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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 28th, 2006

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A igreja de Santa Maria de Eunate


A igreja de Santa Maria de Eunate, situada às margens do Caminho de Santiago, próximo de Puente la Reina, em Navarra, foi construída em torno de 1170, época que conheceu um notável aumento das peregrinações compostelanas. Numerosos prédios urbanos e rurais foram então edificados para o acolhimento dos peregrinos. Desconhecida a origem da igreja, há quem a associe às Ordens do Templo e de São João de Jerusalém, as quais, sob o reinado de Sancho VI, “o Sábio”, gozaram de muito incentivo e proteção. Parece certo que Eunate tenha servido de cemitério de peregrinos. Escavações feitas em meados do século XX comprovam tal função no terreno existente entre a igreja e o belo conjunto octogonal de arcos que a circunda. Embora sejam apenas 33, estes arcos deram nome ao templo: Eunate, em língua basca, significa “cem portas”. A exemplo da igreja templária do Santo Sepulcro, em Torres del Rio, situada igualmente no trecho navarro do Caminho de Santiago, a igreja de Santa Maria de Eunate teria sido guarnecida de uma lanterna em sua torre, a fim de servir de “farol” aos peregrinos.

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 22nd, 2006

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Santo Agostinho sobre o livre arbítrio

1. De coisas idênticas pode uma pessoa usar mal, e outra bem: a que usa mal, está presa às mesmas coisas pelo amor [desordenado], e nelas se embaraça, submetendo-se àquilo que lhe devia estar submetido (…); a que usa retamente das coisas, mostra na verdade, que estas são boas (…), não estando a elas presas pelo amor, nem fazendo dessas realidades como que membros do seu espírito, como acontece no amor (…), mas elevando-se acima dessas coisas, está pronta não só a possuí-las e dirigi-las, como também a perdê-las e não as possuir. Sendo assim, achas por ventura que a prata e ouro devem ser incriminados por causa dos avaros, ou os alimentos por causa dos glutões, ou o vinho por causa dos ébrios, ou as formas femininas por causa dos prostibulários e adúlteros, e assim, outras coisas? Isto, pois, considera, sobretudo ao veres o médico que usa bem do fogo, e o envenenador que usa criminosamente de um pedaço de pão. (De libero arbitrio., lb.I , cap 15, n.33)

2. Ora, quando Deus pune quem peca, que outra coisa parece Ele dizer, senão isto: por que é que não usaste da vontade livre para o fim que Eu te dei, isto é, para proceder honestamente? (…) Com efeito, se o homem não dispusesse de vontade livre, tanto seria injusto o castigo como o prêmio. (De libero arbitrio., lb. II , cap. 1, n. 3)

3. Ninguém está seguro em relação aos bens que pode perder contra a sua vontade. A verdade e a sabedoria, porém, ninguém as perde por sua própria vontade; ninguém pode separar-se delas pela distância, e mais ainda, aquilo que se diz ser afastamento da verdade e da sabedoria, nada mais é que a vontade pervertida, com qual se amam os bens que são inferiores. E ninguém quer uma coisa não querendo. (De libero arbitrio., lb. II , cap. 14, n. 37)

4. Entre os bens do corpo encontramos alguns que podem ser usados pelo homem sem retidão, e nem por isso afirmamos que eles não lhe deveriam ser dados, visto que reconhecemos serem bens. Sendo assim, que admira haver igualmente no espírito certos bens, de que também podemos usar sem retidão, mas que por serem bens, não puderam ser dados senão por Aquele de quem procedem todos os bens? (De libero arbitrio, lb. II, cap. 18, n. 48)

De libero arbitrio
Santo Agostinho

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 20th, 2006

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Vuestra soy…

Vuestra soy, para Vos nací,
¿qué mandáis hacer de mí?

Soberana Majestad,
eterna sabiduría,
bondad buena al alma mía;
Dios alteza, un ser, bondad,
la gran vileza mirad
que hoy os canta amor así:
¿qué mandáis hacer de mí?

Vuestra soy, pues me criasteis,
vuestra, pues me redimisteis,
vuestra, pues que me sufristeis,
vuestra pues que me llamasteis,
vuestra porque me esperasteis,
vuestra, pues no me perdí:
¿qué mandáis hacer de mí?

¿Qué mandáis, pues, buen Señor,
que haga tan vil criado?
¿Cuál oficio le habéis dado
a este esclavo pecador?
Veisme aquí, mi dulce Amor,
amor dulce, veisme aquí:
¿qué mandáis hacer de mí?

Veis aquí mi corazón,
yo le pongo en vuestra palma,
mi cuerpo, mi vida y alma,
mis entrañas y afición;
dulce Esposo y redención,
pues por vuestra me ofrecí:
¿qué mandáis hacer de mí?

Dadme muerte, dadme vida:
dad salud o enfermedad,
honra o deshonra me dad,
dadme guerra o paz crecida,
flaqueza o fuerza cumplida,
que a todo digo que sí:
¿qué mandáis hacer de mí?

Dadme riqueza o pobreza,
dad consuelo o desconsuelo,
dadme alegría o tristeza,
dadme infierno o dadme cielo,
vida dulce, sol sin velo,
pues del todo me rendí:
¿qué mandáis hacer de mí?

Si queréis, dadme oración,
si no, dadme sequedad,
si abundancia y devoción,
y si no esterilidad.
Soberana Majestad,
sólo hallo paz aquí:
¿qué mandáis hacer de mi?

Dadme, pues, sabiduría,
o por amor, ignorancia;
dadme años de abundancia,
o de hambre y carestía;
dad tiniebla o claro día,
revolvedme aquí o allí:
¿qué mandáis hacer de mí?

Si queréis que esté holgando,
quiero por amor holgar.
Si me mandáis trabajar,
morir quiero trabajando.
Decid, ¿dónde, cómo y cuándo?
Decid, dulce Amor, decid:
¿qué mandáis hacer de mí?

Dadme Calvario o Tabor,
desierto o tierra abundosa;
sea Job en el dolor,
o Juan que al pecho reposa;
sea viña fructuosa
o estéril, si cumple así:
¿qué mandáis hacer de mí?

Sea José puesto en cadenas,
o de Egipto adelantado,
o David sufriendo penas,
o ya David encumbrado;
sea Jonás anegado,
o libertado de allí:
¿qué mandáis hacer de mí?

Esté callando o hablando,
haga fruto o no le haga,
muéstreme la ley mi llaga,
goce de Evangelio blando;
esté penando o gozando,
sólo vos en mí vivid:
¿qué mandáis hacer de mí?

Vuestra soy, para vos nací,
¿qué mandáis hacer de mí?

- Santa Teresa d’Ávila

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 18th, 2006

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O filómito

Que os filósofos procuram fugir da ignorância, isto é evidente pelo fato de que os primeiros a se dedicarem à filosofia – bem como os que agora ainda o fazem -, começaram a filosofar por força da admiração de alguma causa (…). Consta, porém, que a dúvida e a admiração provêm da ignorância. De fato, quando vemos certos efeitos manifestos cuja causa nos é oculta, ficamos admirados a respeito desta causa. E, pelo fato de que a admiração foi a causa que induziu ao pensamento filosófico, é claro que de algum modo o filósofo é “Filómito”, isto é, amante das fábulas, o que por sua vez é próprio dos poetas. Donde, os primeiros que, por meio de fábulas, trataram dos primeiros princípios das coisas, foram chamados “poetas teologizantes”, como o foi Perseu e alguns outros como é o caso dos Sete Sábios. Eis assim a razão pela qual o filósofo é comparado ao poeta: ambos ocupam-se de coisas que causam admiração.

- Tomás de Aquino (Sententia Libri Metaphysicae, Lb. I, Lect. 3)

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 8th, 2006

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Do século XV espanhol

     El vivir que es perdurable
no se gana con estados
mundanales,
ni con vida delectable
donde moran los pecados
infernales;
     mas los buenos religiosos
gánanlo con oraciones
y con lloros;
los caballeros famosos,
con trabajos y aflicciones
contra moros.

- Jorge Manrique

Leia as Coplas por la muerte de su padre completas.

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 6th, 2006

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Omayr José de Moraes Júnior

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agosto 4th, 2006

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Comentário à Ave-Maria

Capa do Comentário à Ave-Maria

Tomás de Aquino comenta a Ave-Maria em dois sermões feitos em linguagem simples mas ricos em conteúdo.

72 páginas
20cm x 12cm
Preço: R$14,00

Como adquirir: escreva para eunate@salterrae.org.

Apresentação
por D. Estêvão Bettencourt, OSB

A piedade mariana, muito cara aos fiéis católicos, esteve em crise logo após o Concílio Vaticano II (1962-1965): verificou-se então que se distanciava da sua fonte bíblica e se entregava a sutilezas de um fervor mal orientado. O Concílio, na Constituição Lumen Gentium, elaborou uma síntese mariológica, que foi o brado de volta às fontes e muito contribuiu para a renovação da devoção mariana ocorrente nos últimos anos.

Bons estudos de Mariologia têm sido publicados, entre os quais se coloca o que ora apresentamos. Este é de estilo singular. Faz-nos voltar à Idade Média, à época das grandes catedrais e das volumosas Sumas Teológicas. O seu autor – Santo Tomás de Aquino – não era somente professor universitário, mas também era pregador. E precisamente um dos sermões do Santo é o comentário da Ave-Maria. Foi com esmero traduzido do latim para o português por um valioso latinista, que soube dar uma forma literária agradável às considerações escolásticas do Mestre. Além disto, antepôs ao texto de S. Tomás algumas páginas que reconstituem o ambiente no qual o Santo viveu e ensinou, páginas muito interessantes porque transmitem ao leitor concepções e quadros de vida desconhecidos ao homem moderno. Ao texto do Doutor Angélico o tradutor acrescentou seus comentários pessoais sobre o pecado original, o mistério da Encarnação, a vida uma ou indivisa… Inspirados nas mais puras fontes da fé católica, visa assim a proporcionar ao leitor “um Encontro que se perfaz em meio às vicissitudes, alegrias e esperanças de nossa peregrinação” (p. 15).

O autor da obra assim arquitetada merece apoio e estímulo: continua a trazer para o acervo cultural de nossos dias as jóias da cultura clássica.

Quanto ao presente livro de reflexão mariológica, sejam citadas as palavras de D. Boaventura Kloppenburg: “De Maria os discípulos de Cristo recebem o sentido e o gosto do louvor perante a obra das mãos de Deus: ‘O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas’ (Lc 1, 49): Aprendem que estão no mundo para conservar a memória dessas maravilhas e vigiar enquanto aguardam o dia do Senhor!” (Colheita na Vetustez, p. 309).