Julho 1, 2009

Sobre o livre-arbítrio

De coisas idênticas pode uma pessoa usar mal, e outra bem: a que usa mal, está presa às mesmas coisas pelo amor [ desordenado], e nelas se embaraça, submetendo-se àquilo que lhe devia estar submetido (…); a que usa retamente das coisas, mostra na verdade, que estas são boas (…), não estando a elas presas pelo amor, nem fazendo dessas realidades como que membros do seu espírito, como acontece no amor (…), mas elevando-se acima dessas coisas, está pronta não só a possuí-las e dirigi-las, como também a perdê-las e não possuí-las. Sendo assim, achas por ventura que a prata e ouro devem ser incriminados por causa dos avaros, ou os alimentos por causa dos glutões, ou o vinho por causa dos ébrios, ou as formas femininas por causa dos prostibulários e adúlteros, e assim, outras coisas? Isto, pois, considera, sobretudo ao veres o médico que usa bem do fogo, e o envenenador que usa criminosamente de um pedaço de pão.

Santo Agostinho
De libero arb., I, 15, 33

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Junho 26, 2009

São Josemaria Escrivá, um Santo para os nossos dias

A Igreja Católica celebra a festa de São Josemaria Escrivá de Balaguer,
fundador do Opus Dei, no dia 26 de Junho.

Missas

BRASIL

S. Paulo:
Catedral de São Paulo, 27/6/09, 10h00

Porto Alegre:
Paróquia Nossa Senhora da Piedade, 27/06, 10h00

Belo Horizonte:
Capela do Colégio Sagrado Coração de Jesus, 22/06, 19h30
(Celebrante: Mons. Vicente Ancona Lopez, Vigário do Opus Dei no Brasil)

Curitiba:
Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, 30/06, 19h00
(Celebrante: D. Moacir Vitti, Arcebispo de Curitiba)

Brasília:
Paróquia São Judas Tadeu, 26/06, 20h00 (Celebrante: D. João Braz de Aviz)

Goiânia:
Catedral Metropolitana de Goiânia, 25/06, 19h00 (Celebrante: D. Washington
Cruz)

Campinas:
Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, 27/06, 10h00

Piracicaba:
Capela São Benedito, 29/06, 19h15

São José dos Campos:
Catedral de São Dimas, 26/06, 19h30

Ribeirão Preto:
Paróquia S. João Batista, 26/06, 19h00

Sorocaba:
Igreja São Carlos Borromeu, 25/06, 19h00

Florianópolis (SC):
Igreja Imaculada Conceição, situada na rua Vitor Konder, 344,
23/06, terça-feira, às 19h00

Londrina (PR):
Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, situada na Av. Maringá, 1075,
25/06, quinta-feira, às 19h00

Niterói (RJ):
Igreja de São Judas Tadeu (Icaraí)
29/06, segunda-feira, às 19h00
(celebrada por Dom Roberto, Bispo Auxiliar de Niterói).

Rio de Janeiro (RJ):
Igreja de Nossa Senhora da Candelária, Centro
27/06, sábado, às 10h00

*Em todas as igrejas haverá sacerdotes para confessar, cerca de uma hora antes.
Fonte:http://www.pt.josemariaescriva.info/shownews.php?id=548

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Junho 21, 2009

Um poema de Aristóteles

Virtue, whom men attain by constant struggle, our noblest aim in life, a goddess pure, in Greece we deem it sweet to die for you or anguish and unending toil endure. You fill our hearts with such immortal gifts - dearer than parents, gold, or sleep’s soft rays - that Hercules, Zeus’ son, and Leda’s twins aspired through labours to bring home your bays. For love of you Achilles and Ajax both left the clear day of men for Hades’ night. For your dear sake, Atameus’ noblest son forsook this upper world of sun and light. Therefore, immortal, famed for virtuous deeds, the Muses nine with honour him attend, daughters of Memory, who thus honour Zeus, the god of guests, and the firm love of friends.

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Junho 19, 2009

Saint Juliana Falconieri (+June 19, 1341)

Saint Juliana Falconieri (b. 1270) was the Italian foundress of the Sisters of the Third Order of Servites (or the Servite Tertiaries).

Juliana belonged to the noble Florentine family of the Falconieri. Her uncle, Alexis Falconieri, was one of the seven founders of the Servite Order. Under his influence, she decided at a young age to follow the religious life. After her father’s death, she received c. 1385 the habit of the Third Order of the Servites, from Philip Benizi (Benitius), then general of that order. She remained at home following the rule Benizi had given her until her mother’s death, when Juliana and several companions moved into a house of their own in 1305. This became the first convent of the Sisters of the Third Order of Servites. Juliana would serve as superior until the end of her life.

The Servites’ dress consisted of a black gown, secured by a leather girdle, and a white veil. Because the gown had short sleeves to facilitate work, people called the sisters of the new order “Mantellate.”

The sisters devoted themselves especially to the care of the sick and other works of mercy. Juliana directed the community of Servite Tertiaries for thirty-five years.

An extraordinary occurrence, mentioned in the oratio of her feast day, is said to have occurred at Juliana’s death. She, at this time, unable to receive Holy Communion because of constant vomiting, requested the priest to spread a corporal upon her chest and lay the Host on it. Shortly thereafter, the Host disappeared and Juliana died, June 19, 1341.[1] The image of a Cross, just like the one on the Host, was found on her breast.

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Junho 9, 2009

João Paulo II e Tomás de Aquino

O método, os princípios e a doutrina do Aquinate, recordava o imortal Pontífice (Leão XIII), encontraram no decurso dos séculos favor preferencial não só dos doutos, bem como do Magistério Supremo da Igreja (…). Não sem motivo, os Sumos Pontífices, Sucessores de Leão XIII, e até o Código de Direito Canônico, retomaram-nos e fizeram-nos seus. Também o Concílio Vaticano II prescreve, como bem o sabemos, o estudo e o ensinamento do patrimônio perene da Filosofia, do qual uma parte insigne é constituída pelo pensamento do Doutor Angélico. As palavras do Concílio são claras: a íntima ligação, com o pensamento cultural do passado, em particular, com o pensamento de Santo Tomás, viram os Padres Conciliares um elemento fundamental para a adequada formação do Clero e da juventude cristã, e, portanto, em perspectiva, uma condição necessária para a desejada renovação da Igreja. Não é o caso de inculcar aqui a minha vontade de dar plena execução às disposições conciliares, uma vez que nesse sentido já me pronunciei explicitamente na Homilia de 17 de outubro de 1978, e, depois, repetidas vezes.
João Paulo II, Alocução de 7-11-1979
(L’Osservatore Romano, 25-11-1979)

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Junho 5, 2009

César e os seus: “Caesari omnia uno tempore erant agenda”

20. César devia fazer tudo isso ao mesmo tempo: devia arvorar o estandarte que era o sinal de quando era necessário correr às armas, devia dar o sinal com a trombeta, devia fazer voltar os soldados do trabalho, devia chamar os que tinham ido mais longe para buscar o material para a construção das trincheiras, devia formar o exército em ordem de batalha, devia exortar os soldados, devia dar o sinal (do ataque). A brevidade do tempo e o avanço dos inimigos impediam grande parte destas coisas. Duas coisas eram de auxílio nestas dificuldades: a perícia (=a instrução teórica) e a experiência dos soldados, porque, adestrados nos combates anteriores, podiam não menos bem eles mesmos determinar por si o que era necessário fazer, do que ser ensinados por outros, e porque Cesar proibira a cada um dos lugar-tenentes afastar-se dos trabalhos e de cada legião senão depois de fortificado o campo. Estes, por causa da aproximação e da rapidez dos inimigos, não esperavam mais o comando de Cesar, mas tomavam decisões que pareciam oportunas.

21. César, tendo mandado só as coisas indispensáveis, correu a animar os soldados daquela parte (…). Depois de ter exortado os soldados com um discurso não mais longo do que (necessário para dizer) que guardassem a lembrança do seu antigo valor, e não perdessem o ânimo e sustentassem corajosamente o choque dos inimigos, deu sinal de travar combate, visto como os inimigos não estavam mais longe do que (o espaço) até aonde se podia atirar um dardo. E tendo-se dirigido para a outra parte para também animar (os soldados) encontrou-os que (já) combatendo. A escassez de tempo foi tão grande e o ânimo dos inimigos tão disposto a combater, que não só faltou o tempo para acomodar as insígnias, mas ainda para pôr os capacetes e tirar aos escudos suas capas. Cada um se deteve na posição à qual chegou casualmente (vindo) do trabalho e sob os primeiros estandartes que viu, para que buscando os seus, não perdesse a ocasião de combater.

[19] Caesari omnia uno tempore erant agenda: vexillum proponendum, quod erat insigne, cum ad arma concurri oporteret; signum tuba dandum; ab opere revocandi milites; qui paulo longius aggeris petendi causa processerant arcessendi; acies instruenda; milites cohortandi; signum dandum. Quarum rerum magnam partem temporis brevitas et incursus hostium impediebat. [2] His difficultatibus duae res erant subsidio, scientia atque usus militum, quod superioribus proeliis exercitati quid fieri oporteret non minus commode ipsi sibi praescribere quam ab aliis doceri poterant, et quod ab opere singulisque legionibus singulos legatos Caesar discedere nisi munitis castris vetuerat. [3] Hi propter propinquitatem et celeritatem hostium nihil iam Caesaris imperium expectabant, sed per se quae videbantur administrabant.

[20] Caesar, necessariis rebus imperatis, ad cohortandos milites, quam [in] partem fors obtulit, decucurrit et ad legionem decimam devenit. [2] Milites non longiore oratione cohortatus quam uti suae pristinae virtutis memoriam retinerent neu perturbarentur animo hostiumque impetum fortiter sustinerent, [3] quod non longius hostes aberant quam quo telum adigi posset, proelii committendi signum dedit. [4] Atque in alteram item cohortandi causa profectus pugnantibus occurrit. [5] Temporis tanta fuit exiguitas hostiumque tam paratus ad dimicandum animus ut non modo ad insignia accommodanda sed etiam ad galeas induendas scutisque tegimenta detrahenda tempus defuerit. [6] Quam quisque ab opere in partem casu devenit quaeque prima signa conspexit, ad haec constitit, ne in quaerendis suis pugnandi tempus dimitteret.

C. IULI CAESARIS
DE BELLO GALLICO
COMMENTARIUS SECUNDUS

Tradução: Pe. Ravizza

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Junho 2, 2009

Aparências

Para os antigos gregos

O mundo divino é fundamentalmente ambíguo. A ambigüidade nuança os deuses mais positivos: Apolo é o Brilhante, mas Plutarco nota que, para alguns, ele é também o Obscuro e que, se para uns, as Musas e a Memória se põem a seu lado, para outros, aparecem Esquecimento e Silêncio . Os deuses conhecem a “Verdade”, mas sabem também enganar pelas aparências e pelas palavras. Suas aparências são armadilhas para os homens, suas palavras são sempre enigmáticas, pois escondem tanto quanto revelam: o oráculo “mostra-se através de um véu, assim como a jovem desposada”. A ambigüidade do mundo divino corresponde à dualidade do humano. Existem os homens que reconhecem a aparição dos deuses sob as aparências mais desconcertantes, que sabem entender o sentido oculto das palavras, e depois estão todos os outros que se deixam levar pelo disfarce, que caem na armadilha do enigma.

(Detienne, M. : Os mestres da verdade na grécia archaica, Rio de Janeiro: Zahar, 1988, p. 42)

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Junho 1, 2009

Via Pulchritudinis

The conversion of French writer Paul Claudel was sudden and profound. On a Christmas Eve when he was 18 years old, he attended Vespers at Notre Dame de Paris. As the choir was singing the Magnificat, he writes, “In an instant, my heart was touched and I believed. I believed with such force, with such relief of all my being, a conviction so powerful, so certain and without any room for doubt, that ever since, all the books, all the arguments, all the hazards of my agitated life have never shaken my faith, nor to tell the truth have they even touched it.”

Although Claudel’s response to beauty was more dramatic than most, there is no doubt that many conversions have begun with a response to the beauty of the liturgy—in particular its music. Tragically, as Anthony Esolen so poignantly describes on page 12, the liturgical music at most parishes would hardly inspire such conversion. The misguided efforts of the last four decades to make the Mass more accessible to ordinary people has resulted in Catholics who can’t sing and music that doesn’t aspire so much to beauty as to entertainment.

Thankfully, the tide seems to be turning. I read Claudel’s story in a Vatican document called “The Via Pulchritudinis, Privileged Pathway for Evangelization and Dialogue. “Via Pulchritudinis means “Way of Beauty,” and the purpose of the document is well summarized in one of its paragraphs:

The communicating capacity of sacred art renders it able to break down barriers, filter prejudices, and reach the heart of people from different cultures and religions and let them perceive the universality of the message of Christ and his gospel. When a work of faith-inspired art is offered to the public within its religious function, it is a “via,” a pathway of evangelization and dialog.

It is especially in the context of the liturgy that beauty can touch the human soul, so “superficiality, banality, and negligence have no place in the liturgy. They not only do not help the believer progress on his path of faith but, above all, damage those who attend Christian celebrations.” Bad music does damage. It blocks conversion. The document asks: “Is not kitsch culture only a typical outcry of those living in fear of responding to the call to undergo a profound transformation?” Giving that kitsch culture a home in our liturgies has been a devastating mistake, a mistake that is increasingly being recognized and addressed.

The Church must recover its magnificent artistic patrimony, especially its musical patrimony. This is of no small import: Souls are at stake. Via Pulchritudinis puts it this way: “Is not the task of saving beauty that of saving man? Is this not the role of the Church, expert in humanity and guardian of the faith?”

Fonte:
Beauty Will Save the World
By
Cherie Peacock

This Rock
Volume 19, Number 8
October 2008

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Maio 31, 2009

“Regra de São Bento”, cap. 4: Os instrumentos das boas obras,

[1] Primeiramente, amar ao Senhor Deus de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças.
[2] Depois, amar ao próximo como a si mesmo.
[3] Em seguida, não matar.
[4] Não cometer adultério.
[5] Não furtar.
[6] Não cobiçar.
[7] Não levantar falso testemunho.
[8] Honrar todos os homens.
[9] E não fazer a outrem o que não quer que lhe seja feito.
[10] Abnegar-se a si mesmo para seguir o Cristo.
[11] Castigar o corpo.
[12] Não abraçar as delícias.
[13] Amar o jejum.
[14] Reconfortar os pobres.
[15] Vestir os nus.
[16] Visitar os enfermos.
[17] Sepultar os mortos.
[18] Socorrer na tribulação.
[19] Consolar o que sofre.
[20] Fazer-se alheio às coisas do mundo.
[21] Nada antepor ao amor de Cristo.
[22] Não satisfazer a ira.
[23] Não reservar tempo para a cólera.
[24] Não conservar a falsidade no coração.
[25] Não conceder paz simulada.
[26] Não se afastar da caridade.
[27] Não jurar para não vir a perjurar.
[28] Proferir a verdade de coração e de boca.
[29] Não retribuir o mal com o mal.
[30] Não fazer injustiça, mas suportar pacientemente as que lhe são feitas.
[31] Amar os inimigos.
[32] Não retribuir com maldição aos que o amaldiçoam, mas antes abençoá-los.
[33] Suportar perseguição pela justiça.
[34] Não ser soberbo.
[35] Não ser dado ao vinho.
[36] Não ser guloso.
[37] Não ser apegado ao sono.
[38] Não ser preguiçoso.
[39] Não ser murmurador.
[40] Não ser detrator.
[41] Colocar toda a esperança em Deus.
[42] O que achar de bem em si, atribuí-lo a Deus e não a si mesmo.
[43] Mas, quanto ao mal, saber que é sempre obra sua e a si mesmo atribuí-lo.
[44] Temer o dia do juízo.
[45] Ter pavor do inferno.
[46] Desejar a vida eterna com toda a cobiça espiritual.
[47] Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreendê-lo.
[48] Vigiar a toda hora os atos de sua vida.
[49] Saber como certo que Deus o vê em todo lugar.
[50] Quebrar imediatamente de encontro ao Cristo os maus pensamentos que lhe advêm ao coração e revelá-los a um conselheiro espiritual.
[51] Guardar sua boca da palavra má ou perversa.
[52] Não gostar de falar muito.
[53] Não falar palavras vãs ou que só sirvam para provocar riso.
[54] Não gostar do riso excessivo ou ruidoso.
[55] Ouvir de boa vontade as santas leituras.
[56] Dar-se freqüentemente à oração.
[57] Confessar todos os dias a Deus na oração, com lágrimas e gemidos, as faltas passadas e [58] daí por diante emendar-se delas.
[59] Não satisfazer os desejos da carne.
[60] Odiar a própria vontade.
[61] Obedecer em tudo às ordens do Abade, mesmo que este, o que não aconteça, proceda de outra forma, lembrando-se do preceito do Senhor: “Fazei o que dizem, mas não o que fazem”.
[62] Não querer ser tido como santo antes que o seja, mas primeiramente sê-lo para que como tal o tenham com mais fundamento.
[63] Pôr em prática diariamente os preceitos de Deus.
[64] Amar a castidade.
[65] Não odiar a ninguém.
[66] Não ter ciúmes.
[67] Não exercer a inveja.
[68] Não amar a rixa.
[69] Fugir da vanglória.
[70] Venerar os mais velhos.
[71] Amar os mais moços.
[72] Orar, no amor de Cristo, pelos inimigos.
[73] Voltar à paz, antes do pôr-do-sol, com aqueles com quem teve desavença.
[74] E nunca desesperar da misericórdia de Deus.
[75] Eis aí os instrumentos da arte espiritual: [76] se forem postos em ação por nós, dia e noite, sem cessar, e devolvidos no dia do juízo, seremos recompensados pelo Senhor com aquele prêmio que Ele mesmo prometeu: [77] “O que olhos não viram nem ouvidos ouviram preparou Deus para aqueles que o amam”. [78] São, porém, os claustros do mosteiro e a estabilidade na comunidade a oficina onde executaremos diligentemente tudo isso.

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Maio 29, 2009

Meditação abstrusa e charadística sobre um texto de Carandini

“Explorar mais do que provar. Cientes de nossas limitadas capacidades de percepção, podemos tentar nos aproximar o mais possível do verossímil, evitando atulhar a mente de informações pouco relevantes e dando espaço às diferenças que consideramos mais importantes. Isto implica em escolher as prioridades corn curiosidade e combinar fontes de natureza diversa para alargar o quadro dos fenômenos considerados e para aplicar um controle cruzado nas informações. De fato, existem estratégias piores ou melhores para tentar compreender partes mais ou menos necessárias o todo ue é a coisa em si. Isto nos consente de não sermos pessimistas demais em relação a capacidade que têm as coisas de serem conhecidas (…) podemos sempre descartar, aumentar, melhorar as hipóteses, acrescentando as evidências e evitando que as nossas idéias sobre elas percam a coerência”.

CARANDINI, Andrea - La nascita di Roma. Dei, Lari. eroi e uomini all’alba di uma civiltà. Torino, Einaudi, 1998:6.

História e Arqueologia são duas modalidades de fazer ciência, isto é, de se auferir conhecimento sistemático a partir de algumas hipóteses fundantes. Se esse status de ciência foi quase sempre reconhecido no caso da História, nem sempre o foi no da Arqueologia. Esta, no entanto, na medida em que elaborou e passou a servir-se de método e discurso próprios capazes de produzir conhecimento, decerto se alçou como ciência autônoma cujo escopo, obviamente, não pode se identificar com os meios de que se serve, a saber: os levantamentos de campo e a classificação dos achados. A Arqueologia e a História visam, de fato, à produção de saber partindo de dois tipos de evidência histórica: a evidência literária e a material. Do ponto de vista meramente lógico, a evidência literária e a material podem estar em relação de acordo ou de conflito; em ambos os casos, contudo, são capazes de se iluminar mutuamente. Sob o ponto de vista metodológico, e do mero bom senso, não é possível pensar que algum tipo de evidência, literária ou material, tem a priori mais “valor”. Mas isso nem sempre foi ponto pacífico, pois longa tradição assumia implicitamente que as fontes escritas eram inquestionáveis até que se “provasse” o contrário. É evidente que essa postura confere precedência automática à evidência literária em detrimento da material. Note-se, porém, que se não é possível se falar em superioridade apriorística de um tipo de evidência, isso não quer dizer de modo algum que, nos casos concretos, não se deva atribuir prevalência relativa de algumas evidências sobre as outras. Dá-se apenas que essa prevalência não pode se apresentar à indagação histórica como imposição genérica e extrínseca, mas, antes, deve corresponder às especificidades reconhecíveis no objeto. E isso nada mais é que escalonar as variáveis segundo o grau de transparência ou “legibilidade” que elas são capazes de conferir ao todo. E, se é verdade que um quadro teórico mínimo é necessário a fim de enfeixar o problema, é sobretudo verdade que a proposição das questões deve derivar necessariamente das evidências disponíveis, e não o contrário. Isto é: o modelo não deve encobrir a realidade e polarizar a mente do pesquisador. Cada caso é um caso. Com esta asserção banal quero dizer que modelos rígidos e generalizações são fatais para a investigação: tem-se um “modelo” e a realidade deve se encaixar nele, mesmo que isso se faça a golpes de marreta. De fato, a compreensão do passado - finalidade aliás quase sempre perfectível - se inicia pela proposição das “perguntas certas”, cujas respostas devem nos conduzir a uma região de certeza ou melhor, de verosimilhança, a partir da qual é justo se esperar a conformação de novos saberes oriundos da trama inicial de hipóteses. Sob esse aspecto, a condução do discurso não é arbitrária, mas depende liminarmente das questões levantadas a partir das evidências disponíveis. Ora, a qualificação e o escalonamento das evidências, isto é, saber se os textos e os achados arqueológicos foram corretamente compreendidos, não é tarefa fácil e supõe perspicácia intelectual; os insumos devem ser confrontados cuidadosa e judiciosamente, e isso não se confunde de modo algum com a mera erudição, a qual, de fato, pode saturar a mente do pesquisador fazendo com que a parte se torne maior que o todo, abortando o processo mesmo de identificação das premissas. Essa deliberação é crucial, e dá é o verdadeiro start do processo, pois as conclusões estão de certo modo embutidas nas premissas e valores iniciais.

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