Joaquim de Fiore e a vã esperança de um reino cá embaixo
Santo Tomás reprovou a doutrina do “evangelho eterno” de Joaquim de Fiore (+1202), segundo a qual o evangelho de Cristo, pregado em todo orbe sem que tivesse chegado o fim do mundo, não seria o evangelho do Reino, mas que se deveria esperar outro evangelho e outra dispensação, a do Espírito Santo. De fato, a doutrina de Fiore supõe um “vivens ordo” na história, isto é, supõe uma concepção imanentista e pragmática da Revelação. Segundo Fiore, a economia do Filho estaria superada. Dessa suposta exaustão, pretendeu indicar os sinais num comentário que fez ao Apocalipse. À Igreja de Pedro sucederia a igreja de João, pneumática, sem fronteiras, da qual a primeira seria mera figura. Afastando-se de sua habitual moderação, Tomás de Aquino repele o joaquimismo classificando-o de “grandíssima estupidez” . Na verdade, o tão esperado Reino de Deus identifica-se substancialmente com o Reino dos Céus, “regnum autem Dei idem est secundum substantiam cum regno caelorum” (Catena aurea in Marcum Cap. 1, lectio 6).