Roma, isto é, vinte e cinco anos (em Roma, a maioridade quase não contava, pois o poder do pai sobre os filhos continuava efectivo enquanto durasse a vida daquele). Era uma nítida regressão em relação ao direito consuetudinário, que permitia ao filho adquirir muito jovem uma verdadeira autonomia, sem que, por esse facto, a solidariedade da família lhe fosse retirada. Nesta estrutura, o pai tinha uma autoridade de administrador, e não de proprietário: não tinha o poder de deserdar o filho mais velho, e era o costume que, nas famílias nobres ou plebeias, regulava a devolução dos bens, num sentido que mostra bem, aliás, o poder que a mulher conservava sobre o que lhe pertencia particularmente: no caso de um casal ter morrido sem herdeiros diretos, os bens que provinham do pai iam para a família do lado paterno, mas os que provinham da mãe voltavam para a família do lado materno, segundo o adágio bem conhecido do direito consuetudinário: “paterna paternis”, “materna maternis”.

No século XVII, já, verifica-se uma profunda evolução nesse ponto de vista: os filhos, considerados menores até aos vinte cinco anos, continuam sob o poder paterno e o carácter da propriedade que tende a tornar-se o monopólio do pai continua a afirmar-se. O Código de Napoleão dá uma última ajuda a este dispositivo e concede um sentido imperativo às tendências que tinham começado a afirmar-se desde o fim da época medieval. Recordemos que somente no século XVII a mulher toma obrigatoriamente o nome do marido; e, também, que é só com o Concílio de Trento, portanto na segunda metade do século XVI, que o consentimento dos pais se torna necessário para o casamento dos filhos (…)

PERNOUD, Régine: em O mito da Idade Média.

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 28th, 2007

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O interesse da Igreja na catequese dos índios

A MOTIVAÇÃO DO MISSIONÁRIO

Vejamos uma afirmação equívoca que se costuma propalar: “O interesse da Igreja na catequese dos índios na América era o da exploração comercial”. Apelemos para o bom senso. Imagine-se o leitor na pele de um jesuíta ou um franciscano, na Europa do século XVI. “Você é uma pessoa de inteligência e capacidade marcadamente acima da média, porque antes de ser admitido à Ordem teve que passar por testes rigorosíssimos em que a maior parte dos candidatos sucumbiu. Por ideal, por vocação, por Deus, você renunciou a tudo: renunciou à vontade própria pelo voto de obediência; renunciou ao santo e legítimo direito de constituir família pelo voto de castidade; renunciou aos bens da fortuna pelo voto de pobreza. Estudou, e estudou muito, durante anos e anos: filosofia, teologia, hermenêutica, pastoral. Pois bem, agora o seu superior o chama e lhe diz: “Você vai partir para a América, para o interior do Brasil, para os sertões do Paraguai ou para a longínqua Califórnia. Terá de fazer uma viagem por mar em que a probabilidade de morrer em um naufrágio, ou torturado por corsários calvinistas, ou escravizado por piratas árabes, é de mais ou menos cinqüenta por ano. Vai abrir uma missão onde os indígenas já mataram três antecessores seus. Se sobreviver ao primeiro contato com eles, terá que aprender a língua dos selvagens e passar o resto da vida catequizando-os, enquanto mora em uma choupana, só, passando fome e frio, enfrentando onças e serpentes, esquecido pelos outros homens. Mas, coragem! No futuro essa missão irá prosperar, tornando-se um entreposto comercial que trará muito lucro. Você não irá receber um tostão, é claro, por que, além de ter feito voto de pobreza, provavelmente já terá morrido… Mas os futuros comerciantes brasileiros, portugueses ou italianos lucrarão às suas custas, e isso é o que importa”… Caro leitor: esses argumentos convencê-lo-iam a vir para a América e a dedicar-se de corpo e alma à evangelização? No entanto, eles vieram. Sofreram mais de cem naufrágios em cinqüenta anos, mas persistiram em vir. Morreram tragados pelas ondas, ou em epidemias, ou às mãos dos corsários, mas continuaram chegando em número cada vez maior. “Apenas no período de 1686 a 1727, cento e treze jesuítas que partiram da Espanha encontraram a morte em naufrágios. Muitos outros foram vítimas de epidemias e de corsários”1. Vencido o oceano, enfrentaram nas selvas perigos tão atrozes que fizeram muitos deles fugir2: “Os relatos descrevem missionários atravessando montanhas abruptas, florestas densas ou desertos sinistros, rios cortados por corredeiras onde as pirogas se chocam contra os escolhos. Na bacia do Paraná e do Uruguai, surgem a floresta tropical, as chuvas torrenciais, os pântanos, o calor úmido, “todos os insetos e pragas que a vingança de Deus enviara ao Egito”. [...] Muitas vezes é preciso atravessar rios a pé. Conta-se que o Padre Lorenzana estava com água até o pescoço e, para se dar coragem, cantava a plenos pulmões que nada supera a busca de Cristo: “No hay tal andar como buscar a Cristo, no hay tal andar como a Cristo buscar”. E o padre Montoya, roubado pelos carregadores e abandonado na selva sob a chuva torrencial, conta que se deitou sob uma árvore para passar a noite: “A água que corria pelo chão servia-me de leito, e a que caía do céu de cobertor”1. Que promessas de incertos lucros futuros poderiam levar uma pessoa a suportar esses sofrimentos? Que vantagens comerciais motivariam alguém a cantar assim? Depois, quando chegavam aos índios que procuravam converter, eram freqüentemente recompensados com o martírio, às vezes acompanhado de requintes de crueldade, como sucedeu ao padre Blas da Silva: “O padre Blas da Silva, tendo caído nas mãos dos paiguás, foi despido pelos bárbaros. O cacique adornou-se com as vestimentas sacerdotais e parodiou as cerimônias da religião católica, abusando do cálice para as suas bebedeiras. Como o jesuíta, encolerizado, os ameaçasse com todos os castigos do céu, ele bateu-lhe com o cálice sagrado na boca tão violentamente que fez saltar vários dentes. O missionário, no entanto, continuou a ameaçá-lo e a exortá-lo, até que o pagão, exasperado, o matou a socos”2. Vamos supor, porém, que chegassem a voltar aos céus conventos de origem: “A saúde daqueles que voltam está minada pelo paludismo, pela disenteria, por febres de todo o tipo; o corpo está amortecido por feridas, quedas, sanguessugas, mordidas de serpentes, larvas que se instalaram entre a carne e a pele e que tiveram de ser extirpadas com pontas de ferro. O rosto está corroído pela barba e pelo sol, dilacerado pelos galhos, comido por mosquitos, moscardos, abelhas, moscas que sugam o sangue, magro de fome e de insônia. A Alma está engrandecida por Ter tocado ao mesmo tempo o céu e o inferno. Amedrontados, seus companheiros mal ousam reconhecê-los, mas os recém-chegados jogam-se nos seus braços chorando de alegria se, nessa busca pelas trevas e pelo sofrimento, conseguiram arrancar algumas almas, algumas famílias, por vezes toda uma tribo, às garras de Satanás”3. Mesmo assim, o esforço heróico dos missionários foi adiante, sem interrupção e sem desânimos. Aos primeiros desbravamentos, seguiu-se o esforço cotidiano, silencioso e sem fim, de educar e formar na fé as sucessivas gerações. Ao lado de um Nóbrega e de um Anchieta, quem conhece os nomes de um Leonardo Nunes, um Antônio Pires, um João de Azpicuelta Navarro, que foram os seus companheiros? E das centenas e centenas de outros, sacerdotes e leigos, religiosos e seculares, graças aos quais recebemos em herança o legado precioso da fé? É monumental esse esforço, individual e coletivo, reconhecido ou não. Que força pode tê-lo motivado e sustentado, senão uma fé viva e ardente? Converter as almas que custaram o preço do sangue de Cristo… Trazer ovelhas para o redil da Santa Igreja… Ser mártir… Isso era o que movia a alma dos homens de fé daqueles tempos. Isso forjou um Junípero Serra, um Toríbio de Benavente, um São Luís Beltrão, um São Pedro Claver, um José de Anchieta!… Nós talvez não tenhamos os mesmos ideais de heroísmo. Mas não neguemos aos que os tiveram esse direito. Saibamos compreender, e quem sabe? Admirar”.

FAUSTINO, EVANDRO “500 ANOS. REFLEXÕES SOBRE A EVANGELIZAÇÃO”, Quadrante, São Paulo 2000, 70 pp, pp. 16-20.

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 27th, 2007

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Breve cronologia (1170-1274)

Do nascimento de São Domingos
até a morte de Santo Tomás de Aquino

1170
Nasce em Caleruega Domingos de Guzmán, fundador da Ordem dos Pregadores.
1177
Raimundo V, conde de Toulouse, solicita auxílio, a Luís VII, contra os cátaros.
1179
III Concílio de Latrão, 11o ecumênico.
1180
João de Salisbury, que chegou a ser chamado de vir plebeius et indoctus, bispo de Chartres, e escreveu o Policraticus e o Metalogicus.
Condenação dos Valdenses
Felipe Augusto, rei de França (até 1223)
1182
Nasce Francisco de Assis.
Saladino toma Edessa
1184
Lúcio III: Ad abolendam institui a inquisição episcopal
O Concílio de Verona excomunhão dos valdenses, que se aproximam dos cátaros no sul da França.
1190
Moisés Maimônides: Moreh nevukhin, O guia dos perplexos.
1187
+Gerardo de Cremona, tradutor de Aristóteles
Batalha do lago de Tiberíades: Saladino toma Jerusalém.
Abadia de Fossanova, gótico cisterciense na Itália (até 1208)
1189
Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra (até 1199)
III Cruzada (até 1196)
+Frederico Barba Ruiva
1190Henrique V, imperador (1197)
Fundação dos Cavaleiros teutônicos.
Joaquim da Fiore, cistenciense, prevê para 1260 o fim do mundo.
1191
Conquista de são João d’Acre pelos cruzados.
1192
Cencio: Liber Censuum.
1194
Nasce Frederico II
1196
Samuel ibn Tibbon, no Languedoc, traduz as obras árabes de Maimônides.
1198
Inocêncio III, papa.
+ Averróis (Abou al-Walid ibn Ruschd), aos setenta e dois anos.
1199
Roberto Grosseteste leciona em Oxford.
João Sem Terra, rei da Inglaterra (1216)
1200
Felipe Augusto concede os primeiros privilégios da universidade de Paris. Roberto de Courson (1210-15), em 1219 por Honório III e em 1231 por Gregório IX.
1202
IV cruzada (até 1204)
+Joaquim da Fiore.
1203
Os cruzados da IV cruzada tomam Constantinopla.
1204
Inocêncio III pede a Felipe Augusto auxílio contra os cátaros.
+Moisés Maimônides aos sessenta e nove anos.
Império latino se Constantinopla (1261).
1207
ca. Nasce Alberto Magno em Lauingen (Suábia).
Domingos de Guzmán prega no Languedoc contra os cátaros.
1208
Inocêncio III reconhece a corporação de mestres da universidade de Paris.
Os cátaros matam Pedro de Castelnau, legado pontifício.
1209
Primeira cruzada contra os cátaros (até 1215)
1210
Inocêncio III confirma a obra de Francisco de Assis e seus companheiros, e os autoriza a pregar.
Em Paris, o concílio provincial reunido sob a direção de Pedro Corbeil, arcebispo de Sens, lança a primeira censura eclesiástica às obras de Aristóteles: nec libri Aristotelis de naturali philosophia nec commenta legantur Parisius publice vel secreto, et hoc sub poena excommunicationis.
1212
Cruzada das “crianças,” composta de milhares de miseráveis da região de Paris, da renânia e da Itália do norte.
Fundação das clarissas.
Frederico II, rei da Sicília.
Vitória dos cristãos em Las Navas de Tolosa.
1213
Batalha de Muret: Simon de Monfort vence Raimundo VI.
1214
Luís IX
Primeiros privilégios para a universidade de Oxford.
Batalha de Bouvines: vitória francesa sobre os ingleses.
1215
IV Concílio de Latrão, 12 ecumênico.
Em Toulouse, Domingos de Guzmán obtém aprovação diocesana do seu grupo de pregadores (abril)
Inocêncio III confirma a obra de Domingos de Guzmán (outubro)
Em Paris, o legado pontifício Robert de Courson promulga novos estatutos para universidade e reedita as censuras de 1210 aos libri naturales de Aristóteles.
Roberto Grosseteste, bispo de Linconl.
1216
+Inocêncio III.
Honório III confirma a ordem dos Pregadores (22 de dezembro).
Henrique III, rei da Inglaterra (1272)
1217
Honório III aprova formalmente o nome da Ordo Praedicatorum (17 de janeiro).
Domingos de Guzman envia quatro frades a Espanha e sete a Paris (15 de agosto): primeira casa dominicana em Paris (setembro).
V Cruzada (até 1222)
Segunda investida contra os cátaros (até 1219)
Juda de Regensburg: Sefer Hasidim.
1218
Mateus de França, antigo companheiro de Domingos de Guzman, abre em Saint-Jacques a primeira casa dos Pregadores em Paris.
Em Bolonha, fundação do priorado dominicano.
1219
Os franciscanos instalam-se em Paris. Honório III: proíbe o ensino do Direito civil em Paris.
Francisco de Assis segue para pregar em Creta, Chipre, Acre e Damieta.
1220
Em Bolonha, o primeiro capítulo geral da ordem dos Pregadores sob presidência de Domingos de Guzman (até 1370 os capítulos gerais serão anuais).
Em Paris, o mestre em teologia João de Santo-Albano começa a ensinar no priorado dominicano, agregando o respectivo studium à universidade.
Guilherme de Auxerre: Summa aurea.
Frederico II, imperador (até 1250).
Alexandre de Hales, mestre em teologia em Paris.
1221
+ Domingos de Guzman (6 de agosto). Os dominicanos contam com 60 conventos em oito províncias.
Regra non bullata dos franciscanos primeira codificação legislativa da Ordem.
Em Oxford, Gilberto de Fresney e doze frades dão início ao priorado dominicano.
1222
Jordão da Saxônia,mestre da OP.
Francisco de Assis prega coram universitate em Bolonha.
Alberto Magno inicia seus estudos em Bolonha. No ano seguinte, transfere-se para Pádua e toma o hábito dominicano.
1223
Honório III aprova formalmente a Regra franciscana.
Em Paris, Alexandre de Hales, franciscano, introduz no ensino o comentário às Sentenças de Pedro Lombardo.
Luís VIII, rei de França (até 1226)
Frederico II casa-se com a filha do rei de Jerusalém
1224
Frederico II erige a universidade de Nápoles.
Raimundo Peñafort: Summa de casibus.
Roberto Gosseteste, chanceler de Oxford (até 1235)
1225
Honório III condena o De divisione naturae de João Scot Erígena.
1226
+Francisco de Assis (3 de outubro)
Luís IX, rei de França (até 1270)
Honório III aprova a regra dos eremitas do monte Carmelo.
Terceira cruzada contra os cátaros (até 1229).
Catedral de Burgos (até 1260)
1227
Gregório IX excomunga Frederico II (agosto)
1228
Alberto Magno, mestre em teologia em Colônia.
VI Cruzada.
Gregório IX excomunga Frederico II (a pena é suspensa em 1230). Canonização de Francisco de Assis
Guilherme d’Auvergne, bispo de Paris.
1229
Em Paris, Rolando de Cremona inaugura a primeira cátedra de teologia dos dominicanos.
Início da greve geral dos mestres e estudantes da universidade de Paris (até 1231).
Gregório IX erige a universidade de Toulouse.
Tratado de Paris que põe fim à primeira fase do conflito com os cátaros.
Frederico II entra solenemente em Jerusalém e proclama-se rei.
Paz de Ceprano entre Gregório IX e Frederico II.
Gregório IX: bula Quo elongati procura regular o uso de bens pelos franciscanos.
1230
Em Paris, João de Santo Egídio inaugura a segunda cátedra de teologia dos dominicanos.
Reunião dos reinos de Leão e de Castela.
A Ordem Teutônica conquista a Prússia.
1231
Gregório IX: Parens scienciarum (13 de abril) confirma os privilégios da universidade de Paris e interdita os libri naturales de Aristóteles quousque examinati fuerint, et ab omni errorum suspicione purgati.
Alexandre de Hales ingressa nos franciscanos.
+Guilherme de Auxerre.
Frederico II promulga as constituições de Melfi.
Constituições de Melfi organizam o reino da Sicília.
1233
Gregório IX: Decretais.
Gregório IX concede o licentia ubique docendi aos graduados da universidade de Toulouse.
1234
canonização de Domingos de Guzmán.
Raymundo Peñafort: Decretum Gregorii
Luís IX casa-se com Margaret de Provença.
+ Miguel Scot, tradutor de Aristóteles.
1235
Roberto de Grosseteste, chanceler da universidade de Oxford.
1236
Guilherme de Saint-Amour, mestre em Paris.
Jordão de Saxe em Nápoles seguindo caminho para a Terra Santa.
+Felipe o Chanceler.
1237
Frederico II vence as cidades da Itália do Norte em Cortenuova.
Nasridas: última dinastia árabe de Granada (até 1492)
1238
Raimundo Peñafort, mestre geral dos Pregadores (até 40).
Eleazar de Worms: fixação da doutrina Hassidim.
1239
Gregório IX excomunga Frederico II pela segunda vez.
1240
Alberto Magno chega a Paris.
Roberto de Grosseteste: tradução da Ethica de Aristóteles.
1241
Condenação de 10 artigos contrários à fé na Faculdade de Teologia de Paris.
Raimundo Peñafort, canonista, revisa as primitivas constituições da ordem dos Pregadores.
+Honório IX: segue-se 18 meses de interregno pontifício.
1242
Alberto Magno, mestre-regente em Paris (até 48).
Boaventura, mestre em Artes.
Em Avignonnet, o partido cátaro de Montségur mata Guilherme Arnaud, inquisidor de Toulose. Reinício da guerra. A queda de Montségur será a resposta a este massacre.
1243
Inocêncio IV, papa (1254).
Boaventura ingressa nos franciscanos.
Inocêncio IV interdita na universidade de Toulouse os libri naturales de Aristóteles quousque examinati fuerint, et ab omni errorum suspicione purgati.
Perda definitiva de Jerusalém para os cristãos.
Primeiro Concílio de Lyon, 13o ecumênico: deposição de Frederico II por motivo de perjúrio, suspeita de heresia e perturbação da paz.
VI cruzada
Queda da praça forte cátara de Montségur, após sítio de onze meses comandado por Hugo d’Arcy (março).
+Alexandre de Hales, aos sessenta e cinco anos, o Doutor irrefragável.
Sainte-Chapelle, Paris (1248)
1245
Concílio de Lyon depõe Frederico II.
Inocêncio IV estende à universidade de Toulouse as restrições aos libri naturales de Aristóteles.
Bula Ordinem vestrum sobre o uso de bens pelos franciscanos.
Fredeerico II expusla os árabes de Malta.
1248
O capítulo geral dominicano estabelece a erecção de quatro studia generales: Colônia Bolonha, Montpellier e Oxford.
Primeira cátedra dominicana em Oxford.
Boaventura, bacharel bíblico.
Tomada de Sevilha pelos castelhanos.
1249
+Guilherme d’Auvergne, aos sessenta e nove anos, mestre secular.
1250
Boaventura, bacharel sentenciário.
Termina a reconquista da Espanha (com exceção de Granada, que cairá em 1492).
+Frederico II (dezembro), o stupor mundi. Deixou um De arte venandi cum avibus, a arte de caçar com aves: início do grande interregno até 1273.
Tomás de Celano: Dies irae
Jacopone de Todi: Stabat Mater
Jacopo de Varazze: Legenda aurea
1251
Roger Bacon em Paris.
+João de Wildeshausen, o Teutônico.
1253
Boaventura, mestre em teologia: ensina em Paris até 56.
Greve da universidade de Paris.
+Miguel Scot, tradutor de Aristóteles.
+Roberto Grosseteste.
+ Clara de Assis
1254
Inocêncio IV: bula Etsi animarum que restringe as atividades das ordens mendicantes. (21 de novembro)
+Inocêncio IV (7 de dezembro)
Alexandre IV: bula Nec insolitum (22 de dezembro) que revoga a Etsi animarum.
Gerardo de Borgo san Donnino, franciscano, publica de Joaquim de Fiore o Concordia novi et veteris testamenti e o Liber introductorius ad evangelium aeternum.
Alberto Magno, provincial da Alemanha até 57.
1255
Alexandre IV: bula Quasi lignum vitae (14 de abril) de apoio às ordens mendicantes.
Declaração Radix amaritudinis dos mestres seculares da universidade de Paris contra as ordens mendicantes.
A faculdade de Artes da universidade de Paris obtém a licença de ensinar publicamente todos os livros de Aristóteles disponíveis.
Guilherme de Saint-Amour: Libellus de periculis novissimorum temporum.
Alexandre IV condena o livro de Saint- Amour (5 de outubro) e determina sua expulsão do reino de França.
Os Pregadores contam com cerca de 13.000 membros.
Em Quéribus, queda da última praça forte cátara.
VII Cruzada.
1256
Alberto Magno defende os mendicantes em Anagni.
A ordem dos Pregadores soma cerca de 13.000 membros.
1258
As “Provisões de Oxford.”
1257
Boaventura, ministro geral dos franciscanos (até 67).
1259
No capítulo geral de Valencienne Alberto Magno, Tomás de Aquino, Pedro de Tarantásia elaboram a ratio studiorum dos Pregadores.
Boaventura: Intinerarium mentis mística franciscana.
1260
Guilherme de Moerbeke: tradução da Política de Aristóteles.
Hermann o Germânico: tradução da Retórica de Aristóteles.
Nasce Mestre Eckhart
Alberto Magno, bispo de Ratisbona até 62.
+ Ibn Sahl, último grande poeta da Andaluzia árabe.
1261
Roberto Kilwardby, provincial dominicano da Inglaterra (até 72).
Miguel Paleólogo retoma Constantinopla: término dos cinquenta e sete anos de domínio latino.
1261
Urbano IV, papa.
1263
Urbano IV reedita as censuras à obra de Aristóteles.
Urbano IV estende à Igreja a festa de Corpus Christi, que desde 1264
+Hugo de Saint-Cher, aos sessenta e três anos, primeiro cardeal dominicano. Em sua Postillae in totam bibliam comentou todos os livros da Escritura.
1265
Carlos de Anjou, rei da Sicília.
Nasce Dante
1266
Guilherme de Moerbeke: tradução do Comentário às categorias de Simplício.
Pedro de Tarantasia retorna à sua cátedra em Paris.
Carlos de Anjou conquista o reino da Sicília.
1268
Alberto Magno retoma o magistério em Estrasburgo (1268), e depois em Colônia (1270)
Estevão Tempier, bispo Paris.
Boaventura: Apologia pauperum.
Guilherme de Moerbeke: tradução dos Elementos de Teologia de Proclo.
Conradino, neto de Frederico II, tenta reconquistar o reino da Sicília, e é por Carlos de Anjou na batalha de Tagliacozzo e executado em Nápoles. Fim do império dos Hohenstaufen.
1269
J. Peckham, mestre regente em Paris
1270
Alberto Magno: Quindecim problematibus
Estêvão Tempier, arcebispo de Paris, condena várias proposições: unidade do intelecto, eternidade do mundo, mortalidade das almas individuais, negação (denial) da Providência, determinismo astral (dezembro)
Egídio Romano: Os erros dos Filósofos
Guilherme de Moerbeke publica a tradução da Retórica de Aristóteles.
Início do De perfectione spiritulais vitae.
Condenação episcopal do aristotelismo radical (10 de setembro)
VII Cruzada.
Luís IX morre de cólera
1271
Tedaldo Visconti é eleito papa (não era cardeal nem sequer padre, além disso encontrava-se na Terra Santa)
Sigério de Brabante A eternidade do Mundo
Pedro de Tarantasia, arcebispo de Lyon e primaz das Gálias,
e, a seguir, cardeal-bispo de Ostia.
+Guilherme de Saint-Amour.
+Gerardo de Abeville, aos quarenta e dois anos. Legou à Sorbonne a sua biblioteca com mais de 300 volumes.
+Conradino, último descendente de Frederico II
1272
Boaventura, cardeal e bispo de Albano
J. Peckham introduz em Oxford a disputa quodlibetal
Roberto Kilwardby, arcebispo da Cantuária.
1274
+ TOMÁS DE AQUINO
Alberto Magno e Boaventura participam do concílio de Lyon.
Guilherme de Moerbeke participa do concílio de Lyon .
J. Peckham, provincial franciscano da Inglaterra.
+Boaventura, aos cinquenta e três anos, Doutor Seráfico. (15 de julho).

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 24th, 2007

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Clara cum laude notitia

A glória é efeito da honra e do louvor, porque ao testemunhar a excelência de alguém, a fazemos preclara ao conhecimento de muitos, e isto diz respeito à palavra “glória”: pois glória significa, por assim dizer, “o que é claro”. Por isso, … diz-se que a glória é o claro reconhecimento [da excelência] acompanhado do louvor.

(Tomás de Aquino, Suma de Teologia, II-II, q.103, 1 ad 3)

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 24th, 2007

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César e Catão

Lendo e ouvindo as muitas façanhas feitas pelo povo Romano na paz e na guerra, no mar e em terra, ocorreu-me o desejo de indagar que causas tornaram possivel tão grande atividade. Sabia eu que freqüentes vezes um punhado de homens se tinham batido com grandes legiões inimigas; tinham tido a oportunidade de conhecer que com recursos escassos se guerreara contra reis poderosos; que, além do mais, tivéramos com freqüência de suportar os golpes da fortuna, e que os gregos, pela eloqüência, e os gauleses, pela glória militar, estavam à frente dos Romanos.

À custa de muita reflexão, eu chegava a conclusão de que o valor eminente de uns poucos cidadãos tinha conseguido realizar tudo isso e assim se deu que a pobreza prevaleceu sobre a riqueza, a pouquidade, sobre a multidão.

Mas depois que o luxo e a ociosidade corromperam a Nação, a República, pela sua própria grandeza, foi, por sua vez, capaz de suportar os vícios dos generais e magistrados e, Roma, como se tivesse exaurida sua fecundidade, por longos anos não produziu nenhuma grande figura. Em meu tempo, porém, houve dois homens de extraordinãrio valor, de caracteres opostos: Marco Catão e Caio Cesar.

Pois bem, eles, pelo nascimento, idade, eloqüência, eram quase iguais; a mesma grandeza de alma, o mesmo desejo de glória também, mas cada um à sua maneira. À custa de favores e liberalidades granjeara César seu prestígio; Catão, pela integridade de sua vida. Aquele pela mansidão e clemência se fizera ilustre; a este a austeridade conferira o respeito. Ambos chegaram à glória: César dando, ajudando, perdoando; Catão, nada concedendo. Um era o refúgio dos infelizes, o outro a ruína dos maus. De um se louvava a condescendência, do outro a coerência. Por fim, César se propusera trabalhar, vigiar, descuidar de seus interesses para se consagrar aos interesses dos amigos; para si ambicionava uma grande missão, um exército, uma guerra diferente onde pudesse resplandecer seu valor. E Catão tinha o gosto da moderação, do dever, mas, acima de tudo, da austeridade. As armas com que lutava não eram a riqueza com os ricos nem a intriga com o intrigante, mas a coragem com o bravo, a discrição com o modesto, a integridade com o honesto. Preferia ser a parecer bom; por isso, quanto menos procurava a glória, mais ela o perseguia. Ita quo minus petebat gloriam, eo magis illum adsequebatur.

Salústio: De Coniuratione Catilinae, Sobre a conjuração de Catilina, 53-54.

Sed mihi multa legenti, multa audienti, quae populus Romanus domi militiaeque, mari atque terra praeclara facinora fecit, forte lubuit adtendere, quae res maxume tanta negotia sustinuisset. [3] sciebam saepenumero parva manu cum magnis legionibus hostium contendisse; cognoveram parvis copiis bella gesta cum opulentis regibus, ad hoc saepe fortunae violentiam toleravisse, facundia Graecos, gloria belli Gallos ante Romanos fuisse. [4] ac mihi multa agitanti constabat paucorum civium egregiam virtutem cuncta patravisse, eoque factum, uti divitias paupertas, multitudinem paucitas superaret. [5] sed postquam luxu atque desidia civitas conrupta est, rursus res publica magnitudine sua imperatorum atque magistratuum vitia sustentabat ac, sicuti effeta partu, multis tempestatibus haud sane quisquam Romae virtute magnus fuit. [6] sed memoria mea ingenti virtute, divorsis moribus fuere viri duo, M. Cato et C. Caesar. quos quoniam res obtulerat, silentio praeterire non fuit consilium, quin utriusque naturam et mores, quantum ingenio possum, aperirem.

LIV.[1] Igitur iis genus, aetas, eloquentia prope aequalia fuere, magnitudo animi par, item gloria, sed alia alii. [2] Caesar beneficiis ac munificentia magnus habebatur, integritate vitae Cato. ille mansuetudine et misericordia clarus factus, huic severitas dignitatem addiderat. [3] Caesar dando, sublevando, ignoscundo, Cato nihil largiundo gloriam adeptus est. in altero miseris perfugium erat, in altero malis pernicies. illius facilitas, huius constantia laudabatur. [4] postremo Caesar in animum induxerat laborare, vigilare; negotiis amicorum intentus sua neglegere, nihil denegare, quod dono dignum esset; sibi magnum imperium, exercitum, bellum novom exoptabat, ubi virtus enitescere posset. [5] at Catoni studium modestiae, decoris, sed maxume severitatis erat; [6] non divitiis cum divite neque factione cum factioso, sed cum strenuo virtute, cum modesto pudore, cum innocente abstinentia certabat; esse quam videri bonus malebat: ita, quo minus petebat gloriam, eo magis illum adsequebatur.

in: NOVAK, Maria da Glória: Antologia Bilíngüe de Escritos Latinos pp. 41-43.

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 23rd, 2007

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Fala, Doutor (Angélico)…

O bem da graça existente em um único homem é maior que o bem natural presente no universo inteiro.

(Tomás de Aquino, Suma de Teologia, I-II, q.113, a.9 ad 2).

Portanto, maior é a obra da justificação do ímpio, que se destina ao bem eterno da participação da natureza divina, que a criação do céu e da terra, que se destina ao bem da natureza mutável (ibid.)

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 22nd, 2007

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Cristo Redentor: milhares de protestos

Depois das alternativas do Governo que primeiro aprovou, depois se opôs e, por último, concedeu de modo definitivo a autorização necessária [para a edificação do Cristo Redentor]: depois dos milhares de protestos que hereges fizeram chegar à Câmara dos Deputados contra o projeto: depois do parecer, a nós favorável, de quase todos os jurisconsultos; depois de ter sido apresentado ao Congresso Federal um projeto de subvenção que levava a assinatura de todos os leaders e da maioria absoluta: depois do movimento de simpatia com que a imprensa e o povo do Brasil inteiro receberam a idéia do monumento, depois de quanto se disse e se escreveu a respeito, esse projeto constitue para a Igreja uma questão de honra em que está em jogo o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.

D. Sebastião Cardeal Leme (+1942), arcebispo do Rio de Jeneiro

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Omayr José de Moraes Júnior

Date

agosto 22nd, 2007

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Osama bin Laden

O ÚNICO FILHO de Mohammed bin Laden e Alia nasceu em Riad em janeiro de 1958, e recebeu o nome de Osama, “o Leão”, em homenagem a um dos companheiros do profeta. Quando tinha seis meses, a família estendida inteira mudou-se para a cidade sagrada de Medina, onde Bin Laden estava começando a restauração da mesquita do Profeta. Durante quase toda a infância, porém, Osama viveu em Jidá. Ainda que seu pai fosse agora próspero e estimado, a família ocupava uma casa grande e decrépita em Al-Amariyya, bairro modesto com lojas pequenas e roupas dependuradas em varais nas sacadas.

Osama passou seus primeiros anos em meio a um bando de crianças na residência do pai. Mohammed administrava a família como uma corporação, cada esposa respondendo por sua divisão.

Osama curtia televisão, especialmente filmes de faroeste. Bonanza era seu programa favorito, e ele adorava Fúria, seriado sobre um menino e seu sedoso garanhão preto. Nas manhãs de verão, após a oração do amanhecer, os meninos jogavam futebol. Osama era um jogador normal que poderia ter sido melhor se tivesse se concentrado no esporte. Mas sua mente vivia distante.

Após a morte de Mohammed bin Laden, o curador enviou a maior parte dos filhos para estudar no Líbano. Somente Osama permaneceu na Arábia o que o marcaria para sempre como um dos filhos mais provincianos de Bin Laden, conquanto estudasse na melhor escola de Jidá, chamada Al-Thagr, na estrada para Meca. O rei Faisal criara a escola, no início da década de 1950, para a educação de seus próprios filhos. Mesmo sendo uma escola pública gratuita, seguia padrões elevadíssimos,

(…)

Osama fazia parte de uma turma de 68 alunos, dos quais apenas dois eram membros da família real. Cinqüenta de seus colegas de turma chegaram ao doutorado. “Ele era um aluno normal, não excelente’, contou Ahmed Badeeb, professor de ciências de Osama por três anos. A vida desses dois homens, Bin Laden e Badeeb, se entrelaçaria de formas inesperadas no futuro: Bin Laden foi atraído pela jihad, e Badeeb tornou-se membro do serviço de inteligência saudita.

Aos catorze anos, Osama viveu um despertar religioso e político. Alguns atribuem a mudança a um carismático professor de ginástica da escola, sírio, membro da Sociedade dos Irmãos Muçulmanos. Osama parou de assistir a filmes de caubóis. Fora da escola, recusava-se a usar trajes ocidentais. Às vezes, sentado diante da televisão, chorava com as notícias da Palestina. “Nos anos de adolescência, continuou o mesmo garoto bom” sua mãe mais tarde relatou. “Mas ele estava mais preocupado, triste e frustrado com a situação na Palestina em particular, e no mundo árabe e muçulmano em geral.” (…) Começou a jejuar duas vezes por semana, às segundas e quintas-feiras, seguindo o exemplo do profeta. Ia para a cama logo após a isha, a oração do anoitecer. Além das cinco orações diárias, regulava o despertador para a uma da madrugada e orava sozinho todas as noites.
(…)
Raramente se zangava, exceto quando questões sexuais afloravam. Quando achou que um dos meios-irmãos vinha flertando com uma empregada, Osama bateu nele. Em outra ocasião, em um café de Beirute, o amigo de um dos irmãos mostrou uma revista pornográfica. Osama deixou claro que nem ele nem os irmãos voltariam a ter qualquer contato com o rapaz. Parece que em nenhum momento da vida entregou-se aos pecados da carne, à conduta venal ou irreverente, às tentações da bebida, cigarro ou jogo. A comida pouco lhe interessava. Adorava aventuras, poesia e poucas coisas além de Deus.

A mãe de Osama observou a evolução de suas convicções religiosas com alarme. Ela confidenciou sua ansiedade à irmã mais jovem, Leila Ghanem. “No início da trajetória dele, como mãe, ela ficou muito preocupada” contou sua irmã mais tarde. “Quando viu que aquela era sua convicção, algo de que ele não abriria mão, ela disse: ‘Que Deus o proteja’.”

LAWRENCE WRIGHT: “O vulto das torres”, Companhia das Letras, 2007. Colunista da revista The New Yorker